Senadores cobram ações do Banco Central para conter irregularidades financeiras em fintechs, bets e bancos

Audiência na CAE reúne questionamentos sobre fiscalização, termo de compromisso e crescimento atípico do Banco Master.
Audiência na CAE reúne questionamentos sobre fiscalização, termo de compromisso e crescimento atípico do Banco Master.

A terça-feira (25/11/2025) foi marcada por cobranças de senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) ao presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, durante audiência pública. Parlamentares solicitaram ações mais rigorosas de controle sobre operações financeiras irregulares, com foco em fintechs supostamente utilizadas pelo crime organizado, empresas de apostas e o crescimento acelerado do Banco Master, recentemente liquidado. O encontro também debateu o termo de compromisso firmado entre o BC e o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto.

O presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que Campos Neto foi acusado de irregularidades relacionadas ao período em que atuou no Santander e destacou o pagamento de R$ 300 mil para encerramento do processo administrativo. Renan cobrou detalhes sobre a decisão, incluindo responsáveis pela fixação do valor da multa.

Galípolo respondeu que o BC não firma acordos que interfiram em investigações criminais, esclarecendo que eventuais irregularidades são encaminhadas aos órgãos competentes. O presidente reforçou que a instituição avalia apenas o cumprimento de normas técnicas e legais relacionadas às operações analisadas.

Fiscalização de fintechs e empresas de apostas

Durante a audiência, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) questionou o monitoramento de fintechs e empresas de apostas, afirmando que a estrutura atual permite brechas utilizadas por organizações criminosas. Braga ressaltou que, das 1.592 fintechs em atividade, apenas 335 estão sob fiscalização direta do BC.

O parlamentar também apontou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto Esfera, que estimam movimentação de R$ 350 bilhões por facções criminosas em três anos, com impacto fiscal e econômico relevante. O senador Izalci Lucas (PL-DF) reforçou que irregularidades foram detectadas em envios de recursos ao exterior por meio de fintechs sem supervisão do BC.

O presidente do Coaf, Ricardo Saadi, afirmou que a instituição tem atuado em parceria com o BC e a Polícia Federal para identificar e solucionar problemas relacionados às chamadas contas bolsões, utilizadas por grandes conglomerados e também por grupos criminosos.

Crescimento atípico do Banco Master e liquidação

O caso do Banco Master foi outro ponto de destaque. Senadores cobraram esclarecimentos sobre operações entre o banco e o BRB, além de questionarem se movimentações atípicas foram identificadas previamente pelo BC. A senadora Leila Barros (PDT-DF) informou que há articulação para abertura de uma CPI.

Parlamentares como Jorge Seif (PL-SC), Jaime Bagattoli (PL-RO) e Esperidião Amin (PP-SC) questionaram a capacidade de detecção de anomalias, citando o crescimento acelerado do Master. Amin mencionou a necessidade de sistemas automatizados para identificar movimentos financeiros fora do padrão.

Galípolo afirmou que o BC seguiu todas as etapas legais no processo de liquidação e reforçou que todas as instituições financeiras são passíveis de falhas, cabendo ao Banco Central atuar para mitigar riscos ao sistema.

Meta de inflação e atuação institucional

O presidente do BC também tratou da meta de inflação, fixada em 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual. Galípolo destacou que, nos primeiros 11 meses do ano, a execução ficou acima da banda superior, conforme projeções do Focus e da Firmus.

Ele afirmou que a autoridade monetária segue estritamente os comandos legais e que o instrumento disponível para cumprimento da meta é a taxa de juros, ponderando que a redução da inflação tem sido gradual, embora abaixo do ritmo desejado.

*Com informações da Agência Senado.


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