A possível indicação do deputado federal Otto Alencar Filho ao Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), confirmada pelo senador Otto Alencar em entrevista nesta segunda-feira (01/12/2025), provocou uma reacomodação imediata no PSD e abriu espaço para a projeção política do outro filho do senador, o médico Dr. Daniel Alencar, que passa a ser considerado nome natural para assumir o lugar do irmão na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. O episódio repercute no tabuleiro político baiano em meio às tensões internas do partido e ao afastamento da família Coronel.
Durante a entrevista, Otto elucidou o movimento interno do PSD para a indicação de Otto Alencar Filho ao TCE-BA. Segundo o senador, a decisão foi tomada “por unanimidade” pelas bancadas estadual e federal, com apoio da presidente estadual Ivana Bastos, embora a escolha final dependa do governador Jerônimo Rodrigues.
Em sua fala, o senador reiterou o caráter coletivo da decisão e afastou qualquer insinuação de barganha política:
“O PSD se reuniu na semana passada, em Brasília. Os deputados federais, os estaduais e a presidente Ivana Bastos respaldaram o nome de Otto Filho para o TCE. Quem decide é o governador. Nunca exigi cargo para apoiar governo algum — não foi assim em 2018, nem em 2022.”
A possível ida de Otto Filho ao tribunal abre uma vaga competitiva na bancada do PSD, e é justamente nesse ponto que surge a força do nome de Daniel Alencar.
A ascensão inevitável de Daniel Alencar como novo quadro do PSD
Com a migração de Otto Alencar Filho para o TCE, o PSD passa a buscar um nome que preserve a representatividade eleitoral do partido e mantenha a coesão da aliança com o PT. Nesse cenário, Daniel Alencar, médico ortopedista, ganha destaque como sucessor natural do espaço político do irmão.
Sua formação sólida — graduado pela EBMSP, com residência no HUPES/UFBA, especialização no HUC/PUCPR e atuação como preceptor de residência — o coloca como figura respeitada em setores da saúde, prefeitos do interior e lideranças empresariais próximas ao PSD. Daniel já vinha sendo sondado por segmentos do partido, mas a saída do irmão acelera sua projeção como possível candidato a deputado federal em 2026.
Esse movimento reforça a presença histórica da família Alencar no PSD e mantém o alinhamento político com o grupo liderado por Jaques Wagner, além de garantir continuidade ao eixo que sustenta o governo Jerônimo Rodrigues.
Reconfiguração no PSD: saída da família Coronel abre espaço para novas lideranças
A ascensão interna dos Alencar ocorre em um momento de desalinhamento da família Ângelo Coronel, que se aproxima de ACM Neto com vistas às eleições de 2026. Coronel, Diego Coronel e Coronel Filho têm se afastado do governo Jerônimo Rodrigues e feito acenos a agendas oposicionistas, abrindo um vácuo de representação no PSD governista.
Essa ruptura cria um flanco político que favorece a entrada de novas lideranças — exatamente o tipo de espaço que o médico Daniel Alencar poderá ocupar ao assumir a vaga política deixada pelo irmão. O movimento da família Coronel também contribui para fortalecer a posição de Otto Alencar como pilar de estabilidade dentro da base petista.
Otto Alencar nega candidatura ao Governo da Bahia em 2026
Ao comentar especulações divulgadas pelo site Política Livre, Otto foi categórico ao afirmar que não será candidato ao Governo da Bahia em 2026. Segundo ele, a decisão segue a coerência histórica de sua trajetória política e reforça o apoio à reeleição de Jerônimo Rodrigues.
O senador lembrou que sua aliança com o PT e com Jaques Wagner remonta a 2006, quando integrou a chapa majoritária vitoriosa contra o antigo bloco carlista. Desde então, manteve atuação constante ao lado de Wagner, Rui Costa e Jerônimo, consolidando um dos pilares mais estáveis da base governista.
O novo eixo de poder no PSD e a sucessão familiar planejada
A possível ida de Otto Alencar Filho ao TCE-BA não é apenas um movimento administrativo; trata-se de uma reconfiguração silenciosa do PSD da Bahia. A saída do filho do senador da disputa eleitoral de 2026 abre espaço para que Daniel Alencar entre no jogo sucessório, reforçando a continuidade da família no partido e a solidez da aliança com o PT.
Esse processo ocorre simultaneamente à desfiliação tácita da família Coronel, que abandona o campo governista para apoiar a oposição. Com isso, Otto Alencar emerge como liderança incontestável na recomposição interna, preservando o eixo histórico de poder formado por Wagner, Rui Costa e Jerônimo.
A sucessão familiar não se apresenta como rompimento, mas como forma de preservar o capital político acumulado por décadas, garantindo ao PSD estabilidade eleitoral e capacidade de manter protagonismo na base aliada em 2026.











Deixe um comentário