Atenção básica insuficiente em Salvador: cobertura limitada, filas persistentes e dependência crescente do Estado, diz deputado Marcelino Galo

O deputado estadual Marcelino Galo (PT) afirmou nesta quinta-feira (05/12/2025) que a atenção básica em Salvador permanece insuficiente para atender à demanda da terceira capital mais populosa do país, gerando filas persistentes, unidades superlotadas e uma dependência crescente dos serviços estaduais. Segundo ele, gestões municipais sucessivas não acompanharam o crescimento urbano com investimentos proporcionais na rede básica.

A crítica recai sobre os períodos administrativos de ACM Neto e Bruno Reis. Conforme Galo, ambas as gestões mantiveram um modelo incapaz de organizar a porta de entrada do SUS, prejudicando especialmente moradores de áreas populares, que dependem dos serviços próximos ao território onde vivem.

O parlamentar destaca que a capital possui apenas 51,8% de cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF), abaixo do que seria necessário para suprir sua população. Além disso, ele afirma que a vacinação infantil se mantém abaixo da média estadual, e que a atuação de agentes comunitários de saúde ainda não demonstra a robustez exigida para monitorar e acompanhar adequadamente os bairros com maior vulnerabilidade social.

Falhas estruturais e dependência do Estado

Marcelino Galo avalia que, diante dessa fragilidade, o Estado tem cumprido papel fundamental ao reforçar a assistência nos territórios. Ele menciona o programa ProSUS 1, que construiu, equipou e entregou unidades ao município, como:

  • CAPS III de Armação
  • UBS em Cajazeiras, Iapi, Imbuí e Itapuã
  • UBS III com Academia de Saúde em Pirajá e San Martin

Para o deputado, há um contraste evidente entre o investimento estadual e a falta de reorganização estrutural no âmbito municipal. Galo afirma que Salvador continua ancorada na rede estadual expandida desde o governo Jaques Wagner, reforçada por Rui Costa e ampliada na gestão de Jerônimo Rodrigues, o que evidencia um desequilíbrio persistente entre responsabilidades e entregas.

Ele argumenta que a atenção primária deveria ordenar todo o fluxo assistencial e contribuir para evitar o agravamento de doenças, reduzindo internações e custos hospitalares. A ausência dessa efetividade mantém pressão elevada sobre UPA’s e hospitais, gerando efeitos negativos para a gestão do SUS e para o atendimento ao cidadão.

Governança, prioridades e sustentabilidade do SUS

A situação exposta pelo parlamentar sugere uma desconexão entre expansão urbana e planejamento assistencial. Nos últimos anos, Salvador registrou crescimento populacional e ocupação de novas áreas, enquanto a rede básica permaneceu sem a mesma expansão e qualificação.

Mesmo com reforços estaduais, a responsabilidade primária pela atenção básica é municipal, e a dependência relatada indica fragilidade na governança local. A manutenção desse cenário tende a perpetuar:

  • ineficiência no uso de recursos do SUS
  • sobrecarga crônica da média e alta complexidade
  • desigualdades territoriais no acesso à saúde

O desafio, portanto, está na reorientação de prioridades e no fortalecimento da gestão municipal, sob risco de comprometer a sustentabilidade do sistema e o direito constitucional à saúde de milhares de famílias.


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