Bahia lidera ranking nacional de ecoturismo para 2026 com Chapada Diamantina, Abrolhos e Trijunção

A Bahia consolidou-se como principal referência do ecoturismo brasileiro para 2026 ao figurar com três destinos na seleção dos 15 principais roteiros de natureza do país, divulgada pela plataforma PlanetaEXO. Chapada Diamantina, Abrolhos e Trijunção colocam o estado na liderança nacional em diversidade de biomas, experiências ao ar livre e iniciativas de conservação, em um contexto de maior projeção internacional do Brasil, eleito Destino do Ano de 2026 pela revista Travel + Leisure.

A curadoria considerou critérios como qualidade da experiência em ambientes naturais, receptividade local, infraestrutura compatível com baixo impacto e alinhamento com práticas de conservação. O resultado reforça a vocação histórica da Bahia para o turismo de natureza, combinando patrimônio ambiental, gestão de áreas protegidas e oferta turística qualificada.

Segundo Lucas Ribeiro, CEO do PlanetaEXO, a escolha reflete a raridade de um território capaz de reunir, com alto padrão, ecossistemas tão distintos. Para o executivo, a Bahia oferece “uma trindade do ecoturismo”, ao congregar recifes de corais, trilhas monumentais e Cerrado preservado, ampliando o leque de experiências para o viajante que busca reconexão com a natureza e turismo responsável.

Chapada Diamantina: trilhas, cavernas e cachoeiras de escala internacional

Com mais de 38 mil km², o Parque Nacional da Chapada Diamantina reúne alguns dos cenários naturais mais emblemáticos do país. O conjunto inclui cachoeiras como Buracão, Fumaça e Fumacinha, piscinas naturais como os poços Azul e Encantado, além de cavernas, cânions e mirantes.

Por que visitar — O Vale do Pati é reconhecido internacionalmente como um dos melhores destinos de trekking de longo curso, com trilhas que atravessam rios, planaltos e formações rochosas singulares. A combinação de paisagem, biodiversidade e oferta de guias locais sustenta o fluxo de visitantes nacionais e estrangeiros, mantendo foco em uso sustentável e educação ambiental.

Abrolhos: recifes, mergulho e observação de baleias-jubarte

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos abriga o maior recife de corais do Atlântico Sul e um arquipélago de cinco ilhas com elevada relevância ecológica. A área é referência em observação de fauna marinha, especialmente durante a temporada de baleias-jubarte, além de oferecer condições privilegiadas para mergulho com snorkel ou cilindro.

Por que visitar — Abrolhos é considerado o principal berçário de baleias-jubarte no Atlântico Sul, combinando conservação rigorosa e experiências controladas. A hospedagem em catamarãs autorizados no entorno do parque amplia a imersão, mantendo padrões compatíveis com a proteção dos recifes.

Trijunção: exclusividade e conservação no Cerrado

Na Trijunção, ponto de encontro entre Bahia, Goiás e Minas Gerais, o Cerrado se apresenta em estado avançado de preservação. A região abriga a Pousada Trijunção, única hospedagem local, que integra conforto, pesquisa científica e turismo de baixo impacto, em parceria com o Projeto Onçafari.

Por que visitar — O destino permite vivenciar a biodiversidade do segundo maior bioma do país com exclusividade, por meio de trekkings guiados, safáris noturnos e observação de espécies como o lobo-guará. O modelo prioriza turismo regenerativo, conciliando visitação e conservação.

Lista completa dos 15 destinos de ecoturismo para 2026

Além dos três destinos baianos, a seleção do PlanetaEXO inclui:

  • Lençóis Maranhenses (MA)
  • Amazônia (AM/PA)
  • Cambará do Sul (RS)
  • Jalapão e Serras Gerais (TO)
  • Chapada dos Veadeiros (GO)
  • Vale do Catimbau (PE)
  • Pantanal (MT/MS)
  • Nobres (MT)
  • Barra do Garças (MT)
  • Serra da Capivara (PI)
  • Ibitipoca (MG)
  • Fernando de Noronha (PE)

Ecoturismo, conservação e estratégia nacional

A liderança da Bahia evidencia um ativo estrutural: a capacidade de integrar conservação ambiental, turismo qualificado e identidade regional. A presença simultânea de Mata Atlântica, ambientes marinhos e Cerrado cria uma oferta rara, capaz de sustentar diferentes perfis de viajantes ao longo do ano.

Os desdobramentos indicam oportunidade e responsabilidade. A expansão do ecoturismo exige governança contínua, fiscalização e planejamento de capacidade de carga, sob pena de pressionar ecossistemas sensíveis. A curadoria destaca bons exemplos, mas o desafio permanece em padronizar práticas e ampliar a qualificação local.

Há, ainda, uma tensão latente entre visibilidade internacional e infraestrutura pública. O reconhecimento amplia a demanda; a resposta institucional precisa assegurar acessos, serviços e proteção ambiental, preservando o que faz da Bahia um caso exemplar no turismo de natureza.


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