Captura do presidente Nicolás Maduro pelos EUA aprofunda crise regional, provoca reação do Brasil e acende alerta na América Latina

O presidente venezuelano Nicolás Maduro aparece sob custódia de agentes norte-americanos após operação militar dos Estados Unidos, em janeiro de 2026, episódio que desencadeou forte reação diplomática internacional.
Captura de Nicolás Maduro pelos EUA provoca reação do Brasil, divide a comunidade internacional e aprofunda a crise política e diplomática na América Latina.

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos, anunciada no sábado (03/01/2026) pelo presidente Donald Trump, abriu uma nova e grave crise política, diplomática e institucional na América Latina. A operação militar, realizada em território venezuelano sem autorização internacional, resultou na retirada forçada de Maduro do poder e em sua transferência para os Estados Unidos, onde deverá responder a acusações criminais ligadas a narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e conspiração armada.

O episódio, descrito por analistas como o mais relevante na política venezuelana das últimas duas décadas, provocou reações imediatas de governos da região, dividiu a comunidade internacional e reacendeu o debate sobre soberania, direito internacional e intervenção externa. No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação como uma “afronta gravíssima” à soberania venezuelana e confirmou que levará o tema ao Conselho de Segurança da ONU e à CELAC.

Operação militar e captura do presidente venezuelano

Segundo informações divulgadas por autoridades norte-americanas, a ofensiva ocorreu na madrugada de sábado, com ataques aéreos e o uso de helicópteros em Caracas e em regiões estratégicas dos estados de Aragua e La Guaira. A ação culminou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, retirados à força do local onde se encontravam.

Horas depois, imagens divulgadas pela Casa Branca e compartilhadas pelo próprio Donald Trump mostraram Maduro algemado, sob escolta, sendo transportado inicialmente por navio militar e, posteriormente, por aeronave até o estado de Nova York. O presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos irão “administrar provisoriamente” a Venezuela até que haja uma transição política considerada “segura e adequada”, sem detalhar prazos ou mecanismos institucionais.

Trump também declarou que empresas petrolíferas norte-americanas terão papel central na recuperação e exploração das reservas de petróleo venezuelanas, as maiores comprovadas do mundo, argumento que reforçou críticas internacionais sobre motivações econômicas por trás da operação.

Reação do Brasil e posicionamento diplomático

O governo brasileiro reagiu com firmeza. Em nota oficial e manifestações públicas, Lula condenou os ataques e a captura de Maduro, afirmando que a ação “ultrapassa uma linha inaceitável” e ameaça a preservação da América do Sul como zona de paz. O Itamaraty confirmou que o Brasil defenderá, em fóruns multilaterais, o respeito ao direito internacional e à soberania dos Estados.

A ministra das Relações Exteriores substituta, Maria Laura da Rocha, afirmou que, do ponto de vista constitucional venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodríguez deve assumir interinamente o cargo enquanto não houver declaração formal de vacância. Segundo o governo brasileiro, uma reunião extraordinária da CELAC está em organização para tratar da crise, além de uma sessão específica do Conselho de Segurança da ONU.

O Itamaraty informou ainda que monitora a situação dos brasileiros residentes na Venezuela, especialmente em Caracas, onde relatos indicam clima de tensão, escassez de alimentos e presença ostensiva de militares e grupos paramilitares.

Repercussão internacional e divisão entre aliados

A ofensiva norte-americana gerou reações imediatas de potências globais. A China exigiu a libertação imediata de Maduro e classificou a operação como “flagrante violação do direito internacional”. A Rússia, o Irã e Cuba também condenaram duramente a ação, pedindo uma resposta da ONU.

Na União Europeia, o posicionamento foi mais cauteloso. Embora o bloco não reconheça a legitimidade do governo Maduro desde as eleições de 2024, líderes europeus defenderam contenção e respeito à Carta das Nações Unidas, evitando endossar explicitamente a intervenção militar.

Em contraste, o presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou publicamente a captura de Maduro, ampliando a polarização política na região.

Impacto interno na Venezuela e cenário de incerteza

Em Caracas, o clima é de apreensão. Moradores relataram explosões durante a madrugada, bloqueios de vias, filas em supermercados e temor de represálias. O governo venezuelano decretou estado de emergência nacional e denunciou agressão militar estrangeira. A ausência de informações claras sobre a cadeia de comando e o futuro político do país aumenta a instabilidade.

Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que a operação pode abrir três cenários principais: uma transição negociada sob forte tutela externa; a ascensão de um nome do chavismo considerado aceitável por Washington; ou um vácuo de poder com risco de conflito interno prolongado.

Soberania, precedentes e riscos regionais

A captura de Nicolás Maduro por forças estrangeiras, sem mandato internacional, representa um precedente grave na América Latina. Independentemente das críticas ao regime chavista, a ação rompe princípios consolidados de soberania e não intervenção, historicamente defendidos por países da região, inclusive o Brasil.

O episódio também expõe contradições na atuação das potências ocidentais, que alternam a defesa do direito internacional conforme interesses estratégicos. A promessa explícita de controle sobre recursos petrolíferos venezuelanos reforça a leitura de que a operação extrapola objetivos humanitários ou jurídicos.

Do ponto de vista regional, a crise tende a repercutir nos processos eleitorais e na estabilidade política de países vizinhos ao longo de 2026. Para o Brasil, que compartilha extensa fronteira com a Venezuela e mantém tradição diplomática de mediação, o desafio será equilibrar a condenação à intervenção com a necessidade de evitar escaladas militares e fluxos humanitários descontrolados.


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