O secretário-geral da ONU, António Guterres, denunciou nesta terça-feira (04/11/2025) violações recorrentes do cessar-fogo na Faixa de Gaza, instaurado em outubro após dois anos de conflito entre o Exército israelense e o movimento islâmico palestino Hamas. Segundo Guterres, os incidentes devem cessar imediatamente e todas as partes precisam cumprir as decisões da primeira fase do acordo de paz negociado pelos Estados Unidos, que incluiu a libertação de reféns vivos em Israel.
Violação do cessar-fogo e atraso na restituição de corpos
A trégua de 10 de outubro de 2025 enfrenta infrações contínuas por ambos os lados. Israel acusa o Hamas de atrasar a entrega dos corpos dos reféns mortos, enquanto o movimento palestino argumenta que a localização é complexa devido à destruição no território. Por outro lado, o Exército israelense também tem realizado bombardeios frequentes no enclave, que teriam causado pelo menos 149 mortes em dois ataques, incluindo quase 50 crianças, segundo fontes palestinas. Israel alega represálias por ataques que mataram três soldados.
Em pouco mais de dois anos, 68.800 pessoas morreram em Gaza, principalmente civis, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas, considerado confiável pela ONU. Do lado israelense, 1.221 pessoas morreram em ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deram início ao conflito.
PMA reforça apelo por acesso humanitário
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou que quase um milhão de pessoas receberam ajuda desde o início do cessar-fogo, mas ressaltou a necessidade de reabrir todas as passagens de fronteira para ampliar operações. Atualmente, apenas duas passagens estão operacionais, o que limita a distribuição de alimentos e o abastecimento de mercados no território.
Segundo a porta-voz Abeer Etefa, o PMA possui 44 pontos de distribuição ativos, com um objetivo de 145, e abastece cerca de 700 mil pessoas diariamente com pão produzido em 17 padarias industriais. Apesar de algum avanço na oferta de alimentos, o consumo permanece abaixo dos níveis pré-conflito, e itens como carne, ovos, vegetais e frutas são escassos.
Necessidade de estabilização e ampliação do suporte
O PMA reforçou que, para atender à meta de 1,6 milhão de pessoas, é necessário melhorar o acesso interno e a reabertura das passagens no norte de Gaza. A agência alerta que sem acesso ampliado, a população continuará enfrentando escassez alimentar severa, prejudicando a recuperação econômica e social do enclave.
*Com informações da RFI.









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