A divulgação das 15 finalistas ao título de Deusa do Ébano 2026 marca o início da etapa decisiva que definirá a nova Rainha do Ilê Aiyê. A coroação ocorrerá na Noite da Beleza Negra, programada para 17 de janeiro, na Senzala do Barro Preto, em Salvador, evento que integra a agenda anual do bloco afro e reúne milhares de pessoas.
As candidatas selecionadas — Bruna Christine, Camila Silva, Camila Morena, Carol Xavier, Cecília Cadile, Dandara Namíbia, Joana Sousa, Larissa Oliveira, Mavih Souza, Nayara Temporal, Rafaela Rosa, Raíssa Batista, Sarah Moraes, Stephanie Ingrid e Thuane Vitória — subirão ao palco para representar o Ilê Aiyê e disputar a sucessão de Lorena Bispo, atual Rainha.
A iniciativa é realizada pela Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê, com apoio do Governo Federal e produção da Caderno 2 Produções. O projeto conta com financiamento do Fundo de Cultura do Governo do Estado da Bahia, por meio do Edital de Ações Calendarizadas, e apoio da ITS Brasil, integrando o Plano Anual do Ilê Aiyê viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Perfil das candidatas
A lista reúne mulheres de diferentes áreas profissionais e regiões de Salvador, além de participantes de outros estados. Cada finalista apresentou suas motivações para integrar o concurso, destacando conexões com identidade, ancestralidade, legado comunitário e continuidade de trajetórias no bloco afro.
Bruna Christine, roteirista e doutoranda em Artes da Cena, afirmou que a participação representa um processo de afirmação pessoal e conexão com sua linhagem familiar. Já Camila Silva, trancista e professora, destacou o compromisso com sua história e com a representatividade de seu povo.
Advogada, Camila Morena classificou a chegada à final como a realização de um objetivo de longa data. Para Carol Xavier, estudante de Jornalismo, o concurso é uma oportunidade para fortalecer a autoestima de sua comunidade e apresentar novas referências para crianças negras.
Continuidade do legado do Ilê Aiyê
Entre as finalistas de longa trajetória no concurso, Cecília Cadile, consultora de imagem, ressaltou a importância do palco da Noite da Beleza Negra para promover vozes de mulheres negras. Dandara Namíbia, modelo e bailarina, destacou o caráter político de sua participação enquanto travesti preta.
Joana Sousa, bailarina, enfatizou o compromisso com a ancestralidade e o fortalecimento coletivo. Larissa Oliveira, assistente administrativa, ressaltou o desejo de representar sua comunidade e valorizar sua própria história.
A empresária e coreógrafa Mavih Souza destacou influências familiares e religiosidade de matriz africana em sua jornada. Nayara Temporal, dançarina, afirmou enxergar sua relação com o Ilê como parte de seu propósito artístico e identitário.
Diversidade nas motivações
Pedagoga, Rafaela Rosa busca reafirmar sua capacidade e representar mulheres de sua comunidade. Raíssa Batista, integrante do Ilê desde 2015, relembrou sua trajetória desde a escola Band’erê até a chegada ao palco da Noite da Beleza Negra.
Sarah Moraes enfatizou a importância do bloco afro como espaço de reafirmação identitária. Stephanie Ingrid, dançarina e arte-educadora, dedicou sua participação à memória familiar e ao desejo de inspirar outras mulheres negras. Encerrando o grupo, Thuane Vitória, técnica de enfermagem e artesã, destacou o propósito de representar suas filhas e reforçar o papel das mulheres em seus territórios.
Próxima etapa e preparação para o evento
O anúncio das finalistas marca o início de um período de preparação que inclui ensaios, oficinas e acompanhamento artístico. A Noite da Beleza Negra (17/01/2026) reunirá performances, música e apresentações que tradicionalmente projetam novas referências de beleza, identidade e cultura negra no país.
A vencedora assumirá a liderança simbólica do Ilê Aiyê ao longo de 2026, participando de eventos oficiais, ações culturais e atividades do bloco durante o Carnaval e ao longo do ano.








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