Realizado entre 22 de novembro e 8 de dezembro de 1984, o II Salão de Artes Plásticas de Feira de Santana consolidou-se como um marco da intensa vida cultural da cidade ao premiar o artista Joaquim Franco Brasileiro com o Prêmio Raimundo Oliveira, a principal distinção do evento. A obra vencedora, um óleo sobre tela que retrata três cabaças com rigor técnico e forte identidade regional, destacou-se entre trabalhos de mais de trinta artistas, evidenciando a maturidade estética e a vitalidade do cenário artístico feirense nos anos 1980.
Um período de efervescência cultural em Feira de Santana
Na primeira metade da década de 1980, Feira de Santana vivia um momento singular de efervescência artístico-cultural. Exposições de artes plásticas, montagens teatrais, shows musicais, além do crescente interesse pelo cinema e pela fotografia, compunham um ambiente fértil para a produção criativa. Eventos populares, como a micareta, ampliavam as oportunidades para decoradores, publicitários e profissionais ligados às artes visuais, fortalecendo uma cadeia cultural em expansão.
Esse contexto coincidiu com o segundo mandato do prefeito José Falcão da Silva (1983–1988), marcado pelo slogan “Novos Tempos”, que, no campo cultural, traduziu-se em estímulo institucional e maior visibilidade para iniciativas artísticas locais. O II Salão de Artes Plásticas emergiu, assim, como expressão concreta desse período de renovação e ambição cultural.
O papel do Museu Regional e da curadoria
À frente do Museu Regional, então sediado na Rua Geminiano Costa — edifício que atualmente abriga o Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira —, o professor Dival da Silva Pitombo desempenhou papel central na realização do evento. A iniciativa integrou uma série de metas de sua gestão, voltadas ao fortalecimento da produção artística regional e à inserção de Feira de Santana no circuito cultural baiano.
Idealizado por Kátia Maria Carvalho, com apoio direto de Pitombo, o salão reuniu artistas da cidade e de outras localidades da região, atraindo também visitantes e profissionais ligados às artes. A proposta, segundo a direção do museu, era incentivar a criação artística regional, selecionar trabalhos de qualidade e conferir reconhecimento público aos artistas que se destacassem segundo critérios técnicos e estéticos definidos pela comissão julgadora.
A obra premiada e a estética do regional
Vencedor do prêmio máximo, Joaquim Franco Brasileiro apresentou um óleo sobre tela baseado em temática regional: cabaças, frutos tradicionais da cabaceira, elemento recorrente no cotidiano e no imaginário do interior baiano. A composição, com três cabaças distribuídas de forma equilibrada no espaço pictórico, chamou atenção pelo realismo, pela precisão do desenho e pelo tratamento cromático que conferia profundidade e sensação tátil ao objeto representado.
A escolha da temática reafirmou a valorização do regional como linguagem estética legítima, afastando-se de exotismos e abordagens folclóricas superficiais. O reconhecimento da obra indicou uma leitura madura da identidade local, traduzida em rigor técnico e sobriedade formal.
Demais premiados e diversidade de linguagens
O Prêmio Olney São Paulo foi concedido a Gil Mário de Oliveira Menezes, por um óleo sobre tela que representava a figura de um símio, descrito pela comissão como uma abertura ao imaginário moderno, aliada a um tratamento cromático consistente. Já o Prêmio Ângela Oliveira coube ao artista feirense Geraldo Santana, por uma tela que reinterpretava uma estampa popular, conferindo-lhe um tratamento cromático de caráter popular e identidade própria.
Além dos vencedores principais, a comissão julgadora registrou menções honrosas a trabalhos em diferentes técnicas, como óleo sobre madeira, desenho, bico de pena, vitral em fiberglass e óleo sobre tela, reforçando a diversidade de linguagens e suportes presentes no salão.
Um encontro plural de artistas
O II Salão de Artes Plásticas reuniu um amplo conjunto de artistas, entre participantes e convidados, compondo um panorama representativo da produção artística regional naquele período. Pintores, desenhistas e escultores compartilharam o mesmo espaço expositivo, estimulando intercâmbio estético e circulação de ideias.
A coordenação e produção ficaram a cargo de Kátia Maria Carvalho, com apoio de Antônia Cardoso Silva e colaboração de Jorge Albuquerque. A comissão julgadora, formada por profissionais com reconhecida atuação no campo das artes, assegurou critérios técnicos e diversidade de olhares na avaliação dos trabalhos apresentados.
*Com informações de Zadir Marques Porto.
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