ENGIE conclui implantação e inicia operação comercial total do Conjunto Eólico Serra do Assuruá, na Bahia

A ENGIE iniciou a operação comercial total do Conjunto Eólico Serra do Assuruá, em Gentio do Ouro (BA), maior projeto eólico onshore do grupo no mundo. Com 846 MW de capacidade instalada e investimento de R$ 6 bilhões, o empreendimento reforça a matriz renovável brasileira, gera energia para o Mercado Livre e impulsiona empregos, infraestrutura social e desenvolvimento regional.
Conjunto Eólico Serra do Assuruá, em Gentio do Ouro (BA), maior empreendimento eólico onshore da ENGIE no mundo, com operação comercial iniciada em 2024.

A ENGIE Brasil Energia anunciou a conclusão da fase de implantação e o início da operação comercial plena do Conjunto Eólico Serra do Assuruá, localizado no município de Gentio do Ouro, consolidando o maior projeto eólico onshore do grupo no mundo e um dos maiores da América Latina. Com 188 aerogeradores distribuídos em 24 parques eólicos, o empreendimento soma 846 MW de capacidade instalada e recebeu investimento aproximado de R$ 6 bilhões, reforçando a expansão da geração renovável no Nordeste brasileiro.

A infraestrutura do complexo inclui 28 quilômetros de linhas de transmissão, responsáveis por interligar o conjunto ao Sistema Interligado Nacional (SIN), assegurando o escoamento da energia produzida para diferentes regiões do país. A operação comercial teve início de forma gradual em agosto de 2024, após autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica, com a energia sendo integralmente destinada ao Mercado Livre de Energia, modelo que permite a contratação direta por empresas e grandes consumidores.

Segundo a companhia, o projeto representa um marco estratégico tanto pelo porte quanto pelo papel na diversificação da matriz elétrica nacional, ampliando a oferta de energia de baixa emissão de carbono para indústrias e grupos empresariais que buscam cumprir metas ambientais e reduzir a pegada de carbono de suas operações.

Dimensão do empreendimento e inserção no mercado livre

Construído em fase única, o Conjunto Eólico Serra do Assuruá alcança escala inédita dentro do portfólio global da ENGIE. A capacidade instalada de 846 MW posiciona o empreendimento entre os maiores projetos eólicos terrestres da América Latina, com impacto relevante na segurança energética e na previsibilidade da oferta renovável no país.

A destinação integral da energia ao Mercado Livre reforça a tendência de expansão desse ambiente de contratação no Brasil, especialmente entre consumidores industriais e multinacionais. Nesse modelo, a previsibilidade de preços e a certificação de origem renovável tornam-se diferenciais competitivos em cadeias produtivas cada vez mais pressionadas por critérios ambientais, sociais e de governança (ESG).

Em nota institucional, o CEO da ENGIE Brasil, Eduardo Sattamini, destacou que o projeto fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor de energia limpa em escala global e amplia a competitividade do setor elétrico nacional, ao mesmo tempo em que consolida o compromisso da empresa com o crescimento sustentável.

Geração de empregos e políticas de qualificação

Durante a fase de implantação, o empreendimento gerou aproximadamente 3 mil empregos diretos e indiretos, com prioridade para a contratação de mão de obra local. A estratégia incluiu processos de recrutamento direcionados e programas de capacitação voltados às demandas específicas da obra.

Entre as iniciativas implementadas está o Programa Bahia Qualificação, que ofereceu 60 vagas gratuitas de treinamento, sendo 50% destinadas a mulheres, em áreas como alvenaria, montagem de estruturas de concreto armado e carpintaria. A ação teve como objetivo ampliar a inserção profissional da população local e deixar um legado de qualificação técnica para além do período de construção.

A ENGIE avalia que a formação profissional associada a grandes projetos de infraestrutura energética é um elemento central para o desenvolvimento regional, sobretudo em municípios do semiárido baiano, historicamente marcados por menor oferta de emprego formal.

Investimentos sociais e comunidades tradicionais

No campo socioambiental, a empresa informa ter investido R$ 8,5 milhões em projetos voltados à inclusão social, educação, meio ambiente, desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida das comunidades do entorno. Desse total, R$ 4,6 milhões foram destinados a obras de infraestrutura em comunidades rurais, quilombolas e de fundo e fecho de pasto da região.

As intervenções incluíram a construção e reforma de sedes comunitárias, praças e quadras poliesportivas, consideradas pela empresa como equipamentos essenciais para o fortalecimento do convívio social e das tradições locais. De acordo com Paulo Muller, diretor de implantação da ENGIE Brasil Energia, o investimento em infraestrutura social é entendido como instrumento de transformação de longo prazo, capaz de gerar impacto duradouro nas comunidades onde a companhia atua.

Atuação da ENGIE na Bahia e expansão da transmissão

Com quase três décadas de atuação no Brasil, a ENGIE mantém presença relevante na Bahia. Além do Serra do Assuruá, a empresa opera os Conjuntos Eólicos Umburanas, Campo Largo 1 e Campo Largo 2, nos municípios de Umburanas e Sento Sé, que juntos ultrapassam 1 GW de potência instalada, com concessões válidas até 2054.

No segmento de transmissão, a companhia colocou recentemente em operação o primeiro trecho, com 334 quilômetros, da Linha de Transmissão Asa Branca, projeto que deverá superar 1.000 quilômetros de extensão, atravessando Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. A iniciativa inclui a ampliação de cinco subestações e envolve investimento estimado em R$ 2,7 bilhões, sendo considerada estratégica para o escoamento da energia renovável produzida no Nordeste.

Ficha técnica — Conjunto Eólico Serra do Assuruá (BA)

  • Capacidade instalada: 846 MW
  • Número de aerogeradores: 188
  • Parques eólicos: 24
  • Início da operação comercial: agosto de 2024
  • Investimento total: cerca de R$ 6 bilhões
  • Empregos gerados: aproximadamente 3.000
  • Linhas de transmissão: 28 km conectados ao SIN
  • Destino da energia: Mercado Livre de Energia
  • Investimento social: R$ 8,5 milhões

Perfil institucional da ENGIE

A ENGIE é um dos principais grupos globais da transição energética, com atuação em 30 países e cerca de 98 mil colaboradores. O grupo opera em toda a cadeia de valor da energia, da geração renovável às redes de transmissão e distribuição, além de soluções locais de energia e fornecimento para empresas, governos e residências.

Em 2024, a ENGIE registrou faturamento global de 73,8 bilhões de euros e manteve investimentos anuais superiores a 10 bilhões de euros para alcançar a meta de neutralidade de carbono até 2045. No Brasil, a empresa conta com cerca de 13 GW de capacidade instalada, integralmente proveniente de fontes renováveis e de baixa emissão, e faturamento de R$ 12,3 bilhões, com aproximadamente 2.800 colaboradores.

Listada na B3 por meio da ENGIE Brasil Energia (EGIE3), a companhia integra o Novo Mercado e figura, desde 2005, no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), além de outros índices internacionais de desempenho ESG.

Energia renovável, escala e desenvolvimento regional

A entrada em operação plena do Conjunto Eólico Serra do Assuruá confirma a Bahia como um dos principais polos da geração eólica brasileira e evidencia a capacidade de grandes grupos internacionais em estruturar projetos de larga escala no Nordeste. O volume de investimento e a robustez da infraestrutura de transmissão reforçam a centralidade da região na transição energética nacional.

Ao mesmo tempo, a opção pelo Mercado Livre de Energia indica um alinhamento claro às transformações do setor elétrico, cada vez mais orientado por contratos corporativos, previsibilidade de preços e compromissos ambientais. Esse movimento tende a ampliar a pressão por novos projetos renováveis, mas também exige atenção permanente à estabilidade regulatória e à expansão coordenada da malha de transmissão.

No plano local, os investimentos sociais e a geração de empregos representam contrapartidas relevantes, embora o desafio estrutural permaneça: transformar grandes empreendimentos energéticos em vetores duradouros de desenvolvimento econômico, e não apenas em ciclos temporários de obra. A efetividade desse legado dependerá da continuidade das políticas de qualificação e da integração das comunidades ao pós-implantação do projeto.


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