Lei sancionada pelo presidente Lula reconhece Ilhéus como Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.289/2025, que concede ao município de Ilhéus, no sul da Bahia, o título de Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate. A norma foi publicada no Diário Oficial da União em 19 de dezembro de 2025, formalizando o reconhecimento federal do papel histórico, econômico e cultural da cidade na cacauicultura brasileira e na cadeia produtiva do chocolate de origem.

A legislação teve origem no Projeto de Lei nº 4.402/2023, de autoria da deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal antes de seguir para sanção presidencial. O texto consolida, em âmbito nacional, a associação entre Ilhéus e o desenvolvimento histórico do cultivo do cacau no Brasil.

Na justificativa apresentada durante a tramitação do projeto, a parlamentar destacou que Ilhéus desempenha papel estratégico na cacauicultura nacional, figurando como um dos principais polos produtores do país. O reconhecimento também foi associado ao avanço de iniciativas locais voltadas à sustentabilidade, à produção orgânica e ao uso responsável dos recursos naturais.

O que estabelece a Lei nº 15.289/2025

A norma tem caráter declaratório e simbólico, conferindo oficialmente a Ilhéus o título de Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate. Embora não crie obrigações financeiras ou programas automáticos, o reconhecimento federal reforça a identidade produtiva do município e amplia sua visibilidade institucional no cenário nacional.

A tramitação legislativa seguiu o rito regular no Congresso Nacional, com aprovação nas duas Casas e posterior sanção presidencial, encerrando o processo com a publicação oficial da lei.

Na prática, títulos dessa natureza costumam funcionar como instrumentos de promoção territorial, favorecendo ações de turismo, valorização cultural, fortalecimento da imagem regional e articulação entre produtores, poder público e iniciativa privada.

Produção de cacau, chocolate de origem e agricultura familiar

Informações divulgadas por órgãos estaduais indicam que, em 2024, o sul da Bahia reunia mais de 100 marcas de chocolate de origem, grande parte delas sediadas em Ilhéus. Segundo os dados, mais de 70% da produção de cacau na região é proveniente da agricultura familiar, o que reforça o papel social do setor.

O conceito de chocolate de origem destaca a rastreabilidade do cacau, a identidade geográfica da produção e a integração entre lavoura, beneficiamento e produto final. Esse modelo tem sido apontado como estratégia para agregação de valor, diferenciação no mercado e fortalecimento das economias locais.

A valorização da agricultura familiar aparece como eixo central do discurso institucional associado à nova lei, especialmente no contexto de sustentabilidade, geração de renda e preservação de práticas tradicionais da cacauicultura baiana.

Autoria e tramitação do projeto no Congresso Nacional

O projeto que deu origem à lei foi apresentado em setembro de 2023, com foco exclusivo na concessão do título a Ilhéus. Após análise e aprovação na Câmara dos Deputados, a matéria seguiu para o Senado Federal, onde também foi aprovada sem alterações substanciais.

A sanção presidencial e a publicação no Diário Oficial da União, em dezembro de 2025, encerraram o processo legislativo e tornaram o reconhecimento oficialmente vigente em todo o território nacional.

Simbolismo, expectativas e limites do reconhecimento

O reconhecimento de Ilhéus como Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate possui forte valor simbólico e institucional, especialmente no campo da promoção territorial e da identidade produtiva. No entanto, como ocorre com outras designações semelhantes, o impacto prático dependerá da capacidade de articulação entre poder público, produtores e setor turístico.

A lei, por si só, não garante investimentos, políticas públicas ou governança estruturada. Sem planejamento consistente, metas claras e apoio técnico, o título corre o risco de se restringir a uma chancela retórica, sem efeitos concretos sobre a cadeia produtiva do cacau e do chocolate.

O reconhecimento federal cria, ainda que indiretamente, uma expectativa de coerência institucional. Ao validar a vocação produtiva de Ilhéus, o Estado sinaliza a necessidade de políticas que sustentem essa narrativa, sob pena de esvaziar o próprio sentido do título concedido.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading