A Bahia formalizou um avanço relevante na política industrial de saúde ao confirmar a produção de quatro biomedicamentos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), com fabricação conduzida pela Bahiafarma. O anúncio ocorreu na reunião do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (GECEIS), realizada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com participação do governador Jerônimo Rodrigues. O estado amplia sua atuação em um dos setores mais sensíveis da política pública: o domínio tecnológico e produtivo de medicamentos de alta complexidade.
Durante o encontro, o Ministério da Saúde homologou os resultados da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), aprovando projetos que permitirão ao estado integrar a cadeia nacional de biotecnologia. “Esse investimento do Governo Federal atrai a indústria farmacêutica e fortalece a produção de medicamentos aqui na Bahia”, afirmou o governador, ao reforçar que a medida reduz custos, amplia a autonomia e fortalece o abastecimento do SUS com produção 100% nacional.
O conjunto de medicamentos anunciados cobre áreas críticas do tratamento de câncer e doenças raras. A Bahiafarma passará a produzir: Bevacizumabe, utilizado em terapias oncológicas e oftalmológicas; Eculizumabe, aplicado em Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), enfermidade rara e de alto custo; Nivolumabe, indicado para melanoma avançado e câncer de pulmão; e Pertuzumabe, essencial no tratamento do câncer de mama inicial e metastático.
Bahia se projeta como novo polo de biotecnologia no país
A secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, destacou que a aprovação consolida o estado como referência na expansão do complexo industrial da saúde.
“Os biológicos representam o ápice da tecnologia farmacêutica atual. A Bahia desponta em inovação, pesquisa e produção”, afirmou.
Para ela, o ingresso na PDP permitirá reduzir custos de importação e ampliar o acesso dos pacientes a terapias avançadas.
O GECEIS destacou que a aprovação integra a estratégia de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), que desde 2024 inclui a Bahiafarma como uma das instituições prioritárias. Naquele ano, a Fundação apresentou 18 projetos, sendo 15 ao Programa de PDP e três ao PDIL, movimento que reposicionou a Bahia no mapa nacional da biotecnologia.
A decisão anunciada nesta segunda representa o desfecho de um processo técnico que revisa capacidades produtivas, metas de inovação e mecanismos de descentralização tecnológica para o Nordeste. A Bahiafarma, após superar dificuldades institucionais e financeiras de anos anteriores, passa agora a atuar em linha com os critérios nacionais de produção de medicamentos estratégicos.
Parceria com a Bionovis acelera implementação dos novos biomedicamentos
Na parte da tarde, o governador Jerônimo Rodrigues, acompanhado da secretária Roberta Santana e da presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes, visitou as instalações da Bionovis, empresa de referência nacional em produção de biomedicamentos. A visita marcou o início oficial da cooperação técnica entre as instituições, assinada nesta mesma segunda-feira (24/11/2025).
A parceria prevê transferência de tecnologia, alinhamento de protocolos industriais e a construção, na Bahia, de uma planta reduzida baseada nos padrões da Bionovis. Esse arranjo permitirá iniciar a produção local dos quatro biológicos aprovados e acelerar o ciclo de implantação, reduzindo o tempo até que os medicamentos cheguem ao SUS.
“Nosso objetivo é consolidar a Bahiafarma entre os cinco maiores laboratórios públicos do Brasil”, afirmou Ceuci Nunes.
O presidente da Bionovis, Odnir Finotti, destacou que a descentralização produtiva representa ganho estratégico — reduz a dependência externa, melhora a segurança sanitária e amplia a oferta nacional de medicamentos de alta complexidade.
Relevância estratégica, desafios produtivos e impacto nacional
A decisão de incluir a Bahia no núcleo produtivo da biotecnologia reafirma o movimento de reindustrialização do setor de saúde no país. O estado passa a integrar uma agenda de autonomia científica e produtiva que há décadas figura entre as prioridades estratégicas do Brasil. A PDP, nesse contexto, representa um instrumento crucial para reduzir importações, aumentar a capacidade nacional e garantir acesso equitativo a tratamentos avançados.
Os desafios, contudo, permanecem significativos. Laboratórios de biológicos exigem infraestrutura de alto padrão, certificações internacionais, cadeia logística controlada e equipes altamente especializadas. A sustentabilidade dos projetos dependerá de investimentos constantes, estabilidade regulatória e contratos de longo prazo com o Ministério da Saúde.
A parceria com a Bionovis é um movimento acertado e fortalece a capacidade técnica da Bahiafarma. Entretanto, o desempenho real dependerá da habilidade do estado de executar em escala, garantir eficiência industrial e competir em um mercado dominado por grandes players internacionais. O anúncio é promissor; a consolidação, porém, dependerá da entrega.











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