O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) concedeu, na noite de quarta-feira (05/11/2025), a Medalha do Mérito Jurídico Ruy Barbosa ao advogado, escritor e ex-deputado constituinte Joaci Fonseca de Góes, em reconhecimento à sua destacada contribuição à vida pública, à cultura nacional e ao pensamento jurídico e filosófico brasileiro.
Figura de ampla atuação intelectual, Joaci Góes tem trajetória marcada pelo compromisso com a ética, o humanismo e a defesa dos valores democráticos. Casado com Lídice Ferraz de Góes, é pai de Alex e Joaci Filho, e avô de Daniel e Maria Eduarda com quem compartilha o legado familiar de dedicação à educação e ao serviço público.
A cerimônia ocorreu no Auditório Desembargadora Olny Silva, na sede do TJBA, em Salvador, e reuniu autoridades do Poder Judiciário, acadêmicos, jornalistas e empresários. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do Poder Judiciário da Bahia no YouTube, reafirmando o compromisso da Corte com a difusão da memória jurídica e cultural da Bahia.
Ruy Barbosa como símbolo da razão pública e da moral nacional
Realizada na data que marca o 176º aniversário de nascimento de Ruy Barbosa (1849–1923), a solenidade reafirmou o papel do jurista baiano como símbolo da razão pública, da defesa das liberdades e da integridade moral. Em seu discurso, Joaci Góes fez uma reflexão sobre a atualidade do pensamento de Ruy e a importância de sua obra para a formação ética da nação.
“Li muito da obra de Ruy Barbosa e consolidei a convicção de que ele foi o maior brasileiro de todos os tempos. Seu pensamento permanece gritantemente atual, e o Brasil teria o direito de indicá-lo entre os dez homens mais notáveis da humanidade”, afirmou.
A escolha de Ruy como patrono da principal honraria do TJBA expressa uma visão de continuidade histórica: a de que a justiça e o conhecimento são pilares de uma sociedade civilizada e independente.
Presenças e discursos destacam a relevância da homenagem
Entre as autoridades presentes estavam o ministro Kassio Nunes Marques (STF), a presidente do TJBA, desembargadora Cynthia Maria Pina Resende, o presidente da Comissão de Memória, desembargador Cássio Miranda, o diretor-geral da Universidade Corporativa Ministro Hermes Lima (Unicorp-TJBA), desembargador Jatahy Júnior, e o ouvidor judicial, desembargador Lidivaldo Reaiche, o jornalista, cientista social e diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, acompanhado do advogado Paulo de Tarso, diretor jurídico Jornal Grande Bahia.
Em pronunciamento, Nunes Marques destacou a trajetória multifacetada de Joaci Góes:
“Joaci é a síntese do homem público que construiu, legislou e interpretou o legado de seu povo. Sua vida é exemplo de serviço, cultura e compromisso com o bem comum.”
A desembargadora Cynthia Resende, ao abrir a cerimônia, ressaltou o simbolismo da data e a necessidade de celebrar figuras que mantêm viva a tradição do pensamento jurídico nacional.
“Homenagear Joaci Góes é reconhecer a força da cultura e da ética pública como fundamentos da democracia e da Justiça”, declarou.
A trajetória de um intelectual público baiano
Nascido em Ipirá, no sertão da Bahia, em 25 de agosto de 1938, Joaci Góes representa a geração de intelectuais que conciliaram o pensamento humanista com a ação pública. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1963, iniciou a carreira no setor privado antes de ingressar na política.
Como deputado federal constituinte (1987–1991), participou ativamente dos debates da Assembleia Nacional Constituinte, integrando comissões dedicadas à educação, comunicação, ciência e tecnologia. Foi vice-líder do PMDB e depois filiou-se ao PSDB, mantendo ao longo da carreira um perfil conciliador, liberal e reformista.
Paralelamente à vida pública, consolidou-se como empresário e comunicador. Dirigiu o jornal Tribuna da Bahia por 27 anos, foi coproprietário da Rádio e TV Aratu e fundou a Construtora Góes-Cohabita, empresa atuante nos setores de infraestrutura, habitação e energia.
Um pensador comprometido com a formação ética e educacional
Além da carreira política e empresarial, Joaci Góes destacou-se como educador e conferencista, com participações em congressos e palestras sobre ética, cidadania e desenvolvimento humano. É autor de obras de ensaio e reflexão moral, entre elas A inveja nossa de cada dia e como lidar com ela (2001), Anatomia do ódio (2004) e A força da vocação para o desenvolvimento das pessoas e dos povos (2009).
Fundador das Faculdades do Descobrimento (FACDESCO), em Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, atuou para expandir o ensino superior no interior da Bahia. Em paralelo, mantém colaboração com projetos sociais, sendo consultor educacional das Obras Sociais Irmã Dulce, além de articulista e comentarista em veículos de comunicação de grande alcance.
Reconhecimento acadêmico e cultural
Atualmente, Joaci Góes preside o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), uma das instituições mais tradicionais do país, fundada em 1894. Também é membro da Academia de Letras da Bahia, onde ocupa a cadeira nº 7, cujo patrono é o Visconde de Cairu, símbolo do pensamento econômico e ilustrado da Independência.
É ainda membro efetivo da Academia Baiana de Educação e da Academia de Letras e Artes do Salvador, instituições que representam o núcleo intelectual da Bahia contemporânea. Em todas elas, Joaci tem se dedicado à preservação da memória histórica, à valorização da língua portuguesa e à defesa da ética pública como base da formação cívica.
A importância simbólica da Medalha Ruy Barbosa
A Medalha do Mérito Jurídico Ruy Barbosa foi instituída pela Resolução nº 04/1999 e atualizada pela Resolução nº 30/2024, no contexto das comemorações dos 150 anos do nascimento de Ruy. A cada ano, o Tribunal de Justiça da Bahia escolhe uma personalidade que se destaca pelo pensamento jurídico, pela vida pública exemplar e pela contribuição à cultura nacional.
Em 2025, a escolha de Joaci Góes reafirma a vocação do Judiciário baiano para a valorização das figuras que unem conhecimento, moral e serviço público — uma tríade rara na história recente do país.
O papel da Comissão de Memória do TJBA
A Comissão Permanente de Gestão da Memória e o Fórum Permanente de Memória do Tribunal de Justiça da Bahia têm desempenhado papel fundamental na preservação da história institucional da Justiça baiana. Sob a liderança do Desembargador Cássio Miranda, o grupo promove atividades culturais, exposições e publicações voltadas à valorização de figuras notáveis como Ruy Barbosa e Teixeira de Freitas.
Segundo Miranda, “a memória é o fundamento da legitimidade. Reconhecer figuras como Joaci Góes é reafirmar a importância do saber e da integridade na construção da Justiça”.
Cultura jurídica e cidadania: a herança de Ruy Barbosa
A celebração do nascimento de Ruy Barbosa, articulada com a homenagem a Joaci Góes, reforça a interligação entre direito, cultura e cidadania. Em tempos de crise ética e descrédito nas instituições, o evento do TJBA simboliza o esforço de reafirmar valores universais como a liberdade, a responsabilidade e o mérito — princípios caros à tradição republicana brasileira.
Ruy Barbosa, cuja biografia confunde-se com a história da formação do Estado moderno no Brasil, foi o paradigma do homem público guiado pela razão e pela moral. Ao associar seu nome à medalha, o TJBA transforma cada outorga em um ato de transmissão de valores e memória.
Um intelectual do diálogo entre gerações
A trajetória de Joaci Góes sintetiza um ideal de intelectual comprometido com a nação e com o diálogo entre gerações. Sua atuação pública e acadêmica reflete o esforço de preservar o passado sem abdicar do debate contemporâneo sobre democracia, desenvolvimento e cultura.
Em um cenário nacional marcado por polarizações e desinformação, sua voz permanece como um ponto de equilíbrio — defendendo o pensamento crítico, o diálogo e o respeito à pluralidade.
Valor simbólico
A homenagem concedida pelo TJBA a Joaci Góes assume valor simbólico que transcende o campo jurídico. Ela reafirma a importância do intelectual humanista em uma sociedade dominada pela superficialidade e pela erosão dos valores públicos.
Ao distinguir um homem que construiu pontes entre o direito, a cultura, a política e a educação, o Tribunal contribui para preservar a tradição ilustrada da Bahia, um dos berços da vida republicana brasileira. A homenagem a Joaci Góes representa, portanto, não apenas um tributo pessoal, mas também uma declaração institucional em defesa do saber, da ética e da liberdade de pensamento.












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