O fortalecimento do protagonismo feminino na agricultura familiar da Bahia avançou de forma consistente impulsionado por políticas públicas, investimentos produtivos e ações estruturantes. Em diferentes territórios, mulheres assumem posições de liderança, consolidam práticas de inovação social, ampliam a agroindustrialização e reforçam a permanência das famílias no meio rural. Esse movimento é apoiado pelo Governo da Bahia, por meio da CAR/SDR, com foco em assistência técnica, acesso à tecnologia e desenvolvimento socioeconômico.
As iniciativas ganharam projeção na Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária, que reúne milhares de produtos e experiências de todos os territórios do estado. Entre elas, destaca-se a Cooperativa Ser do Sertão (Coopsertão), do município de Pintadas, reconhecida pela estruturação de negócios sustentáveis no Semiárido. A organização reúne 364 cooperados da Bacia do Jacuípe e integra políticas de produção, beneficiamento e comercialização articuladas com estratégias de conservação do bioma Caatinga.
De acordo com a presidente da cooperativa, Valdirene Oliveira, o direcionamento de políticas públicas específicas tem sido decisivo para consolidar unidades produtivas estruturadas. Segundo ela, a organização de negócios locais contribui para manter as famílias nas comunidades e ampliar resultados financeiros, sociais e ambientais nas cadeias produtivas regionais.
Inovação e sustentabilidade no Semiárido
As atividades da Ser do Sertão são orientadas por práticas agroecológicas e tecnologias de adaptação climática, incluindo recuperação de pastagens, implantação de sistemas agroflorestais e manejo eficiente da água. O uso de recursos hídricos em sistemas produtivos possibilita a recuperação de áreas e o cultivo de espécies frutíferas da Caatinga, como umbu, umbu-cajá e maracujá da Caatinga.
Na safra, as frutas são beneficiadas na unidade de processamento da cooperativa, gerando retorno financeiro para agricultores envolvidos nas cadeias produtivas locais. A organização mantém ainda sistemas produtivos de leite, olericultura e fruticultura, com assistência técnica exclusiva construída em conjunto com os cooperados para otimizar resultados.
As ações reforçam a sustentabilidade da produção e ampliam a integração entre manejo ambiental, diversificação e geração de renda. A estruturação de práticas adaptadas ao clima do Semiárido tem possibilitado ampliar a resiliência das unidades produtivas.
Protagonismo feminino na COP30
Com maioria de mulheres negras e jovens, a Ser do Sertão apresentou durante a COP30 seu modelo de produção de polpas naturais elaboradas sem uso de água ou aditivos, alinhado à recuperação de áreas degradadas por meio de sistemas agroflorestais. A iniciativa foi selecionada pela OCB Nacional como uma das experiências mais representativas da agricultura familiar brasileira.
Durante o evento, a cooperativa compartilhou espaço com representantes do Ministério do Meio Ambiente, da iniciativa privada e de instituições internacionais, destacando práticas de inovação social associadas à conservação da Caatinga e ao fortalecimento de cadeias produtivas regionais.
A participação ampliou a visibilidade do modelo produtivo e reforçou o papel das mulheres na construção de negócios rurais sustentáveis, com impacto direto nas comunidades do Semiárido baiano.
Investimentos do Governo da Bahia via CAR
A cooperativa conta com investimentos do Governo da Bahia, por meio da CAR, que incluem aquisição de máquinas, equipamentos e modernização da unidade de processamento de polpas. A implantação do sistema de energia solar reduziu em aproximadamente 60% os custos com eletricidade, ampliando a capacidade produtiva e fortalecendo a sustentabilidade da agroindustrialização.
Outra ação estruturante foi a adoção do modelo Agroflorestal de Recuperação de Áreas Degradadas no Semiárido, que contribui para reduzir emissões de carbono, melhorar o solo e aumentar a capacidade de resiliência climática das propriedades rurais. Os investimentos integram estratégias voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas e ao desenvolvimento regional.








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