A segunda semana de negociações da COP30 começou nesta segunda-feira (17/11/2025), com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, defendendo ações imediatas para a implementação do Acordo de Paris durante a abertura do segmento de alto nível da conferência. A fala ocorreu em plenária que reuniu representantes de cerca de 160 países, marcando o início da fase política das discussões climáticas.
Alckmin cobra implementação e reforça metas brasileiras
Durante seu discurso, Alckmin afirmou que “o tempo das promessas já passou”, enfatizando que cada elevação na temperatura global representa maior risco climático e social. Ele destacou que a COP30 deve inaugurar uma década voltada à execução dos compromissos assumidos pelos países.
A participação do vice-presidente marcou o oitavo dia da conferência, reforçando metas brasileiras como zerar o desmatamento ilegal até 2030 e manter a redução de 50% do desmatamento já atingida. Alckmin reafirmou também o avanço do país na transição energética justa.
O vice-presidente declarou que as decisões tomadas nesta etapa devem garantir justiça climática, sustentabilidade ambiental e preservação das condições de vida para as próximas gerações.
Transição energética e ações brasileiras
Alckmin afirmou que o Brasil chega à COP30 com estágio avançado em energia limpa, citando a matriz energética renovável e a liderança em biocombustíveis e bioenergia. Ele destacou medidas recentes, como o aumento para 30% de etanol na gasolina e para 15% de biodiesel no diesel, adotadas pelo governo federal ao longo do ano.
O vice-presidente listou iniciativas voltadas à expansão da energia renovável, à inovação tecnológica e ao fortalecimento da economia verde, temas considerados prioritários pelo governo brasileiro.
Como exemplo de mobilização financeira, Alckmin mencionou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que mobiliza recursos internacionais para políticas de preservação e inclusão social, em alinhamento com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira.
Dez anos do Acordo de Paris
As discussões desta semana ocorrem no contexto dos dez anos do Acordo de Paris, marco citado por autoridades internacionais. Annalena Baerbock, presidente da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, afirmou que a transição global dos combustíveis fósseis para fontes renováveis tornou-se mais concreta, representando 90% das novas instalações de energia em (2024).
O secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, declarou que mais de US$ 2,2 trilhões foram destinados à energia renovável no último ano, ressaltando que a COP30 demonstra o papel decisivo da cooperação internacional para avanços climáticos reais.
Stiell afirmou que as negociações da primeira semana já evidenciam alinhamento global de que o Acordo de Paris permanece como ferramenta central na resposta à crise climática.
Agenda estratégica do Brasil
O governo brasileiro apresentou na COP30 uma agenda estratégica voltada à aceleração da transição energética, ao fortalecimento da bioeconomia e ao avanço da cooperação internacional. Entre as ações destacadas estão as metas para ampliar a participação de renováveis, o Compromisso de Belém para combustíveis sustentáveis e a formação de uma coalizão global de mercados de carbono.
Na esfera internacional, o Brasil tem defendido metas climáticas compatíveis com a limitação do aquecimento global a 1,5°C e um modelo mais equilibrado de financiamento climático.
A expectativa do governo é que a COP30 consolide iniciativas que influenciem a expansão da energia limpa, o combate ao desmatamento e a implementação efetiva dos acordos climáticos.
Descarbonização industrial
Também nesta segunda-feira (17/11/2025), Alckmin participou do lançamento da consulta pública da Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI). A iniciativa busca utilizar a descarbonização como motor do desenvolvimento econômico, com foco na neutralidade climática até 2050.
A consulta pública está disponível na plataforma Brasil Participativo e seguirá aberta até (17/01/2026).
Segundo o vice-presidente, a ENDI está alinhada à Nova Indústria Brasil (NIB) e se baseia em três objetivos:
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ampliar o potencial brasileiro em emissões industriais mais limpas;
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acelerar a substituição de insumos intensivos em carbono;
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estruturar cadeias industriais verdes.
Alckmin afirmou que a estratégia contribuirá para a competitividade da indústria nacional em um cenário global que exige baixas emissões, reforçando o posicionamento do Brasil na liderança climática.










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