Retretas voltam ao centro de Feira de Santana em dezembro de 2025 com projeto que resgata tradição centenária da Filarmônica 25 de Março

A Filarmônica 25 de Março traz de volta ao centro de Feira de Santana uma das mais tradicionais expressões culturais da cidade. O projeto Retreta estreia no dia 17 de dezembro de 2025, às 19h, no coreto da Praça da Matriz, retomando o formato histórico das apresentações musicais ao ar livre que marcaram a vida urbana feirense desde o início do século XX. O evento busca resgatar a prática das retretas sem uso de equipamentos de sonorização, valorizando o repertório instrumental, a ambiência da praça e a participação espontânea do público.

O maestro Antônio Neves afirma que o objetivo é “devolver à cidade uma experiência que fez parte da memória de muitas gerações”, reforçando o papel da Filarmônica 25 de Março — fundada em 1861 e reconhecida como a mais antiga em atividade na Bahia — na preservação das tradições culturais locais. A iniciativa pretende estimular o reencontro da população com a música de coreto, preservando elementos históricos da cidade, como o próprio coreto da Matriz, tombado pelo IPAC e inaugurado em 1916.

A estreia contará ainda com a participação da Filarmônica 25 de Dezembro, de Irará, primeira convidada a dividir o palco com a 25 de Março. O projeto prevê a presença de uma filarmônica regional diferente em cada apresentação, fortalecendo o intercâmbio cultural entre municípios vizinhos, incentivando novas plateias e ampliando o alcance da música instrumental no Território de Identidade Portal do Sertão.

Exposições históricas reforçam o caráter de preservação da memória

Além da programação musical, o Retreta incorporará uma exposição fotográfica itinerante, intitulada Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias. As fotografias, exibidas ao ar livre, apresentam cenas antigas de Feira de Santana, retratando espaços urbanos, eventos populares e momentos marcantes da formação histórica do município.

A mostra acompanhará as dez apresentações previstas ao longo do projeto, reforçando a proposta de integrar música e memória histórica. A iniciativa busca aproximar o público do passado feirense por meio de imagens que revelam o cotidiano da cidade em diferentes períodos, estimulando a valorização da identidade local.

Expansão cultural e fortalecimento das filarmônicas

O projeto Retreta reafirma o papel das filarmônicas como instituições fundamentais na formação musical e na vida comunitária da Bahia. O retorno das apresentações em coreto dialoga com a tradição das bandas de música como polos de educação artística, convivência social e preservação patrimonial. A circulação de bandas convidadas visa ampliar a visibilidade dessas corporações, muitas delas com mais de um século de existência.

A Filarmônica 25 de Março, responsável pela realização do projeto, ressalta que as retretas foram, por décadas, o principal ponto de encontro cultural de Feira de Santana, especialmente em um período anterior ao rádio e à modernização dos espaços de espetáculo. Recuperar essa prática, portanto, representa reafirmar uma dimensão formadora da vida urbana, fortalecendo o vínculo entre passado e presente.

Apoio institucional e viabilização do projeto

O Retreta é uma produção da Sociedade Filarmônica 25 de Março e conta com patrocínio da DPC Distribuidora e da Bartofil, além do apoio institucional da Fundação Senhor dos Passos. A iniciativa é realizada por meio do Ministério da Cultura e do Governo Federal, dentro de programas de incentivo a atividades culturais e projetos de preservação da memória.

A Filarmônica prevê divulgar conteúdos semanais sobre o projeto, abordando diferentes aspectos da tradição das retretas, da história das filarmônicas e dos registros fotográficos que compõem a mostra. A estratégia busca ampliar o engajamento do público e reforçar o caráter educativo e cultural da iniciativa.

Reconstrução simbólica

A retomada das retretas no centro de Feira representa mais que uma ação cultural pontual: trata-se de um movimento de reconstrução simbólica de práticas que moldaram a identidade da cidade. Em um cenário de crescente urbanização e esvaziamento das praças centrais, iniciativas desse tipo ajudam a restituir o sentido público dos espaços históricos.

O projeto também evidencia a relevância das filarmônicas, instituições que sobrevivem à passagem do tempo graças ao esforço coletivo de músicos, maestros e comunidades. Ao promover apresentações sem sonorização, em formato tradicional, o Retreta reafirma uma estética histórica que preserva valores artísticos sedimentados na cultura feirense.

Resta avaliar se a cidade conseguirá manter a regularidade desse tipo de programação, ampliando seu alcance e consolidando uma política contínua de valorização de sua memória musical — desafio recorrente em iniciativas culturais de longa duração.


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