Aproximação da Tailândia com a China acelera perda de influência dos EUA no Sudeste Asiático, apontam analistas

Movimento estratégico de Bangkok afeta cooperação militar, vendas de armas e acesso dos Estados Unidos na região.
Movimento estratégico de Bangkok afeta cooperação militar, vendas de armas e acesso dos Estados Unidos na região.

A aproximação estratégica entre a Tailândia e a China tem enfraquecido uma das alianças de segurança mais antigas dos Estados Unidos na Ásia, acelerando a redução da influência de Washington no Sudeste Asiático. A avaliação foi destacada por analistas ouvidos pelo portal Defense News e repercutida na terça-feira (18/12/2025), em meio a um cenário de competição geopolítica crescente entre as duas potências na região.

Embora a Tailândia mantenha status formal de aliada dos EUA desde meados do século XX, especialistas apontam que o alinhamento político, econômico e militar de Bangkok vem se deslocando de forma consistente em direção a Pequim, com impactos diretos sobre acordos de defesa, acesso a bases militares e cooperação estratégica.

Segundo a especialista norte-americana em segurança e política asiática Emma Chanlett-Avery, os laços cada vez mais estreitos com a China “aceleram a tendência de perda de influência estratégica dos EUA no Sudeste Asiático”, enfraquecendo a capacidade norte-americana de conter o avanço chinês.

Histórico da aliança e mudança do eixo estratégico

A aliança entre Estados Unidos e Tailândia inclui marcos como o Pacto de Manila, o apoio durante a Guerra do Vietnã e a designação de Bangkok como aliado extra-OTAN. No entanto, analistas avaliam que esses vínculos históricos já não garantem alinhamento automático nas atuais disputas estratégicas.

Especialistas destacam que o chamado “centro de gravidade” político e econômico tailandês há décadas se inclina para a China, tendência que se intensificou após o golpe militar de 2014, quando Washington reduziu o engajamento diplomático e militar, abrindo espaço para Pequim ampliar sua presença.

Apesar de os exercícios militares conjuntos Cobra Gold, realizados desde 1982, continuarem como um símbolo da cooperação bilateral, o peso estratégico dessa parceria vem sendo relativizado diante do avanço chinês.

Avanço chinês no setor militar e de defesa

A China tornou-se o principal fornecedor de armamentos da Tailândia, vendendo quase o dobro do volume comercializado pelos EUA entre 2016 e 2022. Pequim também cooperou na entrega do primeiro submarino tailandês, ampliando sua presença no setor de defesa do país.

Embora os Estados Unidos ainda conduzam exercícios militares mais sofisticados, analistas observam que a diferença tecnológica vem diminuindo, reduzindo a vantagem estratégica norte-americana. Esse movimento gera preocupações adicionais sobre interoperabilidade, segurança da informação e alinhamento militar.

Segundo Chanlett-Avery, Washington já não considera garantido que a Tailândia autorize o uso de suas bases militares em um eventual conflito no estreito de Taiwan, cenário considerado central na disputa entre EUA e China.

Impactos no acesso militar e na cooperação estratégica

O analista Zach Cooper, do Instituto Empresarial Americano, alerta para um possível “desacoplamento gradual” entre os dois países, com redução nas vendas de armas e restrições ao uso de instalações estratégicas, como a base aérea de U-Tapao, considerada vital para operações regionais.

De acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), é improvável que a Tailândia aceite sistemas de mísseis norte-americanos voltados à contenção de ameaças chinesas ou norte-coreanas. O instituto também aponta preocupações crescentes sobre o compartilhamento de inteligência sensível, diante do alinhamento de parte da liderança tailandesa com Pequim.

Esse distanciamento ficou evidente em 2023, quando os Estados Unidos negaram a venda de caças F-35 à Tailândia, decisão associada, segundo analistas, ao estreitamento das relações militares entre Bangkok e Pequim e ao receio de exposição de tecnologias sensíveis a sistemas chineses.

*Com informações da Sputnik News.


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