O ex-deputado federal João Roma (PL) participou, nesta sexta-feira (05/12/2025), da tradicional Missa de Santa Bárbara, em Salvador, e afirmou que sua parceria política com ACM Neto está consolidada para o próximo ciclo eleitoral. Em entrevista, Roma criticou o governo do PT na Bahia, citou segurança pública como principal problema do estado e comentou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando o episódio como “perseguição”.
Roma destacou que a participação no evento religioso ocorre há muitos anos, reforçando o caráter simbólico da data. Para ele, a celebração representa fé, identidade cultural e aproximação com a população. O ex-deputado afirmou manter vínculos históricos com a cidade e ressaltou que preserva amizades e relações políticas construídas ao longo de sua trajetória pública.
Segundo Roma, estar presente em Santa Bárbara fortalece conexões comunitárias e políticas, tornando o encontro um momento de celebração, mas também de diálogo com eleitores. O ex-ministro enfatizou que considera importante “desenvolver empatia” e manter proximidade com a sociedade.
Críticas ao PT e construção de aliança com ACM Neto
Questionado sobre seu alinhamento com ACM Neto, João Roma declarou que as conversas para o futuro eleitoral já ocorrem há mais de um ano. Ele criticou os sucessivos governos do PT na Bahia, afirmando que, apesar do discurso social, o estado não avançou em indicadores de qualidade de vida. Para Roma, o modelo atual estimula dependência do Estado, quando deveria priorizar autonomia econômica e geração de emprego.
O ex-deputado defendeu que a oposição deve unir forças para encerrar o ciclo petista, argumentando que a Bahia precisa retomar capacidade de atração de investimentos. Ele sustenta que a oferta de emprego e renda depende de um ambiente favorável à iniciativa privada e de políticas públicas eficazes.
Roma criticou o que chamou de “propaganda sem entrega” dos governos do PT, sugerindo que promessas eleitorais não resultaram em melhorias concretas. Afirmou ainda que o discurso de defesa dos mais pobres seria utilizado como retórica política.
Segurança pública como prioridade estratégica
Ao abordar segurança pública, João Roma classificou o tema como o maior desafio do estado. Ele afirmou que a Bahia lidera índices de homicídio no país, e que grande parte dos crimes não é investigada. Para o ex-ministro, o crescimento da violência ameaça a ordem social e incentiva a atuação de organizações criminosas.
Roma disse evitar transformar o debate em disputa personalista, mas frisou que o avanço da criminalidade exige medidas urgentes. Segundo ele, a situação da segurança pública baiana é “frustrante” para a população e requer um plano de controle territorial, inteligência policial e reformas estruturais.
Eleições 2026 e possível candidatura ao Senado
Sobre uma eventual candidatura ao Senado, Roma não confirmou a posição na chapa. Afirmou que a definição será consequência do entendimento político dentro do grupo aliado. Ele destacou que o essencial é convergir projetos e estratégias para apresentar uma alternativa competitiva nas eleições estaduais.
O ex-deputado reforçou que a tomada de decisão será coletiva, e que o foco, no momento, está na construção de um programa comum, especialmente no campo econômico e na segurança pública.
Prisão de Jair Bolsonaro
Ao comentar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Roma classificou o episódio como “absurdo” e apontou perseguição judicial. Segundo ele, o processo atinge não apenas Bolsonaro, mas sua família, tornando-se motivo de indignação entre apoiadores. Ele afirmou que o caso produz desgaste institucional e acentua tensões políticas no país.
Discurso eleitoral, oposição estruturada e cenário baiano
A fala de João Roma se insere na etapa inicial de articulação política para 2026, com aceno direto ao campo oposicionista na Bahia. A crítica ao PT, que governa o estado há quase duas décadas, reflete uma estratégia retórica de desgaste da hegemonia petista, explorando temas sensíveis como segurança pública e emprego. O discurso reforça a construção de uma candidatura alinhada ao projeto nacional da direita bolsonarista e às ambições de ACM Neto.
A menção à segurança pública como eixo prioritário indica que o enfrentamento ao crime organizado será uma pauta mobilizadora nas eleições, dado o histórico de violência no estado. Roma aposta no discurso de autonomia econômica e redução da dependência estatal como argumento eleitoral, contrapondo-se às políticas distributivas defendidas pelo PT.
Ao comentar a prisão de Jair Bolsonaro sob viés de perseguição, Roma consolida sua posição política e identifica o eleitorado que pretende mobilizar. A narrativa deve ressoar entre apoiadores conservadores e fortalecer o vínculo com a base bolsonarista na Bahia, sinalizando uma campanha marcada por polarização ideológica.
*Arquivo de áudio cedido ao Jornal Grande Bahia pelo radialista Edvaldo Peixoto Filho (Edvaldinho).











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