A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025 atingiu 346,1 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde histórico desde o início da série do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), em 1975. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (15/01/2026) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e confirmam a consolidação do país como uma das maiores potências agrícolas do mundo, impulsionada por ganhos expressivos de produtividade, avanços tecnológicos e condições climáticas favoráveis em importantes regiões produtoras.
Produção supera marcas históricas e consolida novo patamar
Até 2022, o Brasil jamais havia superado a marca de 300 milhões de toneladas de grãos em um único ano. Esse patamar foi alcançado pela primeira vez em 2023, com 316,4 milhões de toneladas. Em 2024, a produção recuou para 292,7 milhões de toneladas, impactada principalmente por eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul, mas ainda permaneceu acima de todos os resultados registrados entre 1975 e 2022.
Em 2025, a recuperação foi ampla e consistente. O volume produzido não apenas compensou as perdas do ano anterior como estabeleceu um novo patamar estrutural para a agricultura brasileira, mais que dobrando a produção registrada em 2012, quando o país colheu 162,0 milhões de toneladas.
Três anos de produção recorde ampliam diferença histórica
Somadas, as safras de grãos entre 2023 e 2025 totalizaram 955,23 milhões de toneladas. No triênio anterior, entre 2019 e 2021, a produção havia sido de 755,28 milhões de toneladas. A diferença entre os dois períodos — 199,95 milhões de toneladas — supera, isoladamente, a produção total do Brasil em 2016 (185,89 milhões de toneladas) e também toda a produção anual do país até 2014.
O Brasil ultrapassou a marca de 200 milhões de toneladas pela primeira vez em 2015 e, desde então, apenas em 2016 a produção ficou abaixo desse nível, evidenciando uma mudança estrutural no desempenho do setor agrícola.
Soja, milho, algodão, sorgo e café lideram recordes
Cinco culturas foram decisivas para o desempenho histórico de 2025. A soja alcançou 166,1 milhões de toneladas, seguida pelo milho, com 141,7 milhões de toneladas. Também registraram recordes o algodão, com 9,9 milhões de toneladas, o sorgo, com 5,4 milhões de toneladas, e o café do tipo canephora, com 1,3 milhão de toneladas.
Segundo o IBGE, o resultado reflete tanto a expansão moderada da área cultivada quanto, sobretudo, o avanço consistente da produtividade média das lavouras.
Área colhida cresce, mas produtividade é o principal motor
A área colhida em 2025 foi estimada em 81,6 milhões de hectares, um aumento de 3,2% em relação a 2024. Houve expansão relevante nas áreas de algodão (+5,7%), arroz (+11,1%), soja (+3,7%), milho (+4,3%) e sorgo (+15,6%), enquanto feijão (-7,2%) e trigo (-18,2%) registraram retração.
Apesar do crescimento da área, o dado mais expressivo está na produtividade. Em 13 anos, a área plantada avançou 66,8%, enquanto a produção mais que dobrou, evidenciando ganhos tecnológicos acumulados.
“Os ganhos de produtividade das lavouras são fruto de anos de trabalho de pesquisa de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que desenvolveu variedades adaptadas aos diversos biomas brasileiros, e das decisões dos produtores de investir em tecnologias avançadas”, afirmou Carlos Alfredo Guedes, gerente de Agricultura do IBGE.
Centro-Oeste lidera produção nacional
A Região Centro-Oeste concentrou 51,6% da produção nacional em 2025, com 178,7 milhões de toneladas, confirmando sua posição estratégica no agronegócio brasileiro. Em seguida aparece a Região Sul, com 86,3 milhões de toneladas (24,9% do total).
As demais regiões também tiveram participação relevante: Sudeste, com 31,1 milhões de toneladas (9%); Nordeste, com 27,7 milhões de toneladas (8%); e Norte, com 22,3 milhões de toneladas (6,5%).
Mato Grosso mantém liderança entre os estados
Entre as unidades da federação, Mato Grosso permaneceu como o maior produtor nacional de grãos, com 32% de participação na safra de 2025. Na sequência aparecem Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%). Juntos, esses seis estados responderam por 79,7% da produção nacional.
Safra 2026 deve recuar levemente, mas manter patamar elevado
O terceiro prognóstico para a safra de 2026 indica uma leve retração de 1,8%, equivalente a 6,3 milhões de toneladas, com produção estimada em 339,8 milhões de toneladas. Mesmo com a redução, o volume projetado seria o segundo maior da série histórica, mantendo o Brasil em nível elevado de produção.
Plano Safra recorde reforça financiamento do setor
Em julho de 2025, o governo federal anunciou o Plano Safra 2025/2026, com R$ 516,2 bilhões destinados à agricultura empresarial, o maior volume já registrado. O montante representa um acréscimo de R$ 8 bilhões em relação ao ciclo anterior e tem como foco a ampliação do crédito rural, o incentivo à produção sustentável e o fortalecimento da infraestrutura no campo.
O que é o LSPA
Implantado em novembro de 1972, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) fornece estimativas mensais sobre produção, área plantada, área colhida e rendimento médio das principais culturas do país. O levantamento acompanha cada safra desde a intenção de plantio até a colheita e inclui prognósticos para o ciclo seguinte. A próxima divulgação, referente a janeiro de 2026, está prevista para 12 de fevereiro.











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