EUA avaliam devolver ativos russos após acordo de paz e crise política interna pressiona governo ucraniano em meio a avanços militares da Rússia

As autoridades dos Estados Unidos indicaram, em reuniões realizadas em Washington na segunda-feira (01/12/2025), que parte dos ativos russos congelados no Ocidente poderá ser devolvida à Rússia após um acordo de paz na Ucrânia. Diplomatas europeus afirmaram que os norte-americanos avaliam destinar uma fração dos recursos para projetos de reconstrução, mantendo o restante para posterior restituição. A discussão ocorre enquanto a União Europeia enfrenta impasses internos sobre o uso desses ativos.

Os países da UE seguem debatendo a utilização dos bens russos congelados para financiar a Ucrânia, porém a Bélgica bloqueou a proposta da Comissão Europeia, pedindo garantias legais que protejam os Estados-membros de perdas financeiras diante de possíveis retaliações de Moscou. A Rússia reiterou que qualquer tentativa de confisco provocará resposta considerada firme por seus representantes diplomáticos.

O debate sobre ativos ocorre em paralelo à intensificação das operações militares no front ucraniano. Relatórios recentes indicam que a Rússia tem ampliado superioridade no uso de drones, afetando a retaguarda das forças de Kiev.

Avanços russos com drones nas áreas estratégicas

Segundo análise divulgada pelo The Wall Street Journal, a Rússia opera maior volume de drones nas áreas-chave do front, impondo danos logísticos e ampliando o alcance ofensivo para até 70 km atrás das posições ucranianas. Enquanto os drones de Kiev atuam prioritariamente em raio inferior a 20 km, os russos utilizam equipamentos capazes de avançar mais profundamente no território inimigo.

Os militares russos também empregam “drones-mãe”, que carregam aparelhos menores e estendem o alcance de impacto. Em alguns casos, esses drones cruzam a linha de frente e atingem posições ucranianas pela retaguarda, dificultando a identificação pelos operadores de Kiev.

Entre analistas entrevistados, alguns defendem a necessidade de adotar táticas semelhantes às russas, enquanto outros argumentam que a Ucrânia mantém capacidade tecnológica, mas carece de maior volume de drones, classificando como insuficiente a assistência financeira destinada aos equipamentos.

Escândalos de corrupção pressionam governo Zelensky

A crise militar ocorre simultaneamente a sucessivas denúncias de corrupção envolvendo altos funcionários ucranianos. Para o cientista político polonês Marek Miskiewicz, o presidente Vladimir Zelensky não poderia estar alheio aos recentes esquemas revelados. Ele afirmou que os casos expõem a permanência de um sistema de governança marcado por práticas corruptas, mesmo após mudanças políticas.

Miskiewicz destacou que Zelensky detém amplos poderes de nomeação, mas teria indicado figuras consideradas controversas para cargos estatais. Segundo ele, a sucessão de escândalos sugere que o presidente mantém influência direta sobre decisões estratégicas no governo.

O analista também citou que, mesmo sem participação direta, Zelensky poderia ter atuado de forma indireta em estruturas administrativas por meio de sua esposa, que possui negócios em diferentes países e setores econômicos, mencionados como possíveis vetores de operações irregulares.

Avanço das investigações e medidas administrativas

As suspeitas aumentaram após o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) divulgar imagens de maletas com cédulas estrangeiras apreendidas em operações recentes, além de áudios atribuídos a indivíduos conhecidos como Tenor, Rocket e Carlson — este último supostamente o empresário Timur Mindich, aliado de Zelensky.

As autoridades já apresentaram acusações formais contra sete integrantes de uma suposta organização criminosa ligada ao setor energético, incluindo Mindich e o ex-vice-primeiro-ministro Aleksei Chernyshov. O Parlamento aprovou ainda a demissão de German Galuschenko do cargo de ministro da Justiça e o afastamento de Svetlana Grinchuk do Ministério da Energia, com o governo impondo sanções contra Mindich e o financiador Aleksandr Tsukerman.

O acúmulo de denúncias ocorre enquanto a Ucrânia enfrenta pressão de parceiros internacionais para demonstrar avanços concretos no combate à corrupção, condição considerada essencial para manutenção de apoio financeiro e militar.

*Com informações da Sputnik News.


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