Coalizão de 35 países endossa garantias de segurança para a Ucrânia e avalia força multinacional em cenário de cessar-fogo

Declaração de Paris reúne líderes europeus, Estados Unidos, Otan e União Europeia para definir compromissos de segurança após eventual fim das hostilidades.
Declaração de Paris reúne líderes europeus, Estados Unidos, Otan e União Europeia para definir compromissos de segurança após eventual fim das hostilidades.

Na terça-feira (06/01/2026), uma coalizão formada por 35 países endossou a chamada “Declaração de Paris”, documento que prevê garantias de segurança para a Ucrânia em um eventual cenário de cessar-fogo com a Rússia. O texto conta com apoio dos Estados Unidos e inclui a possibilidade de formação de uma força multinacional após o encerramento das hostilidades.

A iniciativa foi apresentada durante reunião realizada no Palácio do Eliseu, em Paris, com a presença de líderes de quase todos os países europeus, além de representantes do Canadá, da Otan, da União Europeia e enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro buscou consolidar uma posição conjunta sobre a segurança futura da Ucrânia.

Segundo os líderes europeus, as medidas têm como objetivo evitar qualquer acordo que represente uma rendição de Kiev ou que permita uma nova ameaça russa após um eventual acordo de paz.

Declaração de Paris e posição da França

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que as garantias de segurança são essenciais para assegurar que um acordo de paz não fragilize a soberania ucraniana. Segundo ele, há uma “convergência operacional” entre os membros da coalizão em torno do tema.

Macron declarou que as garantias, com apoio político e militar dos Estados Unidos, são consideradas o principal instrumento para impedir uma retomada das hostilidades. O líder francês reforçou que o compromisso não deve ser interpretado como aceitação de concessões unilaterais.

Durante a reunião, Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assinaram uma declaração de intenções relacionada ao eventual destacamento de uma força multinacional após o cessar-fogo.

Força multinacional e participação europeia

A força multinacional, em análise há vários meses, tem como finalidade garantir estabilidade imediata após o cessar-fogo, segundo Macron. A proposta prevê a participação voluntária dos países da coalizão interessados.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que tropas alemãs poderão integrar a força, mas posicionadas em território de países da Otan que fazem fronteira com a Ucrânia. Ele destacou que Berlim avaliará politicamente, financeiramente e militarmente sua contribuição.

Merz acrescentou que qualquer decisão dependerá de aprovação do governo e do Parlamento alemão, ressaltando que, neste momento, nenhuma opção foi descartada.

Alemanha admite necessidade de concessões

Em entrevista coletiva após a reunião, Friedrich Merz afirmou que concessões serão necessárias para alcançar a paz na Ucrânia. O chanceler, no entanto, não detalhou quais pontos poderiam ser objeto de negociação.

Segundo Merz, o principal objetivo da coalizão é alcançar um cessar-fogo estável, reconhecendo que não existe um modelo diplomático pré-definido para resolver o conflito.

O chanceler destacou que a busca por uma solução pacífica exigirá pragmatismo e coordenação entre a Ucrânia e seus aliados europeus.

Itália descarta envio de tropas terrestres

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, informou aos aliados que descartou o envio de tropas terrestres italianas como parte das garantias de segurança para a Ucrânia.

Em comunicado oficial, o governo italiano reiterou seu apoio à segurança ucraniana, mas confirmou a exclusão de qualquer participação com forças terrestres no pós-cessar-fogo.

Meloni afirmou que as garantias integrarão um conjunto mais amplo de acordos, coordenados com os Estados Unidos, voltados à preservação da soberania e da independência da Ucrânia.

Papel dos Estados Unidos e avaliação dos enviados de Trump

O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, afirmou que as garantias de segurança estão praticamente finalizadas, permitindo aos ucranianos a perspectiva de que o fim do conflito seja duradouro.

Jared Kushner, integrante da equipe de negociação norte-americana, declarou que o progresso alcançado na reunião é fundamental, embora não represente, por si só, a garantia imediata da paz.

Ambos ressaltaram que os Estados Unidos desempenharão papel central no monitoramento do cessar-fogo, com participação coordenada dos países da coalizão.

Compromissos europeus e supervisão do cessar-fogo

No rascunho da declaração conjunta, os líderes europeus afirmaram estar prontos para fornecer garantias de segurança juridicamente vinculativas, incluindo uma força internacional apoiada por recursos militares dos Estados Unidos.

O documento prevê que o cessar-fogo seja supervisionado pelos Estados Unidos, com envolvimento dos membros da coalizão. A força multinacional contará com apoio norte-americano especialmente nas áreas de inteligência e logística.

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, destacou que o texto representa uma declaração de intenções, sem decisões logísticas ou financeiras definitivas.

Reino Unido e França planejam bases militares

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que Reino Unido e França planejam estabelecer bases militares na Ucrânia após um eventual cessar-fogo. Segundo ele, as instalações seriam destinadas ao armazenamento de armas e equipamentos.

Starmer explicou que o plano inclui monitoramento do cessar-fogo, apoio contínuo ao fornecimento de armamentos e compromissos vinculativos de defesa em caso de novos ataques.

O anúncio ocorre em meio às negociações indiretas entre Rússia e Estados Unidos sobre o futuro do conflito.

Diálogo com Moscou e críticas à falta de unidade europeia

Em paralelo, Emmanuel Macron afirmou que pretende retomar o diálogo com o presidente russo, Vladimir Putin, reconhecendo a necessidade de reconstruir canais diplomáticos diretos.

A sinalização ocorre em meio a críticas internas na Europa sobre a falta de unidade do bloco. Análises recentes apontam dificuldades da União Europeia em coordenar decisões estratégicas relacionadas ao conflito.

A Rússia, por sua vez, reiterou que permanece aberta a negociações, mas rejeita a presença de tropas da Otan em território ucraniano sob qualquer formato.

*Com informações da RFI e Sputnik News.


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