O artigo “Atraso, corrupção e criminalidade”, assinado pelo escritor e empresário Joaci Góes e publicado nesta quinta-feira (13/11/2025) na Tribuna da Bahia, levanta um conjunto de críticas contundentes ao Governo Federal, às instituições do sistema de justiça e à condução das políticas de segurança pública no país. A análise combina dados, argumentação política e referências a episódios recentes, compondo um diagnóstico de crise institucional e avanço do crime organizado.
O texto publicado por Joaci Góes afirma que estaria em curso no Brasil uma “aliança explícita entre o atual governo e a criminalidade”, amparada por dados do Ministério da Justiça e da Polícia Federal que estimam entre 53 e 74 milhões de brasileiros vinculados direta ou indiretamente ao crime organizado. O autor alega que esse número representaria “quase uma Alemanha inteira”.
Segundo Góes, tal contingente teria se transformado em ativo político relevante, especialmente após o resultado das eleições de 2022. Ele sustenta que 82% dos votos da população carcerária teriam sido destinados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva — número que, multiplicado pela influência sobre familiares, teria excedido a vantagem final registrada nas urnas.
O articulista afirma que erros acumulados do governo levaram eleitores insatisfeitos a migrar para posições liberais e democráticas tradicionais, motivando o governo a buscar novas bases de apoio em segmentos marginalizados.
Críticas ao STF e apontamentos sobre fragilidade institucional em convergência entre Executivo e a Corte
Joaci Góes dedica parte significativa do artigo a críticas ao Supremo Tribunal Federal. Ele menciona a anulação das condenações de Lula, chamando o processo de “descondenação pelo argumento de incompetência de foro”. Para o autor, esse episódio simbolizaria uma deterioração institucional que contribuiu para a perda de credibilidade internacional do país.
Em trecho destacado, Góes afirma:
“O Brasil vem titubeando, de crise em crise, perdendo credibilidade, a ponto de tornar-se um pária internacional.”
A comparação com a Colômbia no período de ascensão de Pablo Escobar é usada como metáfora para alertar sobre riscos de deterioração moral e institucional.
Segurança pública e o confronto no Rio de Janeiro
Operação de Cláudio Castro e repercussão nacional
O artigo analisa a ofensiva do governador Cláudio Castro no Rio de Janeiro para retomar áreas controladas por facções criminosas. A operação, segundo Góes, resultou na morte de quatro policiais e na neutralização de mais de cem criminosos.
O autor sustenta que a reação do Governo Federal teria sido desproporcional à gravidade da crise, sugerindo tentativa de “enquadrar o governador” e ampliar o poder da União sobre operações estaduais de combate ao crime.
Audiências de custódia e legislação penal
Outro ponto abordado por Góes é a suposta reincidência criminal facilitada por audiências de custódia, que ele caracteriza como “pantomima para iludir a opinião pública”. Na argumentação apresentada, o modelo atual permitiria a soltura imediata de reincidentes, contribuindo para a sensação de impunidade.
Debate sobre legislação antiterrorismo e o avanço do Relatório Derrite
O texto também analisa as discussões sobre o projeto legislativo que equipara o crime organizado ao terrorismo. Góes critica a resistência do Executivo à proposta e afirma que isso reforçaria a percepção de leniência com facções.
Ainda assim, destaca o avanço do Relatório Derrite, elaborado pelo deputado federal Guilherme Muraro Derrite (PL-SP), que cria mecanismos mais rígidos para punir organizações criminosas. Ele menciona que pesquisas de opinião mostram maioria significativa da população favorável à equiparação.
Narrativas políticas, tensões e disputas entre Poderes
Góes relaciona o discurso recente do presidente Lula na Assembleia-Geral da ONU, no qual o chefe do Executivo criticou propostas internas de combate ao crime organizado. Para o autor, a postura reforçaria a narrativa de alinhamento entre governo e setores criminosos.
O artigo aponta ainda que o desgaste das políticas de segurança pública teria provocado deslocamento de parte do eleitorado lulista, gerando instabilidade política e abrindo espaço para debates sobre recomposição de base e estratégias eleitorais para 2026.











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