Brasil bate recorde histórico de exportações em 2025 e amplia mercados apesar de cenário internacional adverso

O Brasil encerrou 2025 com o maior volume de exportações de sua história, alcançando US$ 348,7 bilhões, resultado que supera em aproximadamente US$ 9 bilhões o recorde anterior, registrado em 2023. O desempenho foi obtido em um contexto internacional marcado por instabilidade geopolítica e por medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Além do avanço das exportações, a corrente de comércio exterior — soma de exportações e importações — atingiu US$ 629 bilhões, consolidando um ano considerado histórico para o setor.

Em entrevista concedida nesta quinta-feira (17/01/2026) ao programa Bom Dia, Ministro, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, atribuiu o resultado a uma estratégia deliberada de diversificação comercial conduzida pelo Governo Federal. Segundo ele, o país conseguiu expandir sua presença internacional ao abrir e consolidar novos mercados, reduzindo a dependência de destinos tradicionais e mitigando os impactos de barreiras comerciais.

Alckmin ressaltou que o recorde não ocorreu de forma circunstancial. De acordo com o ministro, a ampliação da base de parceiros comerciais foi decisiva para garantir estabilidade e crescimento, mesmo diante de um ambiente externo desfavorável. A estratégia, segundo ele, reforçou a segurança do comércio exterior brasileiro ao distribuir riscos e ampliar oportunidades em diferentes regiões do mundo.

Abertura de novos mercados e diversificação comercial

Desde o início de 2023, o Brasil abriu 525 novos mercados em 82 destinos, entre países, blocos econômicos e territórios, conforme levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária. Para o vice-presidente, a diversificação geográfica das exportações foi um dos pilares centrais do desempenho alcançado em 2025.

Ao comentar os dados, Alckmin afirmou que a conquista de novos mercados reduz a vulnerabilidade do país a choques externos específicos. A lógica, segundo ele, é evitar a concentração excessiva das exportações em poucos parceiros, ampliando o leque de compradores e fortalecendo a resiliência do setor exportador brasileiro.

Esse movimento, de acordo com o ministro, permitiu que o Brasil mantivesse crescimento mesmo em um ano marcado por tensões comerciais globais, reforçando a importância de uma política externa ativa e orientada à abertura de oportunidades para o setor produtivo nacional.

Inclusão de micro e pequenas empresas no comércio exterior

Um dos focos do Governo Federal, segundo Alckmin, é ampliar a participação de micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras, hoje concentradas majoritariamente em grandes grupos econômicos. Para isso, foi criado o programa Acredita Exportação, voltado a incentivar a entrada dessas empresas no comércio internacional.

O programa prevê a concessão de crédito tributário equivalente a 3,1% do valor exportado para micro e pequenas empresas, mecanismo que, segundo o ministro, aumenta a competitividade desses negócios no mercado externo. Alckmin citou exemplos internacionais, como Itália e China, onde pequenas empresas têm papel relevante na pauta exportadora.

Nesse processo, a Apex Brasil exerce papel estratégico, especialmente por meio do Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), que oferece capacitação técnica e orientação para empresas que desejam iniciar ou ampliar suas exportações.

Reforma Tributária e impacto sobre exportações e investimentos

Durante a entrevista, Alckmin destacou a Reforma Tributária como um dos principais vetores de fortalecimento da competitividade brasileira no médio e longo prazo. Na última terça-feira (13/01/2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do lançamento da Plataforma Digital da Reforma Tributária e sancionou o Projeto de Lei Complementar nº 227/2026, que institui o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A reforma, discutida há décadas e aprovada nesta gestão, elimina a cumulatividade de tributos, simplifica regras e confere maior previsibilidade à arrecadação. Entre seus efeitos, está a desoneração total das exportações e dos investimentos, ponto considerado crucial para o setor produtivo.

Segundo Alckmin, embora as exportações brasileiras não sejam tributadas diretamente, os impostos pagos ao longo da cadeia produtiva — como sobre insumos industriais — reduzem a competitividade. Com a nova estrutura tributária, esses créditos passam a ser devolvidos de forma mais eficiente, eliminando gargalos históricos, como a demora na restituição do ICMS.

Projeções econômicas e estudos do Ipea

O ministro citou estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que projeta um aumento de 17% nas exportações brasileiras e de 14% nos investimentos ao longo de 15 anos após a implementação da Reforma Tributária. As estimativas reforçam o potencial estrutural da mudança para ampliar a competitividade do país no cenário internacional.

De acordo com Alckmin, o novo modelo elimina a tributação sobre investimentos, prática que historicamente encarece a produção no Brasil. A expectativa é que a combinação de desoneração, simplificação e previsibilidade estimule tanto o setor exportador quanto a atração de novos investimentos produtivos.

Programa Move Brasil e renovação da frota de caminhões

Outro ponto abordado pelo vice-presidente foi o lançamento do programa Move Brasil, voltado à renovação da frota de caminhões no país. A iniciativa oferece financiamento com taxas de juros reduzidas para caminhoneiros autônomos, cooperativas e empresas de transporte rodoviário de cargas, priorizando veículos mais eficientes e sustentáveis.

Segundo Alckmin, as taxas de juros, que variavam entre 22% e 26%, foram reduzidas para patamares entre 13% e 14%, com financiamento de até 50% do valor do caminhão, seis meses de carência e prazo de cinco anos para pagamento. O programa também contempla a aquisição de veículos seminovos.

Além do impacto econômico, o ministro destacou os ganhos ambientais e logísticos. Caminhões novos, segundo ele, podem poluir até 40 vezes menos do que veículos com mais de 20 anos, contribuindo para a redução de emissões, aumento da segurança viária e melhoria da eficiência logística.


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