A reflexão do escritor e jurista Joaci Góes, publicada nesta quinta-feira (27/11/2025), examina a queda da relevância diplomática do Brasil, o isolamento internacional do governo Lula, o aprofundamento da crise institucional e a associação crescente entre decisões políticas e avanço do crime organizado, interpretando esses fenômenos como resultado de uma busca de popularidade sustentada por práticas consideradas imorais.
As observações de Joaci Góes partem da máxima do professor Álvaro Rocha, de que “é imoral a busca de popularidade à base de imoralidade”, tese usada como eixo para analisar a conjuntura brasileira. O autor descreve que o país, apesar de suas vastas riquezas e potencial histórico, enfrenta um declínio acelerado de prestígio global. Segundo ele, esse movimento é consequência direta de escolhas políticas que minam a credibilidade do Brasil na esfera internacional.
Joaci argumenta que a reputação construída por figuras clássicas da diplomacia brasileira — Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e o Barão do Rio Branco — encontra-se comprometida. As referências históricas funcionam como contraponto para ressaltar a percepção atual de isolamento, exemplificada pelo insucesso diplomático na Conferência do Clima em Belém do Pará, pela perda de influência regional e por tensões internas e externas no âmbito dos BRICS.
A crítica atribui parte desse desgaste ao comportamento do presidente Lula, apontado como alinhado a projetos geopolíticos considerados autoritários de China e Rússia, movimento interpretado pelo autor como fonte de desconfiança internacional e de ruído nas relações estratégicas do país.
Relação com o Judiciário e denúncias internacionais
Outro eixo central da análise é a suposta aliança política entre o Executivo e ministros do Supremo Tribunal Federal, retratada como uma cooperação que fragiliza o equilíbrio institucional. Joaci menciona que essa relação seria usada para controlar agendas e proteger interesses políticos, alimentando um ambiente de desconfiança e tensões entre poderes.
O artigo também destaca que denúncias de crimes contra a humanidade, supostamente atribuídas a ações governamentais e analisadas por instituições internacionais, têm ampliado a percepção negativa sobre o país. Essa exposição reforça o argumento de que a política externa e interna está gerando efeitos deletérios sobre a imagem brasileira, aproximando-a do papel de “pária internacional”.
As críticas incluem ainda o impacto dessas condutas na opinião pública, com pesquisas recentes indicando desgaste político e perda de apoio de segmentos antes alinhados ao governo, sinalizando um ciclo de esgotamento típico de administrações em declínio.
Crime organizado, segurança pública e disputa pelo Legislativo
Em um terceiro bloco, Joaci aborda o que considera ser o mais grave desdobramento do atual momento político: a relação entre o governo e o crime organizado. O autor cita discursos e posicionamentos recentes — inclusive na Assembleia Geral da ONU — como evidências de flexibilização conceitual sobre terrorismo e tráfico, interpretando tais gestos como tentativa de alterar parâmetros legais sensíveis.
Ele menciona ainda episódios envolvendo a pauta legislativa da Câmara dos Deputados, atribuindo ao presidente da Casa, Hugo Motta, a condução de uma reação institucional que teria impedido iniciativas consideradas prejudiciais ao combate às facções criminosas. A relatoria do PL Anti-Facção, atribuída ao deputado Guilherme Derrite, é citada como exemplo de resistência.
Esses elementos compõem o quadro mais amplo de uma disputa política que, segundo Joaci, revela fissuras internas, abandono de aliados e crescente rejeição popular diante da associação entre políticas públicas, segurança e controvérsias envolvendo criminalidade organizada.











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