Ibotirama figura entre as 10 cidades mais quentes do Brasil durante onda de calor com alerta de “grande perigo”

O Inmet mantém alerta de “grande perigo” para a onda de calor que atinge o Brasil até 30/12/2025. Com temperaturas persistentes e até 5 °C acima da média, cidades do Sudeste e do sertão nordestino concentram os maiores registros. Ibotirama (BA) figura entre as 10 mais quentes. O bloqueio atmosférico e a massa de ar quente explicam o fenômeno, que impõe riscos à saúde e exige medidas preventivas imediatas.
Ibotirama está entre as 10 cidades mais quentes do Brasil durante onda de calor com alerta máximo do Inmet; entenda causas, dados e recomendações.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém até as 18h desta terça-feira (30/12/2025) um alerta de “grande perigo” para a onda de calor que atinge amplas áreas do país, com destaque para o Centro-Sul e partes do Nordeste. O aviso indica a possibilidade de temperaturas até 5 °C acima da média histórica de dezembro por cinco dias ou mais, elevando riscos à saúde e ampliando a pressão sobre serviços públicos. Nesse contexto, Ibotirama aparece entre as 10 cidades mais quentes do Brasil, com 38,2 °C registrados no domingo (28/12).

A atual onda de calor teve início em 22 de dezembro, impulsionada por fatores atmosféricos típicos do verão, porém intensificados no fim do mês. Diferentemente de picos isolados, o episódio se caracteriza pela persistência: dias consecutivos de calor elevado, inclusive à noite e na madrugada, o que dificulta a recuperação fisiológica e aumenta o desconforto térmico.

Dados consolidados do Inmet mostram que, entre as 10 maiores temperaturas do país, quatro cidades localizam-se na área do alerta máximo no Sudeste, enquanto seis pertencem ao sertão nordestino, região historicamente quente neste período. A presença simultânea desses polos evidencia a abrangência nacional do fenômeno.

Ranking das maiores temperaturas registradas no domingo (28/12/2025)

  • – Três Rios: 39,1 °C
  • – Caicó: 38,8 °C
  • – Alegre: 38,5 °C
  • – Coronel Pacheco: 38,5 °C
  • – Pão de Açúcar: 38,5 °C
  • – Cambuci: 38,4 °C
  • – Ibimirim: 38,3 °C
  • Ibotirama (BA): 38,2 °C
  • – Morada Nova: 38,2 °C
  • – Salgueiro: 38,2 °C

O desempenho térmico de cidades como Três Rios, situada em área de vale que dificulta a circulação de ventos, e Caicó, no coração do semiárido potiguar, ilustra como condições geográficas locais potencializam o aquecimento. Já Ibotirama, no Médio São Francisco, reflete a combinação de radiação solar intensa, baixa nebulosidade e bloqueio atmosférico persistente.

Novos registros na segunda-feira (29/12)

O Inmet também divulgou uma lista parcial com as maiores temperaturas até a tarde de segunda-feira (29/12), reforçando a continuidade do evento:

  • Pão de Açúcar (AL): 39,2 °C
  • Três Rios (RJ): 39,2 °C
  • – Barra: 38,9 °C
  • Coronel Pacheco (MG): 38,7 °C

Os dados confirmam que o calor não se restringe a um único dia, mas se mantém em patamares elevados, ampliando o risco de exaustão térmica, desidratação e agravamento de doenças preexistentes.

As causas meteorológicas da onda de calor

A explicação central está na atuação de uma massa de ar quente e seco sobre o Centro-Sul do país, reforçada pela Alta Subtropical do Atlântico Sul. Esse sistema de alta pressão funciona como um bloqueio atmosférico, impedindo o avanço de frentes frias e a organização de áreas de chuva.

Com menos nuvens, o solo recebe mais radiação solar durante o dia e perde menos calor à noite, resultando em tardes extremamente quentes e madrugadas abafadas. Quando ocorrem, as chuvas tendem a ser isoladas e de curta duração, insuficientes para aliviar o calor de forma abrangente.

O contexto do início do verão agrava o quadro. Dezembro já é, historicamente, um mês quente; com o bloqueio atmosférico, condições naturalmente favoráveis ao calor são potencializadas, elevando as temperaturas e aumentando a chance de recordes.

Critérios técnicos e riscos à saúde

Meteorologistas consideram onda de calor quando as temperaturas ficam ao menos 5 °C acima da média por cinco dias consecutivos. O Inmet adota critério semelhante, focado no desvio significativo em relação à média mensal. No episódio atual, ambos os critérios são atendidos em diversas regiões.

O caráter prolongado é o principal fator de preocupação para autoridades de saúde e defesa civil, uma vez que reduz a capacidade de adaptação do organismo e eleva a incidência de eventos adversos.

Recomendações das autoridades

As orientações incluem reforço da hidratação, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes, priorizar ambientes ventilados e buscar atendimento médico diante de sintomas intensos. A Defesa Civil permanece em alerta para respostas rápidas a ocorrências associadas ao calor extremo.

*Com informações da BBC Brasil.


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