A quarta-feira (26/11/2025) marcou o início oficial da contagem regressiva para os Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026, com o acendimento da chama olímpica no Templo de Hera, em Olímpia, na Grécia. A cerimônia, realizada tradicionalmente sob céu aberto, foi adaptada devido ao alerta de mau tempo no sítio arqueológico. Logo após o ato simbólico, teve início o revezamento que seguirá até Roma em 4 de dezembro, antes de percorrer a Itália por 63 dias.
Apesar do formato reduzido, a solenidade preservou o protocolo histórico que conecta os Jogos da Antiguidade ao movimento olímpico moderno. A nova presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, participou pela primeira vez do ritual e destacou a mensagem de união e paz que acompanha a chama olímpica em um contexto global marcado por conflitos.
Coventry, emocionada durante o discurso, afirmou que os Jogos representam a reunião entre nações em um ambiente de competição pacífica, reforçando a simbologia do evento multiesportivo. O presidente do comitê organizador dos Jogos de Milão-Cortina, Giovanni Malagò, também ressaltou a expectativa para a competição, que terá início em 6 de fevereiro de 2026.
Acendimento, rito e início do revezamento
Assim como ocorreu antes dos Jogos de Paris 2024, a atriz grega Mary Mina conduziu o acendimento simbólico e entregou a tocha ao primeiro condutor, seguindo a tradição das “sacerdotisas” vestidas com trajes inspirados na Grécia Antiga. O percurso inicial foi iniciado pelo atleta grego Petros Gaidatzis, medalhista de bronze no remo em Paris 2024.
Gaidatzis repassou a tocha à italiana Stefania Belmondo, bicampeã olímpica no esqui cross-country, que avançou até o encontro com Armin Zöggeler, bicampeão olímpico de luge. A sequência dos condutores simbolizou a integração entre diferentes gerações e modalidades de esportes de inverno.
A cerimônia ocorreu próxima às ruínas do Templo de Hera, local onde tradicionalmente um espelho côncavo concentra a luz solar para gerar a chama olímpica. Devido à previsão de chuva, o acendimento alternativo foi utilizado, mantendo o respeito ao ritual histórico do movimento olímpico.
Revezamento na Itália e percurso de 12 mil quilômetros
Na Itália, o revezamento começará oficialmente em 6 de dezembro, tendo Roma como ponto inicial. A chama será conduzida por 10.001 portadores, cruzando o país em um trajeto de 12 mil quilômetros ao longo de 63 dias. O percurso inclui cidades e locais emblemáticos como Siena, Pompeia e Veneza, reforçando o caráter cultural do revezamento.
A chama chegará a Cortina d’Ampezzo em 26 de janeiro, uma das sedes da competição, antes de seguir para Milão, onde ocorrerá a cerimônia de abertura no estádio San Siro, em 6 de fevereiro. Os Jogos marcam o retorno da competição aos Alpes, região que integra a origem histórica dos esportes de inverno.
Como tradição, o evento em Olímpia foi realizado próximo ao estádio onde atletas disputaram as primeiras competições da Antiguidade, no século VIII a.C. O santuário, dedicado ao deus Zeus, preserva ruínas e memória histórica atravessadas por inundações e terremotos ao longo dos séculos.
Expectativa brasileira para os Jogos de 2026
O Brasil vive uma fase de projeção inédita no cenário dos esportes de inverno. O brasileiro-norueguês Lucas Pinheiro Braathen conquistou, em 16 de novembro, o primeiro ouro brasileiro na Copa do Mundo de Esqui Alpino, após vitória na etapa de Levi, na Finlândia. O resultado reacendeu a expectativa para a participação nacional nos Jogos de 2026.
Aos 25 anos, Braathen acumula seis vitórias na carreira e celebra sua primeira conquista desde que passou a competir pelo Brasil, país de sua mãe. A performance recente mantém o atleta entre os principais nomes da modalidade, ampliando as projeções sobre uma possível conquista inédita para o país em competições olímpicas de inverno.
*Com informações da RFI.











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