Operação intensifica combate ao desmatamento na Sub-bacia do Rio Utinga e resulta em autos de infração em área crítica da A nova etapa da Operação Mata Branca, realizada entre 9 e 19 de novembro de 2025 pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), reforçou o combate ao desmatamento ilegal na Sub-bacia do Rio Utinga, situada na região da Chapada Diamantina. As ações abrangeram os municípios de Bonito, Utinga e Wagner, com foco na preservação da vegetação nativa da Caatinga e na proteção dos cursos d’água que abastecem milhares de moradores.
A Operação Mata Branca intensificou o monitoramento e a repressão ao desmatamento ilegal na Sub-bacia do Rio Utinga, utilizando alertas georreferenciados do MapBiomas e vistorias presenciais. A iniciativa resultou em cinco autos de infração, interdições e notificações ambientais, reforçando o compromisso do Inema com a proteção hídrica e florestal da região.
A etapa mais recente da Operação Mata Branca mobilizou equipes do Inema e da Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA) Lençóis. O trabalho utilizou o Sistema de Fiscalização da Vegetação Nativa (SFVN), que cruza informações de satélite do MapBiomas com análises de campo para identificar rapidamente áreas de supressão vegetal.
Os agentes percorrem áreas críticas da Caatinga, bioma que enfrenta crescente pressão por abertura de áreas para agricultura irrigada. A Sub-bacia do Rio Utinga é considerada estratégica, pois abastece os municípios de Utinga, Wagner e Bonito, cuja segurança hídrica depende diretamente da preservação da vegetação e do regime de chuvas.
Os alertas de satélite permitiram rastrear pontos de possível devastação. Segundo técnicos envolvidos, a combinação de desmatamento ilegal e captações irregulares tem agravado a escassez de água, comprometendo a disponibilidade para consumo humano e produção agrícola.
Resultados das vistorias e autuações ambientais
Durante os dez dias de operação, as equipes vistoriaram mais de 50 alertas ambientais. Cinco autos de infração foram emitidos: quatro por desmatamento sem autorização e um pela operação clandestina de uma serraria instalada no interior da mata.
Além dos autos, foram expedidas notificações para regularização de passivos no Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (CEFIR). O rigor das ações busca impedir que áreas degradadas continuem a avançar sobre trechos sensíveis da bacia, considerados essenciais para a recarga hídrica.
A coordenadora da Fiscalização Preventiva e de Condicionantes (COFIS), Natali Lordello, destacou a importância do Rio Bonito, afluente do Rio Utinga, para a manutenção dos sistemas hídricos locais. Segundo ela, o desmatamento em áreas de mata densa “impacta diretamente o ciclo hidrológico”, exigindo intensificação de futuras operações.
Riscos ambientais e a pressão da agricultura irrigada
A coordenadora da Unidade Regional da Chapada Diamantina, Simone Sodré, alertou para o impacto das atividades agrícolas que operam sem outorga. Essas práticas ampliam os riscos de esgotamento da sub-bacia, já afetada por anos de irregularidades no uso dos recursos naturais.
O avanço de empreendimentos de irrigação sobre áreas sensíveis da Caatinga tem sido um dos principais vetores de devastação. Sem licenciamento adequado e sem controle do uso da água, esses empreendimentos pressionam ainda mais a capacidade de recarga do Rio Utinga e seus afluentes.
A Operação Mata Branca pretende atuar de forma contínua, com planejamento de novas etapas para 2026. A meta é impedir que o ciclo de supressão irregular da vegetação se consolide e comprometa de forma irreversível os mananciais da região.
Desafios persistentes na proteção da Caatinga
A Operação Mata Branca evidencia o esforço institucional para conter danos ambientais que se acumulam há décadas na Chapada Diamantina. A pressão por expansão agrícola, somada às fragilidades de fiscalização, cria um ambiente de risco permanente para a vegetação nativa e os recursos hídricos.
Apesar dos avanços, o número de autuações revela que a degradação continua em ritmo preocupante. A dependência das comunidades locais dos rios Utinga e Bonito reforça a necessidade de ações mais coordenadas entre governo, produtores rurais e municípios.
Também persiste o desafio de ampliar a educação ambiental e fortalecer instrumentos de controle, evitando que a lógica de uso predatório da terra substitua práticas sustentáveis que preservem o valor histórico e ecológico da Caatinga.










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