O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou neste mês de dezembro de 2025 a tramitação de processos de fiscalização sobre nove estatais em situação financeira crítica, após relatório do Tesouro Nacional apontar risco fiscal relevante para as contas públicas. A medida inclui abertura de força-tarefa dedicada a analisar governança, desempenho financeiro e gestão operacional, com pedidos formais de informações ao governo federal.
O avanço ocorre semanas após o Tesouro divulgar documento alertando que as empresas monitoradas podem necessitar de apoio financeiro da União caso não revertam déficits recorrentes. Entre elas, destacam-se os Correios, que atravessam a pior crise econômica de sua história, conforme avaliação de técnicos da área fiscal.
Empresas incluídas no monitoramento
O Tesouro acompanha atualmente a situação de nove estatais não financeiras classificadas como em risco de dependência financeira do governo. A lista inclui:
- Correios
- Casa da Moeda do Brasil
- Infraero
- Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar)
- Companhia Docas do Ceará
- Companhia Docas do Pará
- Companhia Docas do Estado da Bahia
- Companhia Docas do Rio de Janeiro
- Companhia Docas do Rio Grande do Norte
Com o início dos processos, a força-tarefa poderá ampliar o escopo de acompanhamento para todas as 27 estatais não dependentes, caso sejam identificados riscos relevantes ao equilíbrio fiscal.
5 eixos que orientarão a fiscalização do TCU
A auditoria conduzida pela equipe técnica do tribunal será estruturada com base em cinco áreas principais, buscando compreender fatores que levam ao déficit operacional. Os eixos definidos são:
- Gestão e governança
- Inovação e modernização institucional
- Desempenho financeiro e sustentabilidade
- Gestão de pessoal, contratos e despesas
- Tecnologia da informação e digitalização
A iniciativa pretende ir além da análise contábil tradicional, avaliando eficiência administrativa, planejamento estratégico e competitividade, parâmetros considerados essenciais para estatais que atuam em setores altamente regulados e expostos à competição privada.
O presidente do TCU destacou que falhas crônicas de gestão e ausência de planejamento estruturado figuram entre os principais motivos de deterioração financeira, o que reforça a necessidade de diagnósticos capazes de orientar medidas corretivas e governança sustentável.
Correios como caso prioritário
Embora o monitoramento inclua todas as nove empresas, os Correios tendem a ser um dos focos centrais devido ao impacto direto no orçamento federal e no serviço postal nacional. O TCU já realiza auditoria presencial na estatal para apurar irregularidades administrativas ocorridas nos últimos anos, processo que pode resultar em recomendações, ajustes de gestão e eventual responsabilização administrativa.
A deterioração financeira da empresa preocupa técnicos do Tesouro, que projetam necessidade crescente de aporte público caso não haja reforma estrutural no modelo de negócios, ampliação de receita e modernização logística.
Perda de competitividade
A decisão do TCU inaugura uma etapa importante na discussão sobre o futuro das estatais brasileiras, especialmente as que dependem de subsídio ou encontram-se vulneráveis a perda de competitividade. A fiscalização amplia transparência e reforça o papel histórico do tribunal como guardião do gasto público, mas também expõe o desafio de equilibrar serviço público, eficiência e sustentabilidade econômica.
O caso dos Correios é emblemático. A estatal vive entre a pressão por modernização tecnológica e o peso de anos de ineficiência acumulada. A auditoria pode provocar mudanças sensíveis no modelo de gestão, gerar recomendações estruturais e estimular debate sobre alternativas de reestruturação. Resta observar se a iniciativa resultará em reorganização efetiva ou se repetirá ciclos de diagnósticos sem execução prática, como já ocorreu em outros momentos da administração pública.
*Com informações do jornal O Globo.
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