Na sexta-feira (24/10/2025), o promotor Lincoln Gakiya e o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, defenderam a criação de uma agência nacional anti-máfia para coordenar ações contra o crime organizado. A proposta visa integrar polícias, Receita Federal e o Coaf em uma estrutura conjunta, com foco em investigação financeira, combate à infiltração criminosa e proteção de autoridades e testemunhas.
Proposta de coordenação nacional
Durante entrevista coletiva, as autoridades destacaram a necessidade de endurecimento da legislação e de celeridade na expropriação de bens de criminosos, apoiando proposta do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo os promotores, o modelo buscaria centralizar informações e operações, ampliando a eficiência do enfrentamento às organizações criminosas e reduzindo o poder econômico e territorial dessas facções.
O procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa afirmou que a criação da agência exige cooperação entre os Poderes e alinhamento institucional, sem barreiras político-ideológicas.
“A sociedade precisa perceber que o Estado é mais organizado que o crime”, afirmou o procurador, reforçando que a proteção de vidas e instituições democráticas deve ser prioridade.
Expansão e infiltração do crime organizado
O promotor Lincoln Gakiya classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como a primeira máfia brasileira, destacando a ampliação de sua influência em setores políticos, econômicos e financeiros.
“As operações recentes mostraram a infiltração em estruturas de poder e em negócios lícitos, atingindo um patamar insustentável”, disse o promotor.
Gakiya alertou para o uso de estratégias de controle territorial e intimidação de autoridades por parte das facções, o que, segundo ele, reforça a urgência de uma resposta nacional estruturada. O promotor é um dos principais responsáveis pela investigação e combate ao PCC no Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Operação Recon e medidas de segurança
As declarações ocorreram após a divulgação da Operação Recon, conduzida pelo MP-SP e pelas polícias estaduais, que desarticulou uma célula do PCC responsável por monitorar Gakiya e o coordenador de presídios da região oeste paulista, Roberto Medina, gestor das unidades de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes.
A operação cumpriu 25 mandados de busca domiciliar em sete municípios — Presidente Prudente, Álvares Machado, Martinópolis, Pirapozinho, Presidente Venceslau, Presidente Bernardes e Santo Anastácio. Dois suspeitos foram presos em flagrante por tráfico de drogas, e a polícia apreendeu 4,3 quilos de entorpecentes, quatro veículos, munições calibre .380, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos.
Estrutura da célula criminosa
Segundo o MP-SP, o grupo operava sob um sistema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava funções específicas sem acesso à totalidade do plano. Essa estrutura dificultava a detecção das ações e incluía a separação entre informantes e executores, pertencentes a uma “sintonia restrita”, núcleo voltado a atentados e resgates de líderes.
Membros dessa célula já foram ligados a ataques contra agentes penitenciários no Paraná e a planos de atentado contra o senador Sergio Moro. Gakiya acrescentou que há suspeitas de envolvimento do grupo no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz, ocorrido em (15/09/2025). Oito suspeitos foram presos, sendo o último na terça-feira (21/10/2025).
*Com informações da Agência Brasil.








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