62% da exploração madeireira no Amazonas ocorre de forma ilegal e ameaça áreas protegidas, diz pesquisa

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (05/12/2025) pelo instituto de pesquisa Imazon aponta que 62% da exploração madeireira no Amazonas é realizada sem autorização dos órgãos ambientais. Dos 68 mil hectares com extração de madeira, 42 mil hectares foram identificados como áreas de exploração ilegal entre agosto de 2023 e julho de 2024, representando aumento de 9% em relação ao período anterior.

A pesquisa foi realizada anualmente pela Rede Simex, formada pelo ICV, Imaflora e Imazon, utilizando imagens de satélite cruzadas com dados de autorizações ambientais. O levantamento revelou que, enquanto a extração ilegal cresce, a madeira retirada com autorização passou de 11,3 mil hectares no período anterior para 26,1 mil hectares, alta de 131%.

De acordo com Camila Damasceno, pesquisadora do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, a expansão da exploração irregular financia outros crimes ambientais, como queimadas e desmatamento, e prejudica o mercado legal de madeira, que atua com manejo sustentável e gera empregos e impostos no estado.

Concentração da exploração ilegal em municípios do sul

A análise mostra que apenas dois municípios do sul do Amazonas – Boca do Acre e Lábrea – concentram 75% da exploração ilegal. Boca do Acre lidera com 20,5 mil hectares, seguida por Lábrea com 10,9 mil hectares. Essas regiões estão localizadas na Amacro, área de expansão agropecuária na divisa com Acre e Rondônia, o que eleva o risco de desmatamento futuro para grilagem ou produção agropecuária, segundo Camila Damasceno.

O Imazon alerta que a exploração irregular nesses municípios reforça a necessidade de ampliar a fiscalização e impedir a entrada de produtos ilegais no mercado, garantindo maior controle sobre o uso da floresta e mitigando impactos ambientais e sociais.

Impactos sobre áreas protegidas e comunidades tradicionais

O levantamento identificou que 13% da exploração ilegal ocorreu em áreas protegidas, incluindo 9% em terras indígenas (3,9 mil hectares) e 4% em unidades de conservação (1,6 mil hectares). Apesar de redução de 19% em relação ao período anterior, a retirada irregular ainda equivale a mais de 5 mil campos de futebol dentro de territórios protegidos.

Segundo Camila, a exploração nessas áreas ameaça diretamente povos e comunidades tradicionais, comprometendo a sobrevivência e o modo de vida de quem depende da floresta em pé. Além disso, a degradação contribui para emissões de carbono, perda de biodiversidade e conflitos sociais.

O estudo aponta que 77% da exploração irregular ocorre em imóveis rurais cadastrados em bases públicas como Cadastro Ambiental Rural (CAR), Sistema de Gestão Fundiária (Sigef) e Programa Terra Legal, somando 32,5 mil hectares. A análise indica que órgãos públicos têm condições de fiscalizar e punir a atividade ilegal nessas áreas.

Outra categoria destacada pelo Imazon são as florestas públicas não destinadas (FPNDs), com 3,3 mil hectares de exploração ilegal (8%). Essas áreas de domínio público ainda não possuem uso definido e podem ser destinadas à conservação ou a povos e comunidades tradicionais, medida considerada urgente pelo instituto para proteger o patrimônio ambiental e público.

*Com informações da Agência Brasil.


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