A Arquidiocese de Nova York anunciou, na segunda-feira (08/12/2025), a criação de um fundo de US$ 300 milhões destinado a indenizar vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, após milhares de ações judiciais apresentadas no estado. A medida inclui reestruturações financeiras, venda de ativos e ampliação de mecanismos de mediação.
A iniciativa ocorre em meio a um histórico de denúncias que, desde 2002, ganhou projeção após reportagens do Boston Globe revelarem abusos cometidos na Arquidiocese de Boston, tema posteriormente retratado no filme Spotlight. Desde então, diversos religiosos foram afastados e a Igreja assumiu compromissos de reparação.
No comunicado, o cardeal-arcebispo Timothy Dolan afirmou que o objetivo é indenizar o maior número possível de vítimas e acelerar a resolução dos processos. Ele reforçou que a arquidiocese busca “fornecer o valor máximo de indenização” e contribuir para o processo de recuperação dos denunciantes.
Medidas financeiras e venda de imóveis
Segundo a imprensa americana, cerca de 1.300 vítimas moveram ações judiciais contra a Igreja no estado de Nova York. Para atender às demandas, Dolan informou ter adotado decisões financeiras difíceis, incluindo demissões e redução de 10% no orçamento operacional da arquidiocese.
Entre as medidas, está a venda de ativos imobiliários significativos, como a antiga sede da arquidiocese em Manhattan, negociada por mais de US$ 100 milhões, conforme reportado pelo New York Times. O cardeal reiterou que os casos de abuso “há muito tempo cobriram a Igreja de vergonha”, pedindo novamente perdão às vítimas.
A arquidiocese também contratou o magistrado aposentado Daniel Buckley como mediador. Ele atuou anteriormente na resolução de mais de mil processos em Los Angeles, concluídos em 2024 por um total de US$ 880 milhões.
Acordos recentes e ações no país
No mesmo dia, uma juíza federal aprovou acordo que prevê o pagamento de US$ 230 milhões pela Arquidiocese de Nova Orleans para indenizar centenas de vítimas. As medidas ampliam o volume de reparações adotadas pela Igreja Católica dos Estados Unidos nos últimos anos.
Nos casos envolvendo altos membros do clero, o Vaticano destituiu, em 2019, o ex-arcebispo de Washington após reconhecê-lo culpado de agressão sexual contra um adolescente em 1974. Em 2020, um relatório da Santa Sé detalhou como alertas feitos por jovens padres e seminaristas foram ignorados nas décadas de 1980 e 1990.
*Com informações da RFI.
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