Polícia Federal desarticula organização transnacional de lavagem de dinheiro ligada à imigração ilegal; operação movimentou R$ 9 milhões

A Polícia Federal deflagrou, nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (19/11/2025), a Operação Venezuela, destinada a desarticular uma organização criminosa transnacional especializada em crimes financeiros, lavagem de dinheiro e imigração ilegal pela fronteira norte do país. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de movimentar aproximadamente R$ 9 milhões em recursos de origem ilícita, utilizando contas de terceiros para ocultar beneficiários e dissimular a procedência dos valores.

O esquema identificava, cooptava e utilizava interpostas pessoas, conhecidas como “laranjas”, para viabilizar transações bancárias de grande volume, ampliando o alcance da rede criminosa e dificultando o rastreamento financeiro. A investigação revela que parte expressiva do dinheiro estaria vinculada a estruturas de facilitação de entrada irregular de estrangeiros no Brasil e atividades relacionadas ao tráfico de drogas.

Ao todo, 16 policiais federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Especializada em Lavagem de Capitais da Justiça Federal. As ações ocorreram em Boa Vista (RR) e Curitiba (PR), cidades onde os suspeitos residem e mantêm atividades comerciais consideradas estratégicas no funcionamento da rede.

Expansão das investigações e papel do líder venezuelano

A operação recebeu o nome Venezuela em razão da nacionalidade de um dos principais articuladores do grupo, apontado como figura central na coordenação das transações de lavagem de dinheiro. Esse líder atuava por meio de uma loja de câmbio em Boa Vista, utilizando o negócio para legitimar valores movimentados em nome de terceiros.

As autoridades identificaram que o grupo operava de forma estruturada, com divisão de tarefas, recursos logísticos e vínculos entre diferentes estados, configurando uma rede voltada para movimentações financeiras clandestinas e facilitação de fluxos ilícitos por rotas transfronteiriças no Norte do país.

Mandados em diferentes estados e cooperação institucional

A ação coordenada envolveu equipes da Polícia Federal da Bahia, Roraima e Paraná, reforçando a necessidade de articulação interestadual para combater crimes de alto impacto financeiro e com ramificações internacionais. A Justiça Federal acompanhou o processo desde o início, autorizando medidas cautelares para aprofundamento da apuração.

Os investigados devem responder pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem ultrapassar 20 anos de reclusão, dependendo do grau de participação e da comprovação do vínculo com outras atividades ilícitas.

Ramificações transnacionais e impacto na segurança pública

As evidências sugerem que a atuação do grupo abastecia corredores ilegais de imigração, facilitando a entrada de estrangeiros mediante pagamento a intermediários e dissimulando, por meio do sistema financeiro, valores provenientes de tráfico transfronteiriço.

Investigações complementares devem aprofundar conexões com redes internacionais e verificar o uso de empresas formais para ocultação patrimonial. A Polícia Federal mantém diligências em andamento para mapear outros possíveis envolvidos e bloquear bens relacionados ao esquema.

Vulnerabilidade do sistema financeiro nacional

A Operação Venezuela revela mais uma vez a vulnerabilidade do sistema financeiro nacional diante de estruturas criminosas que se valem de mecanismos tradicionais de ocultação, como a utilização de laranjas e empresas de fachada. Apesar das ferramentas de rastreabilidade existentes, o volume movimentado demonstra que ainda há brechas significativas que permitem a circulação de recursos ilícitos em larga escala.

O caráter transnacional do esquema também expõe fragilidades nas fronteiras e na fiscalização de fluxos migratórios, especialmente na região Norte. A participação de um líder estrangeiro e o uso de uma casa de câmbio regional como plataforma de lavagem indicam que a regularização e o monitoramento dessas atividades econômicas requerem modernização, reforço institucional e cooperação internacional contínua.


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