Ministro André Mendonça vota para manter mínimo existencial em R$ 600 e STF suspende julgamento após pedido de vista

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou a análise do mínimo existencial de R$ 600, valor definido pelo governo federal para proteção de consumidores contra dívidas, no âmbito do superendividamento. O julgamento, iniciado em (12/12/2025) no plenário virtual, foi interrompido nesta quarta-feira (17/12/2025) após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. A continuidade da votação está prevista para até a próxima sexta-feira (19/12/2025), conforme o regimento interno do STF, e o caso deverá ser liberado para novo agendamento em até 90 dias.

O ministro André Mendonça, relator de três ações de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), votou pela validação integral do decreto presidencial que estabelece o valor de R$ 600 como mínimo existencial. As ações foram movidas pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e pela Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep), questionando a constitucionalidade do valor.

Segundo Mendonça, os critérios definidos no Decreto nº 11.150/2022 são “razoáveis e proporcionais” para a proteção do mínimo existencial em casos de superendividamento. Ele reforçou que o tema envolve políticas públicas dinâmicas e que a definição precisa deve ser feita por órgãos técnicos, sem intervenção direta do Judiciário.

Histórico do mínimo existencial e legislação

A Lei do Superendividamento, aprovada em 2021, permite que a Justiça resguarde o mínimo existencial do consumidor, porém a definição do valor caberia ao Poder Executivo. O valor atual de R$ 600, adotado em 2023 pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, substituiu o critério anterior de 25% do salário mínimo (R$ 303,00 em 2022), definido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dados do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, elaborado pela Serasa, indicam que 79,1 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em setembro de 2025, correspondendo a 48,47% da população. O cenário evidencia a relevância da definição do mínimo existencial como instrumento de proteção financeira.

As entidades autoras das ADPF sustentam que o valor de R$ 600 não garante direitos essenciais previstos na Constituição, incluindo a dignidade da pessoa humana e despesas básicas previstas no artigo 7º, como alimentação, saúde, moradia, educação, transporte e previdência social.

Argumentos do governo e análise do STF

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou justificativa econômica e jurídica para o valor definido, afirmando que a escolha de um montante menor visa proteger o consumidor superendividado sem afastá-lo do mercado formal de crédito, mantendo equilíbrio entre proteção e segurança jurídica.

O ministro Mendonça reconheceu o problema sistêmico do superendividamento no país, mas defendeu que o Supremo não deve estabelecer valores de mínimo existencial de forma abstrata, reforçando que a política de atualização periódica é responsabilidade do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Ele ressaltou que o decreto em questão é um ato normativo secundário, e que o Judiciário não deve interferir em sua validade, argumentando que as ações devem ser rejeitadas por questões processuais, sem análise do mérito.

Perspectivas e próximos passos

Com o pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, o julgamento será retomado em sessão futura, mantendo-se o prazo de até 90 dias para novo agendamento. A definição do mínimo existencial continuará sendo relevante para consumidores, instituições financeiras e órgãos reguladores, influenciando diretamente políticas de crédito e proteção ao consumidor.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



4 respostas a “Ministro André Mendonça vota para manter mínimo existencial em R$ 600 e STF suspende julgamento após pedido de vista”

  1. Thank you for sharing this! I really enjoyed reading your perspective.

  2. Very relevant and timely content. Appreciate you sharing this.

  3. You’ve clearly done your research, and it shows.

  4. I appreciate how genuine your writing feels. Thanks for sharing.


Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da PMSE: Campanha do São João 2026.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading