Durante a COP30, realizada em Belém (PA), na quarta-feira (12/11/2025), o governo de Portugal anunciou um aporte de 1,5 milhão de euros voltado à cooperação climática entre países lusófonos. O investimento será aplicado em ações de capacitação técnica, troca de experiências e transparência em políticas climáticas, fortalecendo a integração entre nações de língua portuguesa na gestão ambiental e na mitigação dos efeitos das mudanças do clima.
Cooperação internacional e fortalecimento das políticas ambientais
A ministra do Ambiente e Energia de Portugal, Maria da Graça de Carvalho, explicou que o fundo apoiará a criação de redes de capacitação e gestão de inventários climáticos, além de mecanismos de financiamento e monitoramento ambiental. Segundo a ministra, o objetivo é fortalecer a transparência nas políticas climáticas dos países de língua portuguesa.
“Anunciamos uma verba de 1,5 milhão de euros para transparência nas políticas climáticas dos países lusófonos. Será uma rede de capacitação e troca de experiências para aprimorar a gestão de temas complexos na área do clima”, afirmou Carvalho durante entrevista concedida no pavilhão de Portugal na COP30.
O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, também confirmou, durante a Cimeira dos Líderes da COP30, um aporte adicional de 1 milhão de euros para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado pelo Brasil, ampliando o compromisso português com a proteção florestal global.
Compromisso com a neutralidade carbônica e energia renovável
Portugal está implementando o Plano Nacional de Energia e Clima, que estabelece a neutralidade carbônica até 2045, em conformidade com as metas da União Europeia. O plano define submetas específicas para produção de eletricidade, transporte, indústria e agricultura, e busca acelerar a descarbonização da economia.
De acordo com a ministra, o país atingiu 80% de geração de energia renovável no primeiro semestre de 2025, resultado impulsionado pela expansão da matriz eólica e solar.
“Fechamos o último ano com 71% de eletricidade de origem renovável e, neste semestre, alcançamos 80%, um avanço importante na redução de emissões”, destacou Carvalho.
Adaptação climática e cooperação bilateral com países africanos
Além da mitigação, Portugal tem priorizado ações de adaptação às mudanças climáticas, especialmente no combate à erosão costeira, à escassez de água no sul e aos incêndios florestais. A ministra destacou que obras de proteção do litoral e eficiência hídrica estão em andamento, incluindo a construção de dessalinizadoras nas regiões mais afetadas pela seca.
Em relação à conversão de dívidas em ação climática, Carvalho confirmou a ampliação da cooperação com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
“O projeto com Cabo Verde, que envolve a expansão de uma central fotovoltaica na Ilha de Santiago, tem funcionado bem e será replicado em São Tomé e Príncipe”, explicou.
Expansão da economia azul e metas para 2026
A economia azul também integra a estratégia ambiental portuguesa. O país, que gere o Fundo Azul, pretende ampliar para 30% as áreas marinhas protegidas até 2026 — atualmente, o índice é de 19%. A meta inclui a ampliação da zona de conservação na região da Madeira e a cooperação técnica com outros países, como São Tomé e Príncipe, que possuem elevado potencial em biodiversidade marinha.
*Com informações da ONU News.











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