Após ofensiva na Venezuela, presidente Donald Trump ameaça anexar a Groenlândia e sugere ação militar contra a Colômbia

Após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, Donald Trump ameaçou anexar a Groenlândia e sugeriu ação militar contra a Colômbia, provocando reações de líderes europeus e latino-americanos. Dinamarca, Groenlândia, União Europeia e França rejeitaram a retórica norte-americana, enquanto a Colômbia mobilizou tropas e denunciou ingerência. O episódio intensificou o debate sobre soberania, legalidade internacional e os limites do poder militar dos EUA.
Após ofensiva na Venezuela, Trump ameaça Groenlândia e Colômbia, gera reação internacional e reacende debate sobre soberania e direito internacional.

Neste domingo (04/01/2026), um dia após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump elevou o tom no cenário internacional ao ameaçar anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e ao sugerir uma ação militar contra a Colômbia, governada por Gustavo Petro. As declarações provocaram reações imediatas de líderes europeus, autoridades latino-americanas e organismos internacionais, reacendendo o debate sobre soberania, direito internacional e os limites do poder militar norte-americano.

Escalada retórica e a Groenlândia no centro da disputa

As ameaças de Washington à Groenlândia foram rechaçadas de forma direta pela primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, que afirmou não haver qualquer base legal ou política para a anexação do território. Segundo ela, a retórica norte-americana “não faz absolutamente nenhum sentido” e ignora acordos já existentes de cooperação em defesa no Ártico.

Frederiksen lembrou que a Dinamarca integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte, estando coberta pela garantia de segurança coletiva liderada pelos próprios Estados Unidos. Além disso, ressaltou que há um acordo bilateral que concede amplo acesso militar norte-americano à Groenlândia, acompanhado de investimentos dinamarqueses crescentes em segurança na região ártica.

A reação local também foi contundente. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, classificou a ameaça como inaceitável e desrespeitosa, rejeitando a ideia de que o território possa ser tratado como peça retórica em disputas entre superpotências.

Justificativa estratégica e reações europeias

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump sustentou que os Estados Unidos “precisam” da Groenlândia por razões de segurança nacional, citando a presença de navios russos e chineses ao longo da costa. O presidente norte-americano negou interesse em recursos minerais, enfatizando o valor estratégico do território no contexto do Ártico.

A posição norte-americana encontrou resistência em diversos países europeus. Governos de Finlândia, Noruega e Suécia manifestaram rejeição às declarações, enquanto o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca têm legitimidade para decidir o futuro do território.

Colômbia sob ameaça e crise diplomática regional

Paralelamente, Trump sugeriu que uma ação militar contra a Colômbia “parece boa”, acusando o governo Petro de envolvimento com o narcotráfico. As declarações foram rejeitadas de imediato pelo presidente colombiano, que negou qualquer ligação com atividades ilícitas e classificou as acusações como infundadas e ofensivas.

Petro afirmou que sua trajetória política e seus bens são públicos e declarou confiar no apoio popular para resistir a qualquer tentativa de ingerência externa. O governo colombiano, por meio de sua chancelaria, considerou as falas de Trump uma “ingerência inaceitável” e exigiu respeito à soberania nacional.

Diante do agravamento do cenário, a Colômbia mobilizou cerca de 30 mil soldados para reforçar a fronteira com a Venezuela, em meio a alertas de possíveis ações de grupos armados ilegais e ao aumento da instabilidade regional.

Reações internacionais e o debate sobre legalidade

A ofensiva norte-americana na Venezuela e as ameaças subsequentes geraram críticas de aliados históricos. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o método utilizado pelos Estados Unidos para capturar Maduro não foi apoiado nem aprovado por Paris, embora tenha classificado a saída do líder venezuelano como positiva para o povo do país.

No âmbito da União Europeia, a chefe da diplomacia Kaja Kallas pediu contenção e respeito aos princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, reforçando a necessidade de soluções políticas e não militares.

Nos Estados Unidos, o debate também se intensificou. Parlamentares questionaram a ausência de autorização do Congresso para a operação na Venezuela, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio defendeu que a ação teria caráter policial, e não de invasão.

Militarização, precedentes e alertas de especialistas

Especialistas e ex-diplomatas alertaram para o precedente criado pela captura de um chefe de Estado estrangeiro em exercício. Avaliações indicam que a iniciativa pode abrir um ciclo prolongado de instabilidade, especialmente se Washington assumir responsabilidades diretas na reconstrução institucional da Venezuela, repetindo experiências consideradas fracassadas no Afeganistão e no Iraque.

Na Colômbia, grupos armados como o Exército de Libertação Nacional e dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia divulgaram comunicados prometendo resistência a qualquer ação norte-americana, elevando o risco de escalada militar no norte da América do Sul.

Soberania, força e erosão do multilateralismo

A sequência de declarações e ações do governo Trump indica uma inflexão assertiva na política externa dos Estados Unidos, marcada pela ampliação do uso da força e pela relativização de normas tradicionais do direito internacional. Ao associar segurança nacional à anexação territorial e à intervenção militar, Washington tensiona alianças históricas e fragiliza o arcabouço multilateral construído no pós-guerra.

Os desdobramentos expõem contradições relevantes: enquanto aliados europeus compartilham críticas à legitimidade democrática de regimes como o venezuelano, rejeitam de forma explícita os métodos empregados. Na América Latina, a retórica agressiva reacende memórias de intervenções passadas e reforça a percepção de vulnerabilidade regional.

Do ponto de vista institucional, a ausência de consenso interno nos Estados Unidos e as reações de parceiros estratégicos sugerem que a estratégia pode produzir custos diplomáticos elevados, com impactos duradouros sobre a estabilidade hemisférica e a credibilidade das normas internacionais.


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