Na terça-feira (25/11/2025), Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, a Organização das Nações Unidas divulgou o Femicide Brief 2025, relatório do UNODC e da ONU Mulheres que confirma a permanência de níveis elevados de feminicídio em todas as regiões do mundo. Os dados indicam que 137 mulheres e meninas são mortas diariamente por parceiros íntimos ou familiares, sem avanço significativo em políticas globais de prevenção.
No último ano, 83 mil mulheres e meninas foram mortas de forma intencional, das quais 50 mil foram vítimas de parceiros ou familiares. O levantamento aponta que uma mulher ou menina é morta a cada dez minutos em ambientes domésticos. Em comparação, apenas 11% dos homicídios de homens ocorreram nessas circunstâncias.
As agências da ONU afirmam que a violência letal está vinculada a ciclos prolongados de agressões e comportamentos controladores que antecedem o feminicídio, incluindo práticas digitais abusivas. O relatório reforça a importância de políticas integradas que abordem o ciclo completo da violência contra mulheres e meninas.
Impactos do ambiente doméstico nos índices globais
O diretor executivo do UNODC, John Brandolino, destacou que o lar permanece um local de risco para mulheres e meninas. Dados mostram que o ambiente doméstico concentra a maioria dos feminicídios, revelando falhas nas estratégias de proteção e nos sistemas de resposta criminal.
A diretora da Divisão de Políticas da ONU Mulheres, Sarah Hendriks, informou que casos de violência digital frequentemente evoluem para agressões presenciais, podendo resultar em mortes. Para a instituição, políticas preventivas devem reconhecer o ciclo de violência, contemplando medidas que atuem antes que a situação se torne letal.
Segundo o relatório, integrar abordagens jurídicas, educativas e sociais é fundamental para enfrentar a complexidade do fenômeno. A ONU defende mecanismos que ampliem a responsabilização de agressores ao longo de toda a cadeia de violência.
Distribuição regional dos feminicídios
O Femicide Brief 2025 aponta que mulheres e meninas enfrentam violência letal em todas as regiões. A maior taxa registrada foi na África (3 por 100 mil mulheres), seguida pelas Américas (1,5), Oceânia (1,4), Ásia (0,7) e Europa (0,5). O relatório alerta que esses números refletem desigualdades estruturais e diferentes capacidades de prevenção e resposta.
A ONU enfatiza que, embora feminicídios também ocorram fora do contexto familiar, a falta de dados impede análises completas. As agências buscam ampliar metodologias de identificação e registro para melhorar a classificação desses crimes em nível global.
Avanços na coleta e qualificação de dados
A ONU Mulheres e o UNODC trabalham com países para implementar o marco estatístico de 2022, voltado à padronização internacional dos registros de feminicídio. O objetivo é fortalecer sistemas nacionais capazes de mensurar a magnitude do problema e orientar políticas públicas eficazes.
O relatório destaca que ampliar a disponibilidade de dados é essencial para compreender os riscos enfrentados por mulheres e meninas e para estruturar estratégias consistentes de prevenção, proteção e responsabilização.








Deixe um comentário