Deputado Dal Barreto nega relação com a Refit e refuta suspeitas da Operação Overclean após nome aparecer em anotações da PF

Sábado, 29/11/2025 — Uma imagem apreendida pela Polícia Federal durante a Operação Poço de Lobato revelou o nome do deputado federal Adalberto Rosa Barreto, conhecido como Dal Barreto (União Brasil-BA), escrito em uma janela do escritório da Refit, refinaria investigada por movimentações bilionárias, uso de offshores e suposto mapeamento de autoridades. Embora não seja investigado nesta operação, o parlamentar tornou-se personagem relevante em razão da anotação, cuja origem e finalidade ainda são apuradas pela PF.

Paralelamente, Dal Barreto é alvo da Operação Overclean, deflagrada em 14 de outubro de 2025 na Bahia, que apura desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e irregularidades no uso de emendas parlamentares. Alvo de mandados, apreensão de bens e quebra de sigilo, o deputado nega qualquer irregularidade, afirma não ter relação com a Refit e divulgou nota oficial reafirmando confiança nas instituições e disposição para colaborar integralmente com as autoridades.

Nome de Dal Barreto aparece em escritório da Refit, e PF investiga o motivo

Anotações internas citam pessoas, empresas e órgãos públicos; refinaria é uma das maiores devedoras da União

Uma imagem apreendida pela Polícia Federal na Operação Poço de Lobato mostra o nome de Dal Barreto escrito em uma das janelas de vidro do escritório da Refit, no Rio de Janeiro. A refinaria — antiga Manguinhos — é uma das maiores devedoras da União e dos estados, e segundo a Receita Federal, movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano por meio de estruturas empresariais próprias e offshores.

A PF ainda não identificou a razão exata das anotações. A principal hipótese é de que ele tenha sido classificado como concorrente no mercado de combustíveis, já que é proprietário de posto no Nordeste, área em que o empresário Ricardo Magro buscava expandir operações.

As anotações apreendidas incluem tópicos como “mapeamento do Judiciário”, “mapeamento das Procuradorias estaduais”, “mapeamento dos portos”, além de listas de pessoas e empresas.

Deputado nega qualquer vínculo com a Refit

Ao g1, Dal Barreto declarou:

“Eu não conheço ninguém que tenha relação com a Refit. Nunca fiz negócio com essa empresa. Eu só compro combustível das distribuidoras, quase sempre da Shell, por contrato.”

Também negou conhecer Ricardo Magro:

“Pessoalmente, nunca tive contato com qualquer integrante da empresa.”

Operação Overclean: deputado foi alvo de mandados e teve bens apreendidos

Investigação apura organização criminosa, desvio de recursos e lavagem de dinheiro

Embora não seja alvo da operação envolvendo a Refit, Dal Barreto é investigado em outra frente: a sexta fase da Operação Overclean, deflagrada pela PF na Bahia.

Nesta investigação:

  • agentes apreenderam seu celular no Aeroporto Internacional de Salvador;
  • foram cumpridos mandados em um posto de combustíveis e em um imóvel de alto padrão em Amargosa;
  • veículos de luxo foram recolhidos.

A operação mira um esquema de desvio de emendas parlamentares, fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro. O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, autorizou esta fase da investigação.

O deputado declarou ao TSE possuir aproximadamente R$ 7,3 milhões em bens, incluindo helicóptero, imóveis, fazendas e empresas.

Nota emitida pelo deputado

“O Deputado Federal Dal Barreto (Adalberto Rosa Barreto) vem a público manifestar-se sobre a operação da Polícia Federal, realizada em 14 de outubro de 2025, conforme veiculado pelos meios de comunicação.

Esclareço, por oportuno, que não tive acesso ao inquérito policial, apenas ao mandado de busca e apreensão, não tendo, portanto, conhecimento acerca dos fatos investigados.
Dessa forma, coloco-me à inteira disposição da Polícia Federal para colaborar com as investigações e prestar os devidos esclarecimentos, sempre que solicitado, agindo com transparência e respeito às instituições.

Reitero, igualmente, minha plena confiança nas instituições brasileiras e que, tão logo seja possível, todos os pontos serão devidamente esclarecidos, seja por meio do meu depoimento às autoridades competentes ou por intermédio da defesa técnica devidamente constituída nos autos do inquérito, pois tenho certeza da conduta proba, republicana e dentro da legalidade que sempre tratei com os recursos públicos, logo a minha completa inocência será amplamente demonstrada.

Reafirmo, ainda, meu compromisso com o povo baiano, com a verdade e com a legalidade, confiando que a apuração será conduzida de forma isenta, técnica e respeitosa.

Salvador (BA), 14 de outubro de 2025

Deputado Federal Dal Barreto.

Trajetória política e perfil do parlamentar

Dal Barreto iniciou sua carreira em 2008, ao disputar a Prefeitura de Amargosa. Tornou-se posteriormente deputado estadual e, em 2022, conquistou seu primeiro mandato federal.

Em votações recentes, apoiou:

  • a soltura de Chiquinho Brazão, investigado pelo assassinato de Marielle Franco;
  • a PEC 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem, que dificulta prisões e processos contra parlamentares.

A Operação Poço de Lobato e o Caso de Sonegação Fiscal do Grupo Refit

Justiça bloqueia R$ 10,2 bilhões do Grupo Refit em investigação sobre megaesquema de sonegação

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10,2 bilhões em bens do Grupo Refit, classificado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz do país, acumulando mais de R$ 26 bilhões em tributos não pagos. A decisão ocorre no âmbito da Operação Poço de Lobato, deflagrada em 27 de novembro, que investiga um dos mais complexos e volumosos esquemas de sonegação do setor de combustíveis. Entre os ativos congelados estão imóveis, veículos e participações empresariais, após a PGFN e o Cira demonstrarem à Justiça a existência de um sofisticado sistema de blindagem patrimonial.

De acordo com as investigações, a Refit estruturou uma rede financeira capaz de movimentar mais de R$ 70 bilhões em um ano, utilizando fundos de investimento, contas no exterior e offshores registradas em Delaware, nos Estados Unidos. Essa engenharia financeira permitia anonimato e dificultava a identificação dos beneficiários finais. O grupo também recorria a empresas interpostas para importar combustíveis, operação que superou R$ 32 bilhões entre 2020 e 2025, além de envolver refinarias, formuladoras e postos em práticas reiteradas de sonegação e adulteração, já alvo de autuações e interdições da ANP.

As autoridades apontam ainda o uso de fundos fechados com um único cotista para reinvestir recursos ilícitos e criar novas camadas de ocultação patrimonial, acumulando R$ 8 bilhões em patrimônio líquido. Há indícios de colaboração de administradoras financeiras que teriam omitido informações obrigatórias. Em nota, o Grupo Refit negou irregularidades, afirmou que as cobranças são objeto de disputa judicial legítima e declarou que todos os tributos estão devidamente declarados, atribuindo as investigações à influência de um suposto “cartel das distribuidoras”.

A interseção entre competição comercial e investigações federais

A presença do nome de Dal Barreto em anotações internas da Refit revela o ambiente competitivo do setor de combustíveis e a amplitude dos mapeamentos realizados pela refinaria. Embora não haja indícios formais de sua participação, o episódio expõe a fragilidade das fronteiras entre competição empresarial, lobby privado e investigações criminais.

A Operação Overclean, por sua vez, insere o parlamentar no centro de uma apuração sensível envolvendo uso de emendas e verbas públicas. Sua nota oficial, publicada de forma imediata, adota tom institucional, reforçando cooperação e confiança nas instituições — movimento comum entre investigados que buscam preservar capital político.

A conclusão das investigações da PF será determinante para definir o impacto dessas citações na trajetória política do deputado e na percepção pública sobre as práticas do setor de combustíveis no país.

*Com informações do G1 e Estadão.

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