Nesta sexta-feira (31/10/2025), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou que a bandeira vermelha patamar 1 continuará em vigor no mês de novembro, mantendo o acréscimo de R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. A decisão ocorre diante do baixo volume de chuvas e da consequente redução no nível dos reservatórios das principais usinas hidrelétricas do país, o que exige o acionamento de termelétricas, fontes mais caras de energia.
Em agosto e setembro, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, com tarifa adicional de R$ 7,87 por 100 kWh, enquanto em outubro a Aneel havia reduzido para o patamar 1, após melhora pontual nas condições hidrológicas.
Cenário climático desfavorável e dependência das termelétricas
De acordo com nota da agência reguladora, “o cenário segue desfavorável para a geração hidrelétrica, devido ao volume de chuvas abaixo da média e à redução dos níveis dos reservatórios”. A Aneel destacou ainda que, para garantir o fornecimento de energia, é indispensável o uso de usinas termelétricas, cujo custo de operação é mais elevado, justificando a manutenção da bandeira vermelha.
A agência também ressaltou que a geração solar, embora crescente, ainda é intermitente, pois depende da disponibilidade de luz solar. Assim, quando o sistema não conta com energia fotovoltaica — especialmente durante a noite e nos horários de pico —, há necessidade de acionar as termelétricas para manter o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Como funciona o sistema de bandeiras tarifárias
O sistema de bandeiras tarifárias, criado em 2015, tem como objetivo refletir os custos reais da geração de energia elétrica e promover o uso mais consciente pelos consumidores. As bandeiras são divididas em três níveis:
- Verde: condições favoráveis de geração, sem acréscimo na tarifa.
- Amarela: condições menos favoráveis, com acréscimo moderado.
- Vermelha (patamar 1 e 2): geração mais cara, com custos adicionais crescentes por cada 100 kWh consumidos.
Esses valores são aplicados às contas de luz de residências, comércios e indústrias, servindo como mecanismo de sinalização para o uso racional da energia elétrica.
Impacto para os consumidores e perspectiva para o fim do ano
Com a manutenção da bandeira vermelha, os consumidores devem se preparar para contas mais altas em novembro, especialmente em regiões onde o consumo tende a aumentar com a elevação das temperaturas. A Aneel reforçou que o custo adicional é temporário e dependerá das condições climáticas e do regime de chuvas nos próximos meses, que influenciam diretamente a capacidade dos reservatórios e a necessidade de acionar as termelétricas.
Caso o cenário hidrológico melhore até dezembro, há possibilidade de retorno à bandeira amarela ou verde, o que reduziria o impacto financeiro nas famílias e empresas. Contudo, analistas do setor energético avaliam que o verão de 2025-2026 poderá registrar precipitações abaixo da média, mantendo o quadro de pressão sobre o sistema elétrico.
Custo energético e desafios estruturais do setor elétrico
A decisão da Aneel evidencia a fragilidade estrutural da matriz elétrica brasileira, ainda altamente dependente das hidrelétricas e vulnerável a oscilações climáticas. Apesar do crescimento da energia solar e eólica, a capacidade de armazenamento e integração dessas fontes intermitentes ao sistema nacional ainda é limitada.
O acionamento recorrente de termelétricas — muitas movidas a combustíveis fósseis — eleva o custo da energia e aumenta as emissões de carbono, em contraste com os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil. O desafio para os próximos anos será ampliar os investimentos em infraestrutura de transmissão, armazenamento e diversificação energética, assegurando estabilidade e previsibilidade tarifária para o consumidor.
Principais dados
Decisão da Aneel
- Bandeira tarifária vigente: Vermelha — Patamar 1
- Período de validade: Novembro de 2025
- Valor adicional: R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos
- Data do anúncio: Sexta-feira, 31/10/2025
- Órgão responsável: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
Motivos da manutenção
- Volume de chuvas: Abaixo da média histórica.
- Nível dos reservatórios: Baixo, afetando a geração hidrelétrica.
- Cenário energético: Desfavorável à produção hidrelétrica.
- Medida adotada: Acionamento de usinas termelétricas, mais caras.
- Impacto direto: Elevação do custo de geração e da tarifa final.
Histórico recente das bandeiras
| Mês | Bandeira | Valor adicional (por 100 kWh) |
|---|---|---|
| Agosto/2025 | Vermelha Patamar 2 | R$ 7,87 |
| Setembro/2025 | Vermelha Patamar 2 | R$ 7,87 |
| Outubro/2025 | Vermelha Patamar 1 | R$ 4,46 |
| Novembro/2025 | Vermelha Patamar 1 (mantida) | R$ 4,46 |
Fontes de geração de energia
- Hidrelétrica: Principal fonte da matriz, afetada pela estiagem.
- Solar: Fonte intermitente — não gera energia continuamente.
- Termelétrica: Acionada em períodos de baixa hídrica; custo mais alto.
- Eólica: Participação crescente, porém dependente de ventos regulares.
Impacto ao consumidor
- Custo adicional na conta de luz: R$ 4,46 por cada 100 kWh.
- Regiões mais afetadas: Norte, Nordeste e Centro-Oeste (menor volume de chuvas).
- Setores atingidos: Residencial, comercial e industrial.
- Tendência: Manutenção de preços altos até a normalização dos reservatórios.
Sistema de bandeiras tarifárias (desde 2015)
- Bandeira verde: Sem custo adicional.
- Bandeira amarela: Custo intermediário — indica leve encarecimento da geração.
- Bandeira vermelha patamar 1: Custo elevado — geração com usinas mais caras.
- Bandeira vermelha patamar 2: Custo muito alto — uso intensivo de termelétricas.
Desafios
- Dependência hidrelétrica: Principal vulnerabilidade estrutural do sistema elétrico.
- Uso de termelétricas: Aumenta custos e emissões de carbono.
- Crescimento das renováveis: Solar e eólica em expansão, mas ainda instáveis.
- Desafio estratégico: Investir em armazenamento e transmissão de energia limpa.
- Meta nacional: Reduzir a volatilidade tarifária e ampliar a segurança energética.
Perspectiva para o fim de 2025
- Possível mudança da bandeira: Somente se o regime de chuvas melhorar.
- Risco de prolongamento da bandeira vermelha: Alto, segundo analistas do setor.
- Fatores determinantes: Clima, nível dos reservatórios e custo do acionamento térmico.











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