Documentário sobre as Filhas de Gandhy destaca legado cultural e resistência na véspera da Consciência Negra

A estreia do primeiro documentário do Afoxé Filhas de Gandhy será realizada em Salvador na quarta-feira (19/11/2025), véspera do Dia da Consciência Negra (20/11), apresentando ao público convidado uma produção dedicada a registrar a trajetória do bloco feminino criado em 1979. A exibição ocorrerá no Museu Eugênio Teixeira Leal como parte do projeto Sons da Independência.

O filme, com trinta minutos de duração, reúne imagens de arquivo, depoimentos das fundadoras, lideranças atuais e jovens integrantes. A pesquisa e as gravações foram realizadas ao longo de quatro meses, resultando em um material destinado a preservar e fortalecer a memória institucional das Filhas de Gandhy. A produção é assinada pela João de Barro Filmes.

Linha histórica e desafios enfrentados pelo bloco

A estrutura do documentário destaca os principais marcos das Filhas de Gandhy desde a criação do bloco. Fundado por mulheres que buscavam espaço dentro de um ambiente majoritariamente masculino, o grupo se consolidou no Carnaval de Salvador por meio da atuação contínua e da vinculação à tradição do afoxé.

A narrativa apresenta os desafios relacionados ao preconceito estrutural, ressaltando como o bloco manteve sua atuação ao longo de quase cinco décadas por meio de organização interna, identidade coletiva e permanência cultural. O filme aborda ainda os esforços de preservação de acervos, rituais, músicas e vestimentas.

Conexão com o Dia da Consciência Negra

Silvana Magda, uma das gestoras, afirma que o lançamento próximo ao Dia da Consciência Negra reforça a dimensão histórica do projeto. Segundo ela, o registro audiovisual atende ao objetivo de documentação, transmissão de saberes e valorização do legado feminino dentro da tradição do afoxé.

Para Silvana, o filme funciona como instrumento de reconhecimento e memória, revelando a estrutura social que sustentou o bloco desde (1979). Ela destaca que registrar a atuação das mulheres que compõem o grupo contribui para ampliar a compreensão sobre resistência, fé, identidade e ancestralidade no cenário cultural baiano.

Próximas etapas do projeto

Após a estreia, o grupo iniciará ações de difusão educativa, com a proposta de levar o documentário a escolas, centros culturais e comunidades. Outra frente será a digitalização e catalogação do acervo histórico do bloco, que reúne documentos, registros fotográficos, figurinos e materiais guardados ao longo de décadas.

Apoio institucional

O projeto Sons da Independência foi contemplado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia. Conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.


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