Na manhã desta quarta-feira (21/01/2026), a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) completou um ano de atividades no Centro Policial de Cidadania e Diversidade (CPCD), localizado no bairro do Engenho Velho de Brotas, em Salvador. A unidade foi criada por meio de parceria entre a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) e a Polícia Civil do Estado da Bahia, oferecendo atendimento especializado e multiprofissional a vítimas de racismo e intolerância religiosa, com suporte psicossocial integrado.
Desde sua inauguração, a Decrin registrou cerca de 700 denúncias e instaurou aproximadamente 500 inquéritos em 2025, segundo dados da delegacia. O delegado titular, Ricardo Amorim, destacou que a maioria dos procedimentos já se encontra em fase avançada de investigação, indicando a ampliação do registro de ocorrências e da atuação investigativa da unidade.
A prioridade para 2026, conforme o delegado-geral da Polícia Civil, André Viana, é o fortalecimento da rede de proteção e expansão da Decrin para outras regiões da Bahia, incluindo ampliação do quadro de pessoal e criação de novas unidades especializadas em diferentes municípios.
Estratégias de atuação e metas futuras
De acordo com Ricardo Amorim, a meta deste ano é triplicar o alcance das investigações com base na confiança da população, destacando que a intolerância religiosa precisa ser combatida de forma efetiva no estado, que apresenta maioria da população negra e forte herança cultural africana.
Para a secretária da Sepromi, Ângela Guimarães, o aniversário da Decrin simboliza a continuidade de um esforço histórico e o legado de Mãe Gilda, representando um instrumento de enfrentamento ao racismo em toda a Bahia. Ela ressaltou que a delegacia é fruto de uma mobilização social ampla e de um compromisso institucional contínuo.
O evento de comemoração contou com a presença de autoridades, movimentos sociais e lideranças religiosas, incluindo representantes do Ministério Público da Bahia (MPBA), Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, a reitora da Uneb, Adriana Marmori, a vereadora Marta Rodrigues e as deputadas Lídice da Mata e Olívia Santana, autora da lei que inspirou a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Participação de organizações sociais e religiosas
Também estiveram presentes representantes da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), do Conselho Inter-religioso da Bahia (Conirb) e do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN). Durante a cerimônia, o Padre Lázaro, da Igreja do Rosário dos Pretos, reforçou a importância da união entre diferentes religiões e o respeito à diversidade religiosa.
A Decrin segue com atendimento diário, priorizando a proteção de vítimas, investigação de crimes de intolerância religiosa e a integração de políticas públicas de segurança e igualdade racial. A expectativa é que a expansão do modelo para outros municípios aumente a eficiência no combate à intolerância e no registro de ocorrências em todo o estado.











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