A Secretaria da Saúde da Bahia regulou 1.423 pacientes em apenas 24 horas, durante mutirão realizado na Central Estadual de Regulação, em Salvador, com foco na transferência de casos prioritários para hospitais gerais e especializados, principalmente para cirurgias e leitos de UTI. A iniciativa mobilizou equipes técnicas da capital e do interior e buscou reduzir o tempo de espera diante do aumento da demanda assistencial.
O aumento das solicitações pressionou o sistema estadual. Segundo a secretária da Saúde, Roberta Santana, a média histórica de cerca de 700 solicitações diárias praticamente dobrou. Na sexta-feira (28), foram registradas 1.200 novas solicitações, com forte incidência de casos ortopédicos e vasculares. O mutirão, afirma ela, funciona como uma resposta imediata para acelerar o acesso aos serviços de maior complexidade.
O governo Jerônimo Rodrigues vem reforçando a estrutura hospitalar para absorver a demanda crescente. Nos últimos anos foram abertos 12 novos hospitais, com a incorporação de mais de 3.500 leitos, ampliando a capacidade de atendimento em diferentes regiões. O Estado também mantém oito unidades em construção, que atenderão áreas estratégicas como Paulo Afonso, Alagoinhas, Jacobina, Valença e Serrinha.
Nesta semana, a rede ganhou o Hospital Estadual Costa dos Coqueiros, em Lauro de Freitas, inaugurado com 90 leitos, enquanto o Hospital Geral de Vitória da Conquista teve confirmada uma obra de ampliação que prevê 40 novos leitos de UTI. As inaugurações reforçam a estratégia estadual de descentralização dos serviços de média e alta complexidade.
Estratégia integrada e resultados acumulados em 2025
A secretária Roberta Santana explica que o Estado tem trabalhado simultaneamente em duas frentes: expandir serviços de maior complexidade e fortalecer a atenção primária nos municípios, evitando que doenças crônicas evoluam para quadros que exigem UTI ou cirurgia. A combinação dessas ações tem sido fundamental para reduzir gargalos de regulação.
Em 2025, a Central Estadual de Regulação já processou mais de 297 mil pedidos, metade deles atendidos em até 24 horas. Oitenta por cento das solicitações foram solucionadas em até 72 horas, mesmo com a demanda crescente. Para Roberta Santana, os dados indicam melhora consistente:
“Os números mostram avanço mesmo com o aumento da procura. O mutirão concentra esforços nos casos mais sensíveis, garantindo maior agilidade nas transferências.”
Impacto estrutural e desafios permanentes
A realização de grandes mutirões revela a necessidade de respostas rápidas em períodos de alta demanda, mas também expõe a pressão contínua sobre o sistema de regulação. A expansão da rede hospitalar representa um avanço, especialmente em regiões historicamente desassistidas, porém a sustentabilidade desse modelo depende da evolução da atenção básica e da capacidade municipal de prevenir agravos.
A ampliação de UTIs e hospitais fortalece a estrutura, mas o aumento simultâneo das solicitações indica que a demanda por serviços de alta complexidade continua a crescer. A integração entre Estado e municípios será determinante para evitar a recorrência de gargalos, especialmente em condições crônicas, traumas e doenças cardiovasculares, que persistem como principais causas de ocupação hospitalar.
A estratégia de mutirões tende a aliviar picos de espera, mas não substitui a necessidade de planejamento contínuo, melhor distribuição de recursos e qualificação das equipes. A dinâmica apresentada reforça o desafio permanente de equilibrar expansão, eficiência e prevenção.












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