Nesta quarta-feira (03/12/2025), Salvador entrou em uma nova fase da mobilidade urbana com a apresentação dos primeiros trens do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), durante ato conduzido pelo governador Jerônimo Rodrigues na Avenida Paralela. A composição, formada por sete módulos, chegou à capital baiana antes do previsto e inaugura o início dos procedimentos técnicos, cujos testes começam em janeiro. O sistema, avaliado em R$ 5,4 bilhões, integra 40 km de trilhos e 42 paradas, com previsão final de entrega em 2028.
A chegada dos primeiros trens representa o avanço de uma das obras estruturantes mais aguardadas pela população, especialmente pelos moradores do Subúrbio Ferroviário. O projeto incorpora três trechos interligados: Comércio–Ilha de São João, Paripe–Águas Claras e Águas Claras–Piatã, formando um corredor intermodal de alta capacidade e eficiência energética. O VLT substituirá o antigo sistema ferroviário, ampliando a mobilidade integrada com ônibus, metrô e terminais urbanos.
No evento, Jerônimo Rodrigues destacou o compromisso do Estado em “devolver ao Subúrbio o seu lugar de destaque”, ressaltando que as primeiras operações assistidas com passageiros ocorrerão no segundo semestre de 2026. O governador enfatizou que o modal tem papel decisivo na redução de desigualdades regionais e na modernização da infraestrutura metropolitana.
As intervenções incluem obras complementares de drenagem, macrodrenagem, iluminação, contenção de encostas e projetos de urbanização, ampliando o impacto social e econômico. O governo estima que a execução gere milhares de empregos diretos e indiretos, além de dinamizar o comércio local e impulsionar a valorização imobiliária nos bairros atravessados pelo trajeto.
Integração com o Subúrbio e fortalecimento da economia local
A secretária de Desenvolvimento Urbano, Jusmari Oliveira, ressaltou que o VLT vai muito além do transporte. Segundo ela, o projeto inclui a implantação de novos equipamentos que reforçam atividades tradicionais do Subúrbio, como a cadeia da sardinha — item cultural e econômico da região. O plano prevê centrais de beneficiamento, mercados reorganizados, novos acessos às praias e áreas comerciais revitalizadas.
Essa integração reforça a diretriz do governo de combinar infraestrutura com desenvolvimento social e cultural, valorizando tradições, microempreendedores e profissionais que dependem do fluxo regional de mercadorias e serviços. O VLT, nesse sentido, torna-se também um motor de preservação de identidades e práticas históricas da área.
A requalificação urbana associada ao modal reorganiza fluxos, amplia segurança viária e fomenta novas oportunidades econômicas, criando um ambiente favorável ao turismo de bairro e ao fortalecimento das rotas gastronômicas que caracterizam o Subúrbio.
Tecnologia, sustentabilidade e capacidade operacional
O presidente da CTB, Eracy Lafuente, destacou que cada composição do VLT tem aproximadamente 50 metros de extensão e capacidade para 400 passageiros. O sistema foi projetado para garantir menor impacto acústico — característica fundamental em áreas densamente povoadas — e adota padrões modernos de eficiência energética.
O modal se integra às políticas contemporâneas de descarbonização, reduzindo emissões e estimulando práticas sustentáveis no transporte público. Quando estiver em pleno funcionamento, Salvador contará com 40 trens, operando de forma contínua e articulada com estações de integração urbana.
Os testes operacionais começam em janeiro de 2026, com etapas progressivas que incluem aferição de trilhos, sistemas elétricos, frenagem, sinalização e simulações de tráfego. A fase de operação assistida com passageiros, prevista para o segundo semestre de 2026, permitirá ajustes finais antes da implantação definitiva.
Infraestrutura, governança e desafios da implementação
A implantação do VLT em Salvador representa um avanço expressivo para a infraestrutura de transporte público da Bahia, alinhando a capital às principais tendências internacionais de mobilidade sustentável. O projeto, contudo, carrega desafios inerentes ao seu porte: a complexidade das obras complementares, a necessidade de integração plena com modais já existentes e a gestão contínua dos impactos urbanos durante a execução.
A dimensão financeira — R$ 5,4 bilhões — exige monitoramento rigoroso, transparência administrativa e cumprimento de cronogramas para evitar atrasos ou sobrecustos. A previsão de conclusão em 2028, embora tecnicamente plausível, dependerá da estabilidade econômica e da capacidade logística das empreiteiras envolvidas.
No plano social, a iniciativa vai ao encontro da demanda histórica das comunidades do Subúrbio por um transporte público mais eficiente. A valorização de atividades produtivas locais fortalece o caráter integrador do projeto, mas requer políticas de acompanhamento que garantam sua efetividade após a entrega do sistema.
A análise técnica indica que a modernização ferroviária abre oportunidades significativas de reorganização urbana, mas implica também a necessidade de mitigação de riscos ambientais, acompanhamento das obras de macrodrenagem e continuidade das ações de proteção de encostas, pontos historicamente sensíveis na capital.












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