O deputado estadual Robinson Almeida (PT) afirmou nesta quinta-feira (13/11/2025) que a Prefeitura de Salvador se tornou “uma patrocinadora de luxo”, ao direcionar milhões de reais em recursos públicos para eventos voltados a segmentos de alta renda. Segundo ele, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Renda (Semdec) ampliou seus patrocínios desde 2023, beneficiando feiras náuticas e atividades de elite em detrimento de iniciativas sociais, culturais e empreendedoras das periferias.
A crítica do parlamentar se baseia nos números oficiais divulgados pela própria administração municipal. Em 2024, a Semdec destinou cerca de R$ 4,5 milhões para patrocínios de eventos privados. Em 2025, o montante já se aproxima de R$ 5 milhões, com destaque para a concentração de recursos em segmentos considerados “distantes da finalidade da secretaria”, segundo Almeida.
O deputado argumenta que, originalmente, a Semdec foi criada para desenvolver políticas de apoio a trabalhadores, pequenos empreendedores e iniciativas de geração de renda, mas acabou direcionando seus recursos para eventos associados a públicos de alta renda, como feiras náuticas e encontros de criadores de cavalos de raça.
O Salvador Boat Show e a destinação de recursos públicos
Um dos principais pontos levantados por Almeida é o patrocínio ao Salvador Boat Show, evento que reúne estaleiros, fabricantes de iates e compradores de embarcações de luxo. Segundo o parlamentar, 30% de todo o orçamento anual de patrocínios da secretaria foi destinado à feira náutica em 2025.
Para ele, a destinação caracteriza um desvio de propósito: “O Salvador Boat Show é uma vitrine para compradores de iates, não um polo de inclusão produtiva. Os recursos públicos deveriam priorizar quem realmente precisa de apoio para empreender e gerar renda”, afirmou.
Além disso, somando o circuito náutico como um todo — incluindo eventos correlatos patrocinados pela prefeitura — o deputado calcula que mais de R$ 2 milhões, aproximadamente 40% do total de patrocínios do ano, foram destinados a iniciativas voltadas ao público de alto poder aquisitivo.
Marchador Fest e eventos voltados ao setor equestre
Outro evento citado por Almeida é o Marchador Fest de Marcha Picada, destinado a criadores de cavalos da raça Mangalarga Marchador. Para ele, trata-se de mais um caso em que a prefeitura destina recursos a grupos cuja sustentabilidade econômica independe de apoio estatal.
O parlamentar afirma que “criadores de Mangalarga Marchador integram uma elite agropecuária estruturada, que não depende da prefeitura para existir ou prosperar”, defendendo que essa verba deveria ser remanejada para ações de impacto social direto.
Baixa prioridade para iniciativas sociais e culturais
Enquanto eventos de alto padrão recebem investimentos expressivos, Almeida sustenta que iniciativas voltadas a comunidades periféricas e à cultura negra enfrentam escassez de recursos. Dois exemplos citados são a Expofavela Innovation e a Agenda Julho das Pretas.
A Expofavela Innovation, dedicada ao empreendedorismo das periferias, busca fomentar negócios criados por moradores de comunidades de baixa renda, oferecendo capacitação, acesso a investidores e oportunidades de formalização. Apesar de seu impacto socioeconômico reconhecido, o evento tem recebido “valores muito inferiores aos destinados a eventos de luxo”.
Já a Agenda Julho das Pretas, que mobiliza coletivos negros, artistas, intelectuais e movimentos culturais, é definida pelo deputado como uma ação “de alto valor simbólico e político”, mas que “fica espremida no orçamento da prefeitura, apesar de sua relevância para Salvador — uma cidade majoritariamente negra”.
Disputa narrativa sobre política pública e função social da Semdec
A crítica central do parlamentar está na função da Semdec: uma secretaria voltada ao desenvolvimento econômico inclusivo, que, segundo ele, tem se distanciado de sua missão original ao priorizar patrocínios a segmentos que já contam com acesso a capital privado e condições favoráveis de investimento.
Para Almeida, o contraste entre os recursos destinados a eventos de elite e aqueles reservados a projetos sociais revela uma assimetria de prioridades, reforçando desequilíbrios históricos presentes na estrutura social da cidade.










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