OMS recomenda uso ampliado de medicamentos GLP-1 para tratamento da obesidade

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, nesta quarta-feira (03/12/2025), suas primeiras orientações sobre uma nova classe de medicamentos para perda de peso, conhecidos como terapias com GLP-1, incluindo liraglutida, semaglutida e tirzepatida. As recomendações buscam ampliar o uso seguro e prolongado desses fármacos, enquanto alertam para os desafios relacionados ao acesso e à desigualdade global.

Segundo a OMS, mais de 1 bilhão de pessoas vivem atualmente com obesidade, condição associada a 3,7 milhões de mortes em 2024. A agência alerta que, sem ações eficazes, esse número poderá duplicar até 2030, pressionando os sistemas de saúde e gerando perdas econômicas significativas.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, enfatizou que a obesidade é uma doença crônica que requer cuidados contínuos e integrados. As terapias com GLP-1 podem auxiliar milhões de pessoas, mas não substituem estratégias de saúde abrangentes, incluindo alimentação saudável, atividade física e acompanhamento clínico.

Eficácia e limitações das terapias com GLP-1

As terapias com GLP-1 atuam imitando hormônios naturais que regulam o apetite, a glicemia e a digestão, promovendo perda de peso significativa em muitos pacientes. A OMS já havia incluído esses medicamentos na Lista de Medicamentos Essenciais para pessoas com diabetes tipo 2 e agora recomenda o uso prolongado para adultos com obesidade, exceto durante a gravidez.

Apesar da eficácia, as recomendações permanecem condicionais devido à falta de dados de segurança de longo prazo, incertezas sobre a manutenção do peso após interrupção do tratamento, custos elevados e risco de desigualdades de acesso entre países. Estima-se que menos de 10% das pessoas elegíveis terão acesso aos medicamentos até 2030, a menos que políticas globais sejam implementadas.

A OMS alerta para a crescente procura mundial que supera a oferta, além da circulação de produtos falsificados ou de qualidade inferior. A agência recomenda cadeias de abastecimento reguladas, prescrição qualificada e supervisão rigorosa para garantir a segurança dos pacientes.

Uso integrado e políticas de saúde

A organização reforça que os medicamentos não substituem abordagens integradas, como alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento clínico contínuo. A OMS enfatiza que a obesidade envolve fatores genéticos, biológicos, sociais e ambientais, exigindo ações governamentais e mudanças na indústria alimentar para criar ambientes mais saudáveis e permitir intervenções precoces.

As novas diretrizes foram desenvolvidas a pedido dos Estados-membros, com base em evidências científicas, revisões de especialistas e contribuições de pessoas que vivem com obesidade. A OMS prevê atualizar as recomendações à medida que novos dados surgirem e trabalhará com parceiros em 2026 para priorizar grupos com maior necessidade.

*Com informações da ONU News.


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