A Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva, um dos mais tradicionais equipamentos culturais de Feira de Santana, foi reinaugurada na noite de segunda-feira (29/12/2025) pelo prefeito José Ronaldo, após passar por sua primeira grande reforma desde a inauguração, em 1962. Totalmente reestruturada, com ambientes climatizados, acessibilidade plena e ampliação do acervo digital, a biblioteca reafirma sua dupla função institucional: centro público de leitura contemporânea e guardiã da memória histórica do município, reunindo documentos raros que registram a trajetória política, social e cultural da cidade.
Modernização estrutural e acessibilidade
Localizada na Rua Professor Geminiano Costa, no Centro, a biblioteca passou por uma ampla intervenção física que incluiu nova fachada, requalificação dos ambientes internos e adequação às normas atuais de acessibilidade. Todas as salas agora contam com ar-condicionado, mobiliário moderno e espaços planejados para estudo, leitura e convivência.
Foram instalados elevador, pista tátil e sinalização em braille, garantindo acesso a pessoas com deficiência. As melhorias alinham o equipamento aos padrões nacionais de bibliotecas públicas, sem descaracterizar sua identidade histórica.
Durante a solenidade de entrega, o prefeito José Ronaldo de Carvalho destacou o empenho das equipes da administração municipal na execução da obra e ressaltou o simbolismo de concluir a modernização ainda em 2025, preservando um espaço que atravessa gerações de feirenses.
Entrada definitiva na era digital
Além da reforma física, a reinauguração marca a integração definitiva da biblioteca ao ambiente digital. O equipamento passa a oferecer um acervo de milhares de livros digitais, fornecidos por mais de 70 editoras, acessíveis por meio da plataforma www.feiradesantana.tocalivros.com.
Os usuários cadastrados podem acessar os títulos tanto nos computadores da biblioteca quanto remotamente, em residências ou dispositivos móveis. A iniciativa amplia o alcance do serviço público de leitura e acompanha a transformação dos hábitos de consumo cultural, sem substituir o acervo físico tradicional.
Um acervo histórico que documenta Feira de Santana
Paralelamente à modernização, a Biblioteca Arnold Ferreira da Silva mantém um patrimônio documental de alto valor histórico. No setor de periódicos, estão preservados 191 livros, jornais e memorandos dedicados exclusivamente à história de Feira de Santana, reunindo registros administrativos, publicações jornalísticas e obras de referência que permitem acompanhar a evolução urbana, política e social do município.
Fundada há mais de cinco décadas, a biblioteca consolidou-se como uma das principais guardiãs da memória feirense, oferecendo fontes primárias e secundárias essenciais para pesquisadores, estudantes e cidadãos interessados na história local.
A funcionária do setor de periódicos, Maria das Graças Freitas Silva, ressalta que o acervo é amplamente utilizado por escolas e instituições de ensino. Segundo ela, professores frequentemente orientam alunos do ensino fundamental e médio a realizar pesquisas no local, estimulando o contato direto com documentos históricos.
“É um material que permite compreender como Feira era no passado e como se transformou ao longo do tempo. A partir dessas pesquisas, os estudantes conseguem extrair informações que contribuem para a formação intelectual e cidadã”, observa.
Reconhecimento dos usuários e valor educativo
Usuários da biblioteca destacam sua relevância como espaço de referência. O engenheiro eletricista Lucas Nunes Peixoto, de 28 anos, define o equipamento como o ambiente com o maior e mais qualificado acervo de pesquisa da cidade, ressaltando a diversidade de conteúdos e a profundidade das informações disponíveis ao público.
O depoimento reforça o papel da biblioteca não apenas como espaço de leitura, mas como instrumento permanente de educação, pesquisa e preservação da identidade local.
Digitalização e preservação da memória
O processo de modernização do acervo teve início ainda em 2016, quando a biblioteca deu os primeiros passos para a digitalização e informatização sistemática de seus conteúdos, sob gestão da Fundação Municipal de Tecnologia da Informação, Telecomunicações e Cultura Egberto Tavares Costa (FUNTITEC).
Com cerca de 20 mil livros, o acervo geral passou a ser catalogado, etiquetado e inserido em sistema informatizado, garantindo maior controle patrimonial e agilidade no atendimento aos leitores. Paralelamente, iniciou-se a digitalização de periódicos históricos, incluindo exemplares raros de jornais como Folha do Norte, Folha do Estado e edições do Diário Oficial, alguns datados de 1924.
À época, a chefe da divisão de bibliotecas, Telma Freitas de Melo, destacou que a digitalização era fundamental para evitar a deterioração dos documentos, fragilizados pelo tempo. Segundo ela, o processo garante não apenas o acesso continuado às informações, mas também a preservação física dos originais.
Depoimentos e simbolismo institucional
A solenidade de reinauguração reuniu autoridades, representantes culturais e familiares de Arnold Ferreira da Silva, que relembraram a origem da biblioteca, construída inicialmente com recursos remanescentes da administração municipal da época.
A presidente da Academia de Letras e Artes de Feira de Santana, Lélia Vitor Fernandes, recordou sua ligação pessoal com a biblioteca desde a inauguração, em 1962, destacando o papel do espaço em sua trajetória intelectual e afetiva.
Durante o evento, o professor e pastor Carlos Magno Vitor da Silva abordou a importância histórica das bibliotecas no processo civilizatório, enquanto o pároco do Santuário do Senhor dos Passos, Júlio César Santa Bárbara, realizou a bênção do espaço, definindo-o como um “templo do conhecimento”.
Política cultural e gestão pública
O secretário municipal de Cultura, Esporte e Lazer, Cristiano Lobo, afirmou que a reinauguração representa um presente de fim de ano à população, reforçando o compromisso da gestão municipal com a cultura, a educação e a preservação da memória histórica.
Mantida pela Prefeitura de Feira de Santana, por meio da FUNTITEC, a biblioteca funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 17h.
Modernização, memória e continuidade institucional
A reinauguração da Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva evidencia a importância de conciliar modernização tecnológica e preservação da memória histórica na gestão de equipamentos culturais. Ao investir simultaneamente em infraestrutura, acessibilidade e digitalização, o município reforça o papel da biblioteca como instituição de longo prazo, voltada à formação cidadã.
O desafio futuro reside na manutenção contínua do acervo digital e histórico, garantindo atualização tecnológica, preservação documental e políticas públicas estáveis. A experiência demonstra que bibliotecas públicas permanecem centrais para o desenvolvimento social quando tratadas como instituições permanentes, e não apenas como obras pontuais de governo.
Confira imagens da reinauguração da Biblioteca Municipal de Feira de Santana



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