Câmara dos Deputados aprova suspensão de seis meses do mandato de Glauber Braga após incidente com militante

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (10/12/2025), a suspensão de seis meses do mandato do deputado Glauber Braga (Psol-RJ), por 318 votos favoráveis, 141 contrários e 3 abstenções. A decisão ocorreu por meio da aprovação de emenda do PT ao Projeto de Resolução 86/25, substituindo a cassação do mandato, originalmente defendida pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. A norma já foi promulgada como Resolução 32/25.

O processo contra Braga foi motivado por um incidente ocorrido em abril de 2024, quando o deputado expulsou da Câmara, com empurrões e chutes, Gabriel Costenaro, então integrante do Movimento Brasil Livre (MBL). O episódio foi registrado em vídeo e originou a acusação de falta de decoro parlamentar.

Em sua defesa, Braga alegou ter agido em retaliação a perseguição e ofensas direcionadas à sua mãe, que sofria de mal de Alzheimer avançado. O deputado afirmou que a ação não representa arrependimento, mas reação diante de provocações reiteradas em espaços públicos.

Discurso de Glauber Braga e manifestações de aliados

Durante discurso no Plenário, Braga contestou a classificação de seu comportamento como destemperado, afirmando que o episódio foi resultado de provocações reiteradas. Ele destacou que não renunciou às suas convicções e associou críticas sobre a aplicação de emendas parlamentares a possíveis motivações políticas por trás de eventuais pedidos de cassação.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), esposa de Braga, questionou a lógica de punir o parlamentar considerando o contexto familiar e emocional vivido, alertando para possíveis incentivos a provocações direcionadas a políticos em situação vulnerável.

O relator do processo, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), enfatizou que cabia ao Plenário referendar a análise já realizada pelo Conselho de Ética, evitando retomar o episódio em detalhes, por considerá-lo prejudicial à imagem institucional da Câmara.

Reações políticas e votação remota

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), defendeu a cassação de Braga pelo “conjunto da obra”, citando ataques a colegas como parte do histórico do deputado. O deputado Kim Kataguiri (União-SP), integrante do MBL, criticou a possível normalização de agressões físicas, mas apoiou a suspensão como medida punitiva.

A líder do Psol, deputada Talíria Petrone (RJ), agradeceu o apoio de deputados de partidos de centro e de direita que contribuíram para a substituição da cassação pela suspensão.

Alguns deputados da base governista criticaram a autorização para votação remota, questionando a legitimidade de decisões sobre mandatos com votação expressiva no Rio de Janeiro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a modalidade, argumentando que ela aumenta a participação parlamentar e confere legitimidade ao debate institucional.


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