A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) firmou, na sexta-feira, (06/12/2024), em conjunto com a Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), um acordo para arborizar dez cidades baianas com espécies nativas e frutíferas a partir de 2026. O projeto terá início em Barreiras, no oeste do estado, que receberá mil mudas de árvores da Caatinga e do Cerrado, além de espécies frutíferas e madeireiras, com foco em sustentabilidade, recuperação ambiental e melhoria do microclima urbano.
Seis mudas foram plantadas simbolicamente no Parque de Exposições da Bahia, logo após a assinatura do termo, durante a Fenagro, representando parte das 200 mudas doadas pela ABAF para arborização do espaço. O ato consolidou a cooperação institucional e marcou o início oficial da mobilização ambiental conduzida pelo governo e pelo setor florestal.
O secretário Pablo Barrozo afirmou que o programa reforça uma visão integrada de desenvolvimento. Segundo ele, o crescimento do setor florestal envolve responsabilidade socioambiental. “Esse crescimento permite que avancemos enquanto sociedade, mas principalmente como seres humanos que cuidam do meio ambiente”, declarou. Barrozo explicou ainda que a iniciativa busca promover qualidade de vida nos centros urbanos, aproximando a população de espaços verdes e ampliando áreas sombreadas.
A Seagri será responsável por orientar prefeituras sobre o manejo, capacitar equipes técnicas e elaborar recomendações para o plantio, enquanto a ABAF fornecerá as mudas e atuará na mobilização social para o engajamento das comunidades locais. Um comitê de acompanhamento produzirá relatórios periódicos monitorando avanços, metas e adequação das espécies aos ambientes selecionados.
O diretor-executivo da ABAF, Wilson Galvão Andrade, ressaltou que o setor florestal brasileiro mantém práticas sustentáveis reconhecidas internacionalmente. Ele destacou números que reforçam o potencial ambiental da atividade.
“São plantadas 286 mil árvores por dia no Brasil. Para cada hectare de eucalipto ou pinus, mantemos um hectare preservado”, afirmou. Segundo Andrade, essa prática cria corredores ecológicos e ajuda a compor um estoque estimado de 4,9 bilhões de toneladas de carbono, colaborando para a mitigação dos efeitos climáticos.
Arborização funcional e benefícios ambientais diretos
Diferente do paisagismo tradicional, o projeto se baseia no conceito de arborização funcional, que busca unir técnica e ecologia para ampliar benefícios concretos nas cidades. O engenheiro-agrônomo da Seagri, Paulo Sérgio Ramos, explicou que o planejamento considera sombra, conforto térmico, drenagem urbana, fauna e saúde pública. Não se trata apenas de plantar árvores, mas de escolher espécies adequadas para cada área, garantindo longevidade das mudas e manutenção simplificada.
As espécies selecionadas, originárias da Caatinga e do Cerrado, possuem maior resistência ao clima semiárido e oferecem resultados duradouros. Entre as vantagens destacadas estão redução de ilhas de calor urbano, aumento da umidade do ar, sombreamento de vias públicas, absorção de poluentes e criação de corredores verdes que conectam fauna e flora. Além do fator ambiental, a arborização pode estimular uso social de praças, convívio comunitário e redução de estresse, fortalecendo o tecido urbano.
Sustentabilidade em curso e desafios municipais
A iniciativa representa um avanço estrutural na agenda ambiental baiana, ao propor ações programadas e mensuráveis com foco em longo prazo. O envolvimento direto das prefeituras será determinante para o êxito do programa, especialmente na manutenção das mudas após o plantio, etapa que historicamente define o sucesso ou fracasso de políticas de arborização no país. A adoção de critérios técnicos e o acompanhamento contínuo podem servir de referência para outras unidades federativas que buscam reverter processos de degradação urbana.
Outro ponto relevante é a integração entre poder público e setor produtivo, ampliando a capacidade de investimento e fornecimento de insumos. A ABAF, com base florestal consolidada, agrega expertise e volume produtivo que podem acelerar resultados. A longo prazo, o programa pode contribuir para um modelo replicável de cidades verdes, desde que associado a políticas permanentes de educação ambiental e planejamento urbano.
A iniciativa inaugura uma agenda estratégica para o estado, mas depende de continuidade administrativa, orçamento municipal e fiscalização adequada. O impacto real será medido pelo enraizamento das árvores e pela capacidade de envolver a população em cuidados cotidianos, transformando arborização em cultura urbana, não apenas projeto governamental.










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