A Polícia Federal (PF) solicitou ao Parlamento, nesta terça-feira (18/11/2025), durante sessão da CPI do Crime Organizado no Senado, um aumento de 38% no orçamento da instituição e defendeu a ampliação do efetivo previsto em lei. O diretor-geral Andrei Rodrigues apresentou o pedido ao justificar que a expansão das ações de enfrentamento às facções exige novos recursos, além de reestruturação operacional e tecnológica.
Segundo Rodrigues, o orçamento atual de R$ 1,8 bilhão não atende às demandas crescentes da PF, e a ampliação para R$ 2,5 bilhões em (2025) é necessária para fortalecer o combate às organizações criminosas e ampliar as FICCOs, forças-tarefas integradas entre órgãos federais e estaduais. O diretor-geral ainda sugeriu que o efetivo total da PF, hoje de 15 mil vagas previstas em lei, seja dobrado, incluindo a incorporação de novos servidores aprovados no último concurso.
A sessão marcou a primeira oitiva da CPI, instalada após a operação no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho que resultou em 121 mortes. Os senadores devem ouvir ministros, governadores, especialistas e servidores ao longo das próximas semanas.
Efetivo da PF e expansão operacional
Rodrigues informou que a PF conta atualmente com 13 mil policiais, além de 2 mil servidores administrativos, número que considera insuficiente diante das funções acumuladas. Entre as atribuições, destacou o controle de armas, emissão de passaportes, segurança bancária, controle químico e vigilância migratória. Segundo ele, apenas em (2024) ocorreram 40 milhões de movimentações migratórias no país.
O diretor-geral reforçou que a incorporação dos 2 mil novos policiais a partir de (2025) contribuirá para a estrutura, mas não resolverá a necessidade estrutural de crescimento para atuação plena em fronteiras, portos e aeroportos.
Para o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o diagnóstico sobre o funcionamento das facções deve orientar o Congresso na definição de novos parâmetros de investimento para a segurança pública.
Críticas ao PL Antifacção e impactos nos fundos federais
Em sua fala, Rodrigues criticou trechos do substitutivo do PL Antifacção, relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), afirmando que o texto retira recursos de fundos federais, como o Funapol, o Fundo de Segurança Pública e o Fundo Antidrogas. Para ele, a proposta provocaria redução de verbas justamente quando a PF pede reforço orçamentário.
O diretor-geral também avaliou que o substitutivo cria conflitos normativos, com possibilidade de “confusão processual”, mudanças de competência e nulidades que podem comprometer investigações relacionadas ao crime organizado.
Descapitalização das facções e apreensões recordes
Rodrigues destacou que a descapitalização econômica das facções deve ser uma das prioridades do Estado. Ele afirmou que todas as investigações de tráfico de drogas têm atualmente uma investigação patrimonial paralela para atingir o poder financeiro das organizações.
As apreensões cresceram de R$ 1 bilhão em (2022) para R$ 3 bilhões em (2023) e atingiram R$ 6,4 bilhões em (2024). Somente a Operação Carbono Oculto, contra o esquema de lavagem de dinheiro do PCC, resultou na apreensão de quase R$ 4 bilhões.
Para 2025, a PF projeta alcançar R$ 9 bilhões em bens efetivamente confiscados, incluindo imóveis, veículos, aeronaves e embarcações.
Integração das forças policiais e PEC da Segurança
O diretor-geral afirmou que já existe integração entre PF e polícias estaduais por meio das FICCOs, mas reforçou a necessidade de aperfeiçoamento institucional. A PEC da Segurança, em análise no Congresso, segundo ele, amplia a coordenação da União e fortalece a atuação da PF no enfrentamento às facções.
Rodrigues argumentou que a medida corrige lacunas históricas, tornando a cooperação mais eficiente e alinhada à complexidade das organizações criminosas.
Economia digital e desafios do rastreamento financeiro
O chefe da PF alertou que a digitalização da economia, com uso de fintechs, criptomoedas e plataformas tecnológicas, fortalece mecanismos de lavagem de dinheiro. Ele afirmou que o crime organizado opera hoje em ambiente digital, enquanto o Estado ainda utiliza ferramentas predominantemente analógicas, o que exige atualização tecnológica.
Para Rodrigues, o avanço das instituições é essencial para acompanhar a velocidade das transações digitais e ampliar a capacidade de rastreamento.
Facções brasileiras e terrorismo internacional
Questionado na CPI pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) sobre possíveis vínculos entre facções brasileiras e grupos considerados terroristas, Rodrigues afirmou que não há evidências concretas que confirmem essa relação. Ele explicou que, apesar de especulações históricas sobre a Tríplice Fronteira, as investigações da PF não identificaram cooperação entre facções e organizações classificadas como terroristas.
O tema ganhou destaque após ações recentes dos Estados Unidos, que ofereceu US$ 10 milhões por informações sobre mecanismos financeiros do Hezbollah na região e reforçou operações em parceria com autoridades do Paraguai.
Rodrigues ressaltou que, embora o assunto seja utilizado em debates internacionais, a PF não identifica conexão direta que caracterize vínculo operacional.
*Com informações da Agência Brasil.











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