FLIRCONTAS reúne 5 mil pessoas em Rio de Contas e fortalece literatura, música e tradições na Chapada Diamantina

O município de Rio de Contas encerrou o mês de novembro com a realização do FLIRCONTAS, festival literário que integrou literatura, música e tradições regionais, entre 27 e 29 de novembro de 2025. A iniciativa marcou as comemorações dos 302 anos da cidade-mãe da Chapada Diamantina, reunindo cerca de 5 mil pessoas e fortalecendo o diálogo cultural entre diferentes comunidades do território. A programação destacou a presença de autores, artistas e lideranças tradicionais.

O festival promoveu atividades voltadas à circulação livre entre público, autores e convidados, reforçando o papel de Rio de Contas como polo cultural da Chapada Diamantina. Durante os três dias, a programação contou com mesas literárias, debates sobre diversidade cultural e encontros formativos. Participaram escritores de diferentes regiões, entre eles Ryane Leão e Jean Wyllys, cuja apresentação encerrou-se com a manifestação espontânea de uma espectadora sobre o impacto do diálogo estabelecido.

As atividades ocorreram em espaços públicos e comunitários do município, conectando escolas, grupos locais e visitantes. A proposta buscou integrar literatura, música e saberes tradicionais, ampliando a participação de diferentes faixas etárias e fortalecendo vínculos culturais. O intercâmbio entre comunidades da Chapada foi considerado um dos pontos centrais do evento.

Música

A primeira edição do FLIRCONTAS incluiu apresentações musicais de grupos locais e atrações de projeção nacional. O público acompanhou shows de Afrosamba, 4Ns e Yayá Massemba, além das apresentações do Olodum e de Carlinhos Brown, que destacou a relevância do festival como espaço de memória e responsabilidade cultural. A programação musical mobilizou moradores e visitantes, reforçando a integração entre arte e identidade local ao longo dos três dias.

As apresentações ampliaram a circulação de público na área central da cidade, com repertórios que dialogaram com ritmos tradicionais e produções contemporâneas. Os shows ocorreram em palcos montados em áreas estratégicas, permitindo acesso gratuito e participação ampla. A diversidade de formatos buscou refletir a multiplicidade cultural da Chapada Diamantina.

A integração entre literatura e música foi destacada pelos organizadores como elemento fundamental para construir uma experiência cultural completa. O objetivo é que as próximas edições mantenham a mesma amplitude de atrações, fortalecendo a presença de artistas locais e de grupos representativos do estado.

Atrações e homenageados

A programação incluiu oficinas artísticas, atividades pedagógicas, contações de histórias, mostra de audiovisual, lançamentos de livros e cortejos escolares. A estrutura contemplou espaços temáticos como Flircontinhas, voltado ao público infantil; FlirRua, direcionado às juventudes; e FlirCine, dedicado aos amantes do audiovisual. As atividades abordaram temas relacionados a literatura, meio ambiente e diversidade cultural.

Com o tema “Palavra ancestral: vozes e saberes dos povos tradicionais”, o festival homenageou Maria Brandão dos Reis, Carmo Joaquim da Silva e Laurindo Regis, figuras centrais para a história da Chapada Diamantina. Os homenageados representam trajetórias vinculadas às lutas sociais, à defesa dos quilombos e aos direitos dos povos originários.

A programação destacou o papel das lideranças tradicionais como referências na construção de identidade territorial. As homenagens integraram atividades de formação e rodas de conversa, ampliando a visibilidade de trajetórias históricas pouco registradas na memória coletiva.

Participação popular

A mobilização comunitária foi apontada como diferencial da primeira edição do FLIRCONTAS. Segundo Ana Rosa, diretora de Cultura do município, estudantes de diferentes níveis participaram da organização e execução das atividades. A integração envolveu instituições como IFBA, universidades e escolas públicas. A participação dos jovens contribuiu para ampliar o alcance e fortalecer o vínculo com a comunidade.

A coordenação municipal de turismo considerou o festival um marco para a região. Elaine Novais, coordenadora da área, afirmou que a segunda edição já está em planejamento, com foco na ampliação da estrutura e na continuidade das homenagens. A avaliação institucional é de que o evento reforçou identidade, memória e pertencimento para residentes e visitantes.

A realização do FLIRCONTAS contou com parceria entre a Associação Resistência Negra e Quilombola, o Ponto de Cultura Oásis, a Prefeitura Municipal de Rio de Contas, o Ministério do Turismo, o Governo do Estado da Bahia, por meio da Fundação Pedro Calmon e do projeto Bahia Literária, além de apoio das secretarias estaduais de Turismo, Educação e Cultura, do IPHAN, da PNAB e do Comitê de Cultura vinculado ao Ministério da Cultura.


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