O presidente estadual do PSOL-BA, Ronaldo Mansur, confirmou na terça-feira (08/10/2025) sua pré-candidatura ao governo da Bahia em 2026 e afirmou que o partido voltará a “surpreender” nas próximas eleições. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Pod Rocha, apresentado por André Rocha na rádio Rosário FM 104,9, onde o dirigente abordou temas como saúde, educação, segurança pública e alianças partidárias.
PSOL busca consolidar espaço após bom desempenho em Salvador
Ronaldo Mansur destacou que o crescimento do PSOL em 2024, com Kleber Rosa alcançando o segundo lugar na disputa pela Prefeitura de Salvador, serviu de base para a construção de um novo projeto político estadual. Ele enfatizou que, apesar da desvantagem estrutural, a campanha socialista conquistou votos expressivos com propostas voltadas à justiça social e combate às desigualdades.
“Fizemos uma campanha organizada em 2024, sem a estrutura e os recursos de Geraldo, mas acontece que a candidatura dele não colou; não tinha tempero. Em 2026, o PSOL vai continuar crescendo. Estamos organizando, junto com a Rede Sustentabilidade, uma chapa majoritária que também vai surpreender. Queremos eleger quatro deputados estaduais e um federal pela Bahia”, afirmou Mansur.
O pré-candidato aposta na aliança com a Rede Sustentabilidade como elemento estratégico para ampliar a presença do campo progressista nas urnas e garantir maior inserção em regiões fora da capital, tradicionalmente dominadas por partidos maiores como PT, PSD e União Brasil.
Relação com o PT e postura independente
Mansur também tratou da relação entre o PSOL e o governo estadual liderado pelo PT, partido que ocupa o poder na Bahia há quase duas décadas. Ele ressaltou que o diálogo entre as legendas é respeitoso, mas o PSOL manterá independência política e programática, preservando autonomia para formular críticas e propor alternativas.
“Temos uma relação diplomática e de respeito com militantes históricos do PT, pessoas que acreditam e lutam pela sociedade. Mas não temos relação com o governo, o que nos dá independência para criticar quando preciso, assim como fazemos com a gestão do prefeito Bruno Reis. O que não significa que estejamos fechados ao diálogo, porém não domesticados”, explicou.
A fala reflete a tentativa do PSOL de equilibrar a cooperação entre partidos de esquerda com a defesa de um projeto político próprio, voltado à renovação das práticas administrativas e à reconstrução da confiança popular em políticas progressistas.
Desafios eleitorais e cenário político
A pré-candidatura de Mansur insere o PSOL em uma disputa marcada por fragmentação partidária e pela busca de alternativas à hegemonia do PT no estado. O partido pretende apostar em campanhas de base, no uso estratégico das redes sociais e na valorização de pautas regionais, como meio ambiente, mobilidade urbana e segurança pública, para se diferenciar dos grandes blocos políticos.
O dirigente também defende uma política voltada à transparência na gestão pública, à defesa dos serviços essenciais e à participação popular na formulação de políticas públicas, temas que, segundo ele, serão centrais no programa de governo a ser apresentado em 2026.
Esforço do PSOL pode isolar
A movimentação de Ronaldo Mansur representa um esforço do PSOL em ocupar espaço político após uma década de consolidação como força de oposição no estado. Embora o desempenho de Kleber Rosa em 2024 tenha fortalecido a legenda, o desafio para 2026 será transformar visibilidade em capital eleitoral, especialmente no interior da Bahia, onde o PSOL ainda possui estrutura limitada.
A estratégia de manter independência em relação ao PT pode tanto ampliar a credibilidade junto a eleitores críticos ao governo quanto isolar o partido de potenciais alianças. O resultado dessa equação dependerá da capacidade de Mansur em dialogar com setores descontentes da esquerda e com movimentos sociais autônomos, sem perder coerência ideológica.









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