A edição de 2025 da Corrida Internacional de São Silvestre revelou ao país um novo nome de destaque no atletismo brasileiro. A baiana Núbia de Oliveira Silva, de 22 anos, conquistou o terceiro lugar na prova feminina, com o tempo de 53 minutos e 11 segundos, tornando-se a melhor brasileira da competição. O resultado, obtido em uma edição simbólica — a 100ª São Silvestre —, foi alcançado em um cenário de domínio de atletas africanas, o que confere ainda maior relevância ao desempenho da atleta.
Ascensão consolidada no centenário da prova
A presença de Núbia no pódio confirma uma trajetória de evolução consistente, iniciada na edição anterior da corrida e agora consolidada no principal evento de rua do país. Em 2025, o pódio feminino foi completado por duas atletas do Quênia, reforçando o alto nível técnico da disputa e o peso competitivo do resultado alcançado pela baiana.
Com desempenho regular ao longo da prova e forte capacidade de manutenção de ritmo, Núbia demonstrou maturidade competitiva diante de um pelotão internacional experiente. O terceiro lugar não apenas simboliza uma conquista individual, mas reposiciona o atletismo baiano no cenário nacional e internacional.
A marca obtida em São Paulo passa a integrar um currículo já expressivo para a idade da atleta, indicando potencial de longo prazo em provas de fundo e em competições de alto rendimento.
Apoio institucional e política pública de incentivo
A trajetória recente de Núbia é diretamente influenciada pelo apoio institucional do Governo da Bahia. A atleta integra o grupo de 211 esportistas contemplados pelo programa Bolsa Esporte, executado pela Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).
O incentivo financeiro mensal permitiu redução da jornada de trabalho e maior dedicação aos treinos, condição essencial para a evolução técnica e física exigida em provas internacionais. O modelo de apoio adotado pelo Estado busca criar condições objetivas de permanência no esporte de alto rendimento, especialmente para atletas oriundos de regiões historicamente menos assistidas.
Esse suporte institucional se soma a uma estratégia mais ampla de formação de talentos, que articula esporte, educação e inclusão social como vetores de desenvolvimento.
Raízes sertanejas e identidade atlética
Natural do norte da Bahia e radicada em Jaguarari, no distrito de Flamengo, Núbia optou por manter sua base de treinamento em sua terra natal. Os treinos realizados em meio à Caatinga e às paisagens da Chapada Diamantina moldam não apenas sua preparação física, mas também sua identidade esportiva.
Descendente de quilombolas, a atleta preserva vínculos com a agricultura familiar e com a ancestralidade sertaneja, elementos que se refletem em sua disciplina, resistência e relação com o território. A decisão de treinar fora dos grandes centros esportivos reforça uma narrativa de descentralização do alto rendimento, sem prejuízo de competitividade.
O ambiente natural, aliado a métodos de treinamento estruturados, tornou-se parte do diferencial competitivo da atleta, contribuindo para sua capacidade aeróbica e adaptação a diferentes condições de prova.
Currículo vitorioso e projeção internacional
Além do pódio na São Silvestre, Núbia acumula títulos expressivos. A atleta é campeã sul-americana dos 10 mil metros e soma 12 conquistas nacionais e internacionais, resultados que atestam regularidade, evolução técnica e alto teto competitivo.
O conjunto de resultados indica capacidade de transição para provas ainda mais exigentes do circuito internacional, ampliando as possibilidades de convocação para seleções e participação em eventos de maior envergadura.
A São Silvestre de 2025, nesse contexto, funciona como marco simbólico e técnico, consolidando Núbia como um dos principais nomes emergentes do atletismo brasileiro.
Impacto para o esporte baiano
A conquista representa um marco para o esporte da Bahia. O resultado sintetiza os efeitos de uma política pública que aposta no investimento continuado, defendida pelo governador Jerônimo Rodrigues, associando esporte, educação e desenvolvimento humano como instrumentos de transformação social.
Mais do que uma medalha, o pódio simboliza a ampliação do protagonismo baiano no cenário esportivo nacional, reforçando a capacidade do Estado de formar atletas de elite fora dos eixos tradicionais.
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